A ADOLESCNCIA E O JUZO MORAL
J. RODRIGUES DO AMARAL

Instituto Gulbenkian de Cincia

Centro de Investigao Pedaggica

Oeiras / 1978

Edio e propriedade da FUNDAO CALOUSTE GULBENKIAN

---Av. de Berna i Lisboa-

1

INTRODUO

Nullus est liber tam malus, ut non ali-
qua parte prosit.

PLINIO o JOVEM

(No h livro to mau que no contenha algo positivo).

INTRODUO

Foi com a inteno de abordar o problema do bem e do mal de maneira directa e de precisar 
objectiva e cientificamente os critrios de julgamento moral, na sociedade em que vivemos, 
que Henri Baruk, doutor em medicina, Mdico-chefe da Maison de Charenteau e Professor da 
Faculdade de Medicina de Paris, elaborou o teste de julgamento moral que designou pelo 
termo hebreu e
bblico TSEDEK que exprime, em sntese, determinada fuso de JUSTIA E CARIDADE.

s diferentes e mltiplas psiquiatrias e psicologias que, se chocam como, por exemplo, a 
psiquiatria neurolgica formulada sobre as localizaes cerebrais, a psiquiatria instintiva 
de base psicanaltica, a psiquiatria psicossomtica americana, apoiada no dualismo e na 
separao do corpo e do esprito, a psiquiatria organodinamista fundada exclusivamente sobre 
o papel do sonho e dos processos de desintegrao Jakonsiano, ope H. Baruk uma psiquiatria 
sinttica.

Sem desprezar qualquer dos aspectos fundamentais das psiquiatrias parciais enunciada 
estabelece, e cada um dos factores que delas emergem o seu respectivo lugar.

No nega a existncia doutras foras, mas entende que a, fora principal que faz operar a 
personalidade, que lhe d no somente uma parte importante do seu dinamismo, mas mesmo o 
sentido da sua orientao, reside no julgamento do sentimento do bem e do mal, do justo e do, 
injusto, isto , na conscincia moral.

Ser este factor moral que confere  personalidade humana o seu carcter essencial. A sua 
unidade no residir num s factor,

eliminando todos O,8 outros, mas numa sntese que harmoniza os
diversos factores numa combinao hierarquizada em planos diferentes.

Os instrumentos de execuo, OS automatismos motores e os reflexos formam, para Baruk, um 
plano especial ligado s localizaes anato-clnicas. Acima, deste plano estariam os 
mecanismos Psico-somticos, que regem a iniciativa espontnea. Todavia., tais planos 
receberiam o seu dinamismo e a Sua orientao, por um

lado, das pulses instintivas (fome, sede, instinto sexual, etc.), por outro lado, do 
julgamento de valor moral os quais, no constituiriam, porm, entidades isoladas. Os diversos 
factores fundem-se c representam o funcionamento completo de toda a personalidade. As 
pulses, os sentimentos e as aspiraes representariam a sntese do organismo inteiro.

Baruk no considera necessrio separar os factores espirituais e os factores corporais por, 
no s-e-u, conjunto, constiturem uma

unidade e serem solidrios. Como o homem est destinado a viver em sociedade as suas atitudes 
perante os seus semelhante-,-s, os seus

julgamentos de bem, e de mal de acordo com as suas condutas constituem o [actor capital que 
d  personalidade humana o sEu carcter especfico.

Diz ainda que, embora a personalidade humana possa ser estudada como um mecanismo - conhecem-
se os centros e vias do sistema nervoso que comandam certas operaes - o homem no  um 
autmato. Ele comanda e unifica todos os mecanismos para um

objectivo determinado, para um julgamento de valor.  esse julgamento de valor que unifica a 
personalidade com vista  sua aco.

Baruk, como se observa, fundamenta toda a sua teoria no juzo moral o qual no ser uma 
funo  parte, como  concebido em filosofia, mas sim a sntese de toda a personalidade.

Encontra-se, ainda que sem o relevo ou a terminologia de Baruk, em muitos tericos da 
personalidade, ao definirem a importncia dos determinantes inconscientes ou dos 
determinantes conscientes, da influncia da hereditariedade ou do meio como

factores ou elementos explicativos do comportamento humano, referncias mais ou menos 
evidentes, mais ou menos profundas,  importncia da influncia do meio social, da cultura e 
da religio, como padres limitadores do comportamento e modeladores da personalidade do 
indivduo.

10

De facto, H. Piron sustenta que o comportamento pode realmente ser considerado como 
actividade reaccional por mudanas rpidas do meio. E que os limites do voluntrio e do 
involuntrio, isto , do comportamento sinttico susceptvel de variaes segundo as 
circunstncias e dos processos reaccionais isolado& no o pois, muito claramente 
estabelecidos. Esses limites so modificveis por educao, por aprendizagem.

A influncia social, manifestar-se-ia. por duas formas: de um

lado, transformando, e socializando verdadeiramente os comportamentos biolgicos, mesmo os 
mais elementares; por outro lado, suscitando e engendrando toda uma srie de comportamentos 
novos, especificamente sociais.

Que, de facto, a vida social modifica profundamente- a forma de actividade regida por 
tendncias orgnicas inatas  revelado, clara e insofismavelmente quando se observam .-@ 
estudam quer os ritos dos primitivos, quer os costumes dos civilizados.

Ainda segundo Piron, se os processos afectivos intervm constantemente (permanentemente) no 
conjunto da vida mental, at nas formas intelectuais mais elevadas, agindo sobre a, 
percepo, a memria e o raciocnio, aquelas em contrapartida permitem controlar e inibir os 
sentimentos e as emoes e modificar as respostas de acordo com as convenincias do 
indivduo, as imposies ou limitaes sociais.

Sustenta o mesmo autor que as difere~ fundamentais dos tipos hereditrio so muitas vezes 
insignificantes, ao lado das diferenas oriundas e resultantes do tipo de civilizao e 
cultura e que a vontade no ser uma funo mental individualizada. Implica um juzo de valor 
enunciado, sobre a conduta em toda a sua complexidade, ou seja, um juzo moral.

Freud situa, na sua teoria psicanaltica, no Super-Ego a arma moral da Personalidade, da qual 
ser o componente social. Ter essa arma como uma das funes principais, inibir e 
controlar os impulsos (do Id) cuja exteriorizao a sociedade condena.

Nas teorias culturalistas de ADLER, FROMM, HORNEY SULIVAN, vamos encontrar tambm de comum a 
relevncia dada s variveis sociais na -estrutura ou conformao da personalidade, cujas 
dimenses sociais igualariam ou ultrapassariam as dimenses biolgicas propostas por FREUD e 
JUNG.

Murray, na sua teoria personalista, confere s determinantes scio-culturais elevada 
importncia. Nela se procura demonstrar

11

que a personalidade  um compromisso entre os prprios impulsos do indivduo e as exigncias 
e os interesses dos outros. As exigncias seriam representadas colectivamente pelas 
instituies e padres culturais nos quais o indivduo est inserido.

Segundo, Murray, -entre as exigncias do, processo de socializao constaria a habilidade 
para adaptar-se a programas de vida, fazer as coisas em tempo prprio, cumprir compromissos, 
etc., etc..

o individualista Allport admite de igual modo, o papel das determinantes scio-culturais no 
estilo de comportamento e observa que a psicologia se tornar mais cientfica -capaz de 
estabelecer predies - quando poder dizer o que acontecer com o Q. I. de determinada 
criana se modificarem o seu ambiente.

Goldstein, nas constantes que atribui ao organismo, embora considerando-as inatas, admite que 
so, moldadas pela experincia e pelo treino trazendo., nas suas manifestaes concretas, 
sempre o

selo da cultura onde o indivduo foi criado.

Muitos outros exemplos se poderiam acrescentar para demonstrao das influncias exercidas no 
comportamento do indivduo pelas variveis scio-culturais-econmicas. Tais influncias 
constituem uma cadeia, que se projecta a partir do grupo familiar at  cultura de que 
depende esse grupo.

Os grupos sociais no s influenciam, como podem &terminar os ideais da criana e do 
adolescente -e at do adulto- So esses grupos ainda um poderoso meio para regular, modificar 
ou

inibir a conduta dos indivduos atravs de imposio de regras de comportamento individual ou 
colectivo.

O indivduo, ser assim, levado a aprender a inibir ou reprimir os seus sentimentos e emoes 
e a dissimular ou rejeitar os

seus intentos, por si prprio, ou em funo dos interesses ou preferncias dos outros. Se 
tais interesses e preferncias no so -arbitrrios e resultantes de dominao econmico-
poltica, mas sim a

procura do estabelecimento de leis de igualdade, humanidade e equidade, as faculdades de 
inibio e rejeio dos interesses pessoais so definidas, segundo Baruk, por conscincia 
moral.

Tal conscincia moral resultar de um julgamento interior, insuportvel perante as faltas 
cometidas. Ser um sentimento de culpabilidade comum a todos os indivduos que violam. as 
lei.& em

proveito prprio, ignorando os princpios da igualdade, Mimanidade e equidade.
12

A nvel profissional, tal sentimento  frequente e especialmente sentido pelos indivduos que 
ocupam postos para os quais ,no esto preparados, mas que a eles foram catapultados por 
oportunismo, compadrio, etc.

Resultam de tais aberraes, comportamentos radicados em

intrigas, acusaes, ardis e calnias, contra tudo e contra todos que os rodeiam, numa 
necessidade incessante de justificao de si prprios e da imoralidade das situaes.

No se ignora que, desde o nascimento, cada indivduo est sujeito a sucessivas modificaes 
do meio, as quais iro provocar transformaes que exigem um contnuo reajustamento para um 
normal desenvolvimento e adaptao, aos quais no  estranha a

predominante influncia que a experincia social exerce na organizao dos hbitos e 
instintos.

Os factores sociais tm papel relevante na formao da personalidade, a qual, definida em 
termos gerais w~ a organizao dinmica dos aspectos cognitivos, afectivos, volitivos, 
fisiolgicos e morfolgicos do indivduo, ter origem em bogagem inata e, ser moldada e 
desenvolvida por imposies do meio social j formado, com as suas crenas, costumes, 
religies, etc.

Acresce ainda que, desde muito cedo, a criana identifica as reaces de aprovao ou 
desaprovao do ~ido circundante e, a

partir desse conhecimento, vai adaptar-se ao ambiente, lutando para satisfazer os sem 
desejos.

Perante tais realidades, surge a necessidade de conexo do ensino e da educao como ambiente 
social **GAde vir a ser exercida a actividade humana. Deste moda, se a educao recebida for 
deficiente, o indivduo lutar para atingir os seus objectivos por formas que a sociedade 
reprova. Porm, se o processo educativo for adequado, o indivduo procurar igualmente 
satisfazer os sem desejos de maneira apropriada.

R da conjugao dos factores exgenos (ambiente fsico e social) e endgenos (biolgicos) que 
se modela, a personalidade e

surgem os necessrios processos de adaptao.

No desenvolvimento do indivduo, antes e durante a adolescncia, h que estar atento, a fim 
de evitar situaes que podero conduzir a processos de desadaptao da personalidade, os 
quais, invariavelmente se desenvolvem, sem que ~, educadores e os

prprios indivduos disso se apercebam. Os processos de desa13

daptao mais comuns manifestam-se por condutas agressiva ou

evasiva, fuga, criao de hbitos nervosos, insnias, dores generalizadas, etc.

Entre os tipos de conduta agressiva que requerem especial ateno h a considerar o furto, a 
vadiagem, a desobedincia, a

desconfiana, a tendncia  destruio e os acessos de clera. Na conduta evasiva, ressaltam 
os comportamentos tipo neurtico, que se traduz por timidez, reserva. o sonhar acordado, a 
fraca sociabilidade e a tendncia para se esconder. Os tiques .-m geral, a onicofagia, a 
excessiva mobilidade, o chuchar no dedo e a enurese, so os hbitos nervosos mais vulgares.

Deve, todavia, salientar-se que isoladamente nenhum dos referidos sintoma,&  ndice de sria 
desadaptao da Personalidade, apenas indicando falta de adaptao, sendo aconselhvel 
vigilncia, sem contudo esquecer que o mesmo sintoma pode t-,-r causa, bastante diferente de 
indivduo para indivduo.

As causas mais frequentes da desadaptao da personalidade so: a imaturidade do indivduo 
perante as exigncias da famlia ou da escola, a influncia do meio, a, atitude dos pais, a 
insegurana resultante da desarmonia familiar, as frequentes mudanas de residncia ou de 
escola e o cime dos irmos (sobretudo dos mais novos). O esprito competitivo estabelecido 
por certos Vam? - que fazem do xito escolar dos filhos motivo de prestgio e de vaidade 
pessoal - exigindo-lhes esforos imprprios a um salutar desenvolvimento do corpo e do 
esprito, sem procurar saber se eles tm ou no suficiente maturidade para o efeito,  
susceptvel de conduzir a desvios em relao ao normal.

Tais desvios, repetimos, imperceptveis inicialmente, podero vir a constituir srios 
obstculos  formao de uma equilibrada estrutura da personalidade, se no se procurar a 
tempo, pelos meios adequados, criar um clima afectivo-emocional que d  criana ou ao 
adolescente, a segurana e a confiana indispensvel ao desenvolvimento.

O presente trabalho no abordar em toda. a extenso, cuja dimenso no  mensurvel, a 
problemtica que nos propomos focar.

Trataremos contudo de especificar, com, a possvel preciso, os

dados recolhidos e as operaes realizadas para consecuo dos objectivos visados.

14

Tais objectivos so, em sntese, a comparao analtica dos resultados da aplicao do 
instrumento referido a:

a)  Adolescentes do ensino secundrio normal, antes de

Abril de 1974; b)  Adolescentes do ensino secundrio normal, aps o 25

de Abril d--- 1974; c)  Adolescentes delinquentes detidos em estabelecimentos

prisionais; d)  Adolescentes estudantes internos d..- Seminrio; e)  Adolescentes assistidos 
no foro neuro-psiquitrico.

Trataremos noutros captulos da natureza do Teste Tsedek, da amostra utilizada, dos 
conceitos de moral, de adolescncia normal, de perturbaes psquicas da adolescncia, da, 
vocao religiosa dos adolescentes e da adolescncia delinquente.

Noutro captulo, sero apresentados os resultados dos diversos grupos de estudo. Tentaremos, 
nesse captulo, ordenar e classificar as diferenas significativas que se nos deparam entre 
todos os grupos -3m estudo.

No ignoramos as dificuldades resultantes de to complexa problemtica abordad@t - moral, 
adolescncia, delinquncia, perturbaes psquicas e vocao. Porm, cnscios de que em 
Cincias Humanas no existem concluses definitivas nem, verdades imutveis, consideramos 
til o presente trabalho, se o mesmo desencadear divergncias e interrogaes, factores 
fundamentais para o, progresso de qualquer Cincia.

15

II

O TESTE TSEDEK E A AMOSTRA

O teste de Tsedek, da autoria de H. Baruk, data, de 1947 Como j se referiu, no captulo 
anterior, a finalidade do autor era medir por mtodos rigorosamente cientficos e objectivos 
os problemas do bem e do mal - O juzo ou julgamento moral.

Com igual, ou semelhante propsito, j anteriormente tinham sido utilizados outros testes: 
o de Discriminao tica de KHOS, em 1922; o CHARACTER EDUCA'nON INQUIRY de HARTSHORE e MAY, 
em 1928; o de TOMLIM, em 1931 e o de PIAGET, em 1932, sero, possivelmente os mais 
conhecidos.

O teste de Tsedek  constitudo pelas seguintes 15 questes, que foram seleccionadas de, 
situaes observadas na vida real, as quais, segundo perspectivas do seu autor, haviam sido 
solucionadas injustamente.

TESTE DE TSEDEK

Vamos pedir a sua opinio acerca de situaes em que pela dificuldade de deciso toda a 
gente, se pode encontrar embaraada. Geralmente as opinies diferem de uma pessoa para outra. 
Gostaramos tambm que nos desse a sua. opinio.

1.o -Num quartel foi cometido um roubo. No se conseguiu encontrar o culpado. O comandante, 
porm,

17

decide castigar um soldado em cada 10. Que pensa desta deciso?
2.1 - Numa Repartio foi cometida uma falta grave.

Desconfia-se vagamente de um empregado mas no h provas; suficientes. Aplica-se-lhe, no 
entanto, uma pesada sano com o pretexto de que  preciso dar o exemplo. Que pensa desta 
deciso?
3.o -Um homem deseja ardentemente um lugar que 

ocupado por outro. Por meio de intrigas faz com

que a pessoa que ocupa o lugar seja despedida. Que pensa desta maneira de proceder?
4.o - Dois candidatos s eleies lutam por um lugar

fazendo valer os seus mritos. Um deles inventa calnias sobre a vida pessoal   do seu 
concorrente, partindo do princpio que,  preciso, vencer o adversrio por qualquer meio. Que 
pensa desta atitude?
5.o - Um soldado apercebe-se de que um seu superior,

sob as ordens do qual est, comete, faltas no servio. Sem o avisar, vai denunci-lo ao 
comandante. Que pensa desta atitude?
6.o -Doente em cheia de frio, uma mulher jovem utiliza

um aparelho elctrico para se aquecer numa poca em que era proibido, devido  escassez de 
energia.  acusada e presa por roubo de electricidade. Qual

a sua opinio sobre este castigo?
7.,1 -Um homem sabe que um dos seus inimigos acaba

de ter um acidente e est sem assistncia. Recusa prestar-lhes socorro alegando que quer 
vingar-se. Que pensa desta atitude?
8.o - Num hospital arranjam-se dois tipos de instalaes: uma para os doentes curveis, outra 
para os

doentes incurveis. Fazem-se todas as despesas necessrias com a primeira e tem-se menos 
interesse e descuida-se a segunda. Que pensa deste critrio ?
9.o - A me de um indivduo que veio a atingir uma boa

situao social, tendo ficado s deixa-se arrastar para o descalabro moral,  acusada e 
condenada.
O filho recusa-se a visit-la e desinteressa-se dela

com o pretexto de que  culpada. Que pensa desta atitude ?

10.1 -Numa escola, uma criana ainda pouco desenvolvida no sabe defender-se das outras 
crianas que troam dela e lhe fazem partidas. Aqueles que queriam ajud-la no ousam faz-lo 
com medo de que venham tambm a troar deles. Que pensa desta atitude ?

11.o - Uma assistente social extremamente dedicada a

uma empresa, trabalha sem se preocupar com os

horrios. O regulamento desta empresa prev que todos os empregados assinem o livro de ponto 
 entrada e  salda. A assistente social, que fica muitas vezes a trabalhar para alm da hora 
da salda, esquece-s por isso com frequncia de assinar o ponto. O director despede-a por ela 
no cumprir o, regulamento. Que pensa deste director?
12.o - Um professor apresenta a exame todos os anos um

certo nmero, de, alunos. Deve dar notas sobre o aproveitamento de cada um. Classifica, no 
entanto, igualmente os bons e os maus alunos e, d a todos notas muito boas, piara ter o 
menor nmero possvel de reprovaes e para que a sua escola adquira boa reputao. Que pensa 
desta maneira de proceder ?

13.o -:P, necessrio reduzir o consumo, dei alimentos e procede-se a um racionamento do 
seguinte modo: uma boa quantidade  dada s pessoas vlidas que produzem e trabalham, e 
apenas uma pequena e insuficiente rao -s pessoas idosas que j no podem trabalhar. Que, 
pensa desta concepo de racionamento?

14.o - Um comerciante tem um. nmero limitado de certas ,mercadorias. Reserva-as por isso 
para os clientes

mais ricos e de maior influncia, porque lhe podem dar em troca outras mercadorias, ou 
prestar servios, e recusa-as impiedosamente aos outros. Que pensa disto?

19

15.o -Num perodo de racionamento, decide-se reservar uma melhor rao para os nacionais do 
pas (por exemplo para os portugueses) e desfavorecer os

estrangeiros. Que pensa desta deciso?

O autor para notao do Teste considera cinco tipos de, julgamento:

1)  Julgamento afectivo - de ordem essencialmente afectiva, consistindo numa indignao, 
imediata em relao  soluo desumana do problema.  um julgamento feito espontaneamente,, 
pela primeira impresso, que no admite que se ofenda a humanidade.

2)  Julgamento injusto - Neste julgamento o afectivo e

humano  substitudo por interesses pessoais. Ser um

julgamento egosta, cnico, em que a justia e a humanidade so ignorados.
3)  Julgamento de utilitarismo social - Neste caso a sociedade surge com expoente mximo, 
sendo, relegado ou esquecido o caso individual.

4)  Constatao do facto - verifica-se quando no se julga

a situao, limitando-se a comentar o facto sem tomar posio.
5)  Julgamento duplo -quando, se verifica em justaposio, por vezes contraditria ou 
conciliatria, na qual se condena e aceita simultaneamente, evocando-se para tal a lei, a 
necessidade, etc., absolvendo-se por um lado, admitindo-se contudo a condenao, por outro. 
Denuncia este julgamento, muitas vezes, um conflito entre o dever moral e as necessidades 
prticas.
6)  Julgamento sinttico - ser uma combinao de vrios

factores que d satisfao, simultaneamente,, s exigncias individuais e sociais, s 
aspiraes morais e s necessidades prticas. Nele se conciliam pontos de vista aparentemente 
inconciliveis, conseguindo-se conciliar a moral e a prtica. Sob o ponto de vista 
psicolgico, ser a forma mais elevada dos vrios julgamentos.

]@, piara o autor, para efeitos do seu coeficiente, considerado globalmente com o julgamento 
afectivo, o julgamento moral.

O coeficiente de TSEDEK : CT=

i.m.

JI+JD+CF

JM = Julgamento moral JI = Julgamento injusto JD = Julgamento duplo CF = Constatao de 
factos

Admite-se que um coeficiente superior  unidade. corresponde a um julgamento moral-muito 
desenvolvido, a afectividade, a uma boa formao.

O contrrio manifestar uma m formao, injusta e egosta.
O tesi  verbal e pode ser aplicado individual, colectivamente ou auto-administrado, a toda 
a classe de indivduos.

Ao resolvermos utilizar o teste TSEDEK surgiu-nos a dvida se o mesmo, seria de facto, um 
teste.

Sob o ponto de vista psicomtrico, as qualidades de um teste so: A Fidelidade, a 
Sensibilidade, e a Validade, baseando-se esta em dois critrios: Objectivo e Subjectivo.

A Validade  a qualidade! que faz com que um teste mea aquilo que se pretende medir.

No critrio objectivo pode ainda considerar-se:

a) Critrio objectivo de produto - admita-se que se constri um teste! para medir ou avaliar 
ia aptido a velocidade dactilogrfica. Um certo nmero de indivduos ser sujeito ao, teste. 
Conta-se o nmero de palavras dactilografadas, por cada indivduo, em determinado tempo, 
dado. O nmero de palavras ser o critrio objectivo do produto. A correlao entre o 
resultado do teste e. o, nmero de palavras ser um ndice numrico de validade do teste.

b) Critrio objectivo de aco - Quando a actividade do indivduo no, deixa prever produto 
mensurvel, utiliza-se como critrio uma medida dessa mesma actividade.

Critrio subjectivo -  infelizmente, e apesar das suas caractersticas defeituosas, muito 
utilizado.

21

Invariavelmente, a definio. do comportamento ou de um trao de personalidade, peca por 
falta de objectividade. Acresce, que os

aspectos referidos so, apreciados a partir do julgamento subjectivo de um observador. Como  
bvio, o julgamento difere de, observador para, observador, porquanto cada um deles temo seu 
prprio modo de sentir, o, que torna pouco segura tal validade.

Este pressuposto,  importante para se compreender a nossa

posio perante o chamado teste TSEDEK, em relao ao, qual, vrios autores acentuam as 
divergncias na notao de protocolos, efectuada por pessoas diferentes, ainda que de 
reconhecida competncia e formao tcnico-profissional, devido  subjectividade que as 
caractersticas intrnsecas do teste permitem projectar.

De facto, tais caractersticas no permitem determinar a fidelidade., por qualquer dos 
processos mais utilizados. A fidelidade,  a qualidade que permite que uma mesma prova 
aplicada duas vezes seguidas, ao, mesmo indivduo, d resultado idntico ei depende de 
inmeros factores (Symonds, enumerou 22!).

Os testes de personalidade, e de natureza afim, apresentam uma fidelidade muito inferior aos 
testes de inteligncia e aptido.

Apesar das dificuldades inegveis de estabelecer limites de separao,, existem actualmente 
provas de personalidade que permitem a obteno de resultados quantitativos e o seu 
consequente tratamento estatstico.

No visamos, como  bvio, neste trabalho qualquer tipo de validao, mas to s o estudo 
comparativo dos resultados obtidos pelos grupos de adolescentes que constituem a nossa 
amostra.

Impe-se, todavia, que registemos as determinantes justificativas da escolha do teste 
TSEDEK como instrumento bsico do nosso trabalho.

Como j se disse! o teste surgiu em 1947, no aps guerra, momento, em que a sociedade ainda 
se debatia com os grandes e

extensos problemas herdados do conflito.

No, se ignoram os problemas econmico-sociais, em geral, e

todas as suas consequncias: a orfandade, o desemprego, a falta de habitao, os -deslocados, 
as carncias alimentares e, sobretudo,
* infncia e a adolescncia abandonadas a si prprias e foradas
* uma vida desorganizada.

No nosso caso, no momento em que comemos a trabalhar com o teste, a situao no tinha o 
dramatismo e a misria do aps guerra. Existia contudo um grave problema que afligia os

22

pais e se projectava fortemente nos adolescentes: a guerra colonial ou as guerras coloniais. 
No se ignora o nmero de refractrios e desertores verificado nesse perodo.

Poder-se-o admitir muitas dessas situaes como resultantes de oportunismos e no de 
princpios morais ou ideolgicos. De qualquer forma a situao existia e a mobilizao dos 
jovens era uma realidade.

Posteriormente, com o 25 de Abril de 1974, a situao alterou-se profundamente. A liberdade 
incontrolada foi uni facto. Os excessos e abusos, outro. As modificaes foram demasiado 
rpidas e bruscas piara permitir uma normal adaptao do adulto e a

necessria preparao do adolescente para a nova vida que parecia despontar. Os desalojados, 
o, desemprego, a droga e a prostituio, constituem uma constante com afinidades, embora de 
dimenso diferente, com o aps guerra.

As dificuldades anteriores transformaram-se noutras dificuldades, extremaram-se posies e as 
dificuldades do aps guerra, actualizadas, adaptadas, e dimensionadas ao nosso meio, no se 
fizeram esperar.

O aumento do, custo de vida, o desemprego e a desorganizao do ensino, so problemas que 
consciente ou inconscientemente, atingem a criana e o adolescente.

Estas, em sntese, algumas das razes de utilizao do teste- antes e depois do 25 de Abril 
de 1974. Acresce que existem vrias experincias em pases latinos -Frana, Espanha, Itlia e 
Portugal - que permitiro operaes comparativas, se necessrio.

Poder-se@ argumentar que os resultados obtidos, resultantes de situaes tericas, sero 
necessariamente resultados tericos baseados em perguntas padro e que no traduziro, nem 
garantiro, na, prtica, os comportamentos reais, correspondentes s situaes tericas 
expostas. Sem negar tal assero temos contudo a possibilidade de avaliar e comparar o grau 
de noo de responsabilidade do indivduo perante o julgamento de uma situao e o seu 
comporta~to na vida real.

O presente estudo abrange 700 indivduos assim distribudos:

100 indivduos do sexo masculino, frequentando o 3.O ciclo

liceal, testados antes de 1974, com o nvel etrio mdio de 16,4;

23

100  indivduos do sexo feminino, frequentando o 3.1> ciclo liceal, testados antes de 1974, 
com o nvel etrio mdio de 16,2;
100  indivduos do sexo masculino, delinquentes, detidos,

testados antes de 1974, com o nvel mdio etrio de de 18,6 e escolaridade :-- na classe de 
Instruo primria;
100  indivduos do sexo masculino, estudantes de Seminrios Catlicos, testados antes de 
1974, com frequncia ou equivalncia do 3.O ciclo liceal, com o nvel nvel etrio mdio de 
17,8;
50 indivduos de sexo masculino, assistidos pelo foro

neuro-psiquitrico, testado antes de 1974, com a frequncia mdia aproximada do 2.O ciclo 
liceal e o nvel etrio mdio de 18,6;
50 indivduos ido sexo feminino, assistidos pelo foro

neuro-psiquitrico, testados antes de 1974, com a frequncia escolar: Liceu, Instruo 
primria e Universitria, e: nvel etrio mdio de 19,8;
100  indivduos de sexo masculino, estudantes do 3.<> ciclo

liceal, testados aps 1974, com o nvel etrio mdio de 17,4;
100  indivduos do sexo feminino, estudantes do 3.O ciclo

liceal, testados aps 1974, com o nvel etrio mdio de 16,8.

Os grupos dos estudantes liceais poder-se-o considerar grupos de controle,antes de 1974, 
de todos os restantes e aps 1974, entre si.

As aplicaes foram colectivas, com excepo dos grupos do foro neuro-psiquitrico e dos 
delinquentes. Todos os protocolos foram corrigidos pelo autor, para manuteno & um possvel 
critrio homogneo.

A fim de diminuir a projeco do observador, classificaram-se as respostas somente nos 
seguintes grupos:

1) Julgamento Moral - Desaprovao da situao;
2) Julgamento Injusto - Aprovao, da situao;
3) Julgamento, Duplo -As que, admitindo, por um lado

as situaes, por outro as condenavam, sem tomar uma posio definida;

224

4) No Compreendidas - Aquelas cujas respostas no se

relacionam com as questes postas, ou que no foram respondidas.

Consideramos que so a observao mensurvel e o trabalho que permitem repetio, que 
possibilitam a manipulao experimental que garantem a objectividade. Tal no impede, 
contudo, que aceitemos que pesquisa psicolgica no seja necessariamente estatstica e que a 
observao qualitativa seja imprescindvel em determinados estdios de qualquer cincia.

Defendemos, porm, que s a observao cuidadosa, controlada, susceptvel de repetio e 
traduzvel em expresses numricas quantitativas e comparativas ser cincia. A ausncia 
destes requisitos no ser cincia, ser academismo.

Relativamente  avaliao do, juzo moral, no  de admitir que a mesma se possa atingir com 
uma simples introspeco, no dirigida, provocada ou forada cientificamente, para colocar os

indivduos em igualdade de circunstncias.

O instrumento que utilizmos, com as carncias psicomtricas assinaladas, ser um 
questionrio, inqurito ou inventrio, como se pretenda, que no visa ocupar o lugar dos 
testes de aptides ou

de personalidade, na sua verdadeira acepo. Permite, todavia, atravs das situaes 
equacionadas, criar estmulos que geram criticas, tomadas de posio ou juzos 
interpretveis, sem os inconvenientes das respostas de sim e no, mais fceis de 
quantificar, mas no fornecendo elementos. que permitam. avaliar a maior ou menor intensidade 
da carga afectiva, sociabilidade, adaptao, etc.

A funo dos testes psicolgicos ser medir diferenas entre indivduos ou entre reaces do 
mesmo indivduo em ocasies diferentes.

Um teste psicolgico dever ser, fundamentalmente, uma medida objectiva e padronizada, de uma 
amostra de comportamento.
O seu valor de predio ou diagnstico depende do grau em que sirva de indicador de uma rea 
significativa do comportamento.

Como j acentumos as qualidades metrolgicas do teste TSEDEK, so inconsistentes e a sua 
padronizao difcil. Assim, os resultados que apresentamos sob forma de quadros e grficos 
noutro capitulo, em termos percentuais, foram obtidos apontando basicamente o tipo de 
resposta resultante da maior ou menor inten25

sidade de carga afectiva perante os estmulos constitudos pelas
15 situaes do teste.

, consequentemente, na perspectiva exposta que se apresentam os resultados obtidos e as 
correspondentes comparaes inter-grupos.

Antes, porm e com o objectivo nico de facilitar a consulta, a interpretao ,dos dados 
numricos e dos grficos que aliceram este trabalho e das concluses que dos mesmos 
resultarem, parece-nos conveniente e oportuno abordar alguns aspectos relacionados com ia 
problemtica da amostra em estudo.

Como j dissemos, a amostra  constituda exclusivamente por adolescentes e o instrumento de 
estudo utilizado  um teste de julgamento ou juzo moral.

No se tratando somente de adolescentes cuja situao  considerada normal, mas tambm de 
adolescentes detidos em estabelecimento prisional, assistidos ou internados em clnica 
psiquitrica e internados em estabelecimento@ de ensino religioso, no nos parece inslito 
abordar a temtica inerente a tais situaes.

Ser irrelevante afirmar que as variveis em causa so excessivamente complexas e extensas 
para terem o devido tratamento em trabalho desta natureza. Tal tratamento est reunido em 
tratados especializados com a profundidade e extenso merecidas.

O facto, atendendo aos nossos objectivos, no  razo suficiente para que, ainda que com as 
limitaes expostas, no apresentemos alguns apontamentos versando: A Moral, A Adolescncia, 
Algumas perturbaes da Adolescncia, Adolescncia e Vocao e, Adolescncia e delinquncia.

Penitenciando-nos desde j, no s por no darmos ao problema a dimenso que ele merece, mas 
tambm por em alguns momentos entrarmos em domnios no especficos da nossa actividade. 
Justificamos o facto parafraseando JEAN DOLENT: Escrevo no para ensinar, mas sim para 
instruir-me.

11:1

FILOSOFIA MORAL - TICA (Apontamentos histricos)

* To Zook back to antiquity is one thing;

to go back to it is another.

C. C. COLTON

* (Olhar para trs, para a Antiguidade,  uma coisa, marchar para ela  outra).

IIII

FILOSOFIA MORAL - TICA

(Apontamentos histricos)

Um breve folhear do passado mostra-nos, com uma clara evidncia, que tudo o que actualmente 
se diz, j foi dito, mas s concretizado em nfima parte.

Sem veleidades de filsofo ou de historiador, vamos referir ligeiros apontamentos e algumas 
doutrinas antigas.

a)  Antes de Cristo, no Oriente, eram ensinadas algumas
mximas morais, sem qualquer carcter filosfico. Na China, Confcio (551-479) escreveu-as e 
publicou-as para instruo, e orientao do povo. Na Grcia Antiga com Pitgoras e Herclito, 
verificou-se o mesmo. b) Scrates (470-399) na Grcia, expe a sua doutrina
como existindo Deus e sua providncia que tudo governaria. Ao homem competiria uma conduta 
digna, conhecer o bem e pratic-lo; o meio mais adequado para tal seria adquirir a sabedoria 
e a prudncia, mes de todas as virtudes, nas quais se encontra a felicidade verdadeira. c) 
Antstenes apresentar a doutrina de Scrates, com interpretao duvidosa. Para ele, e seus 
discpulos Digenes e Crates-, a sabedoria no s consiste no conhecimento doentendimento, 
mas tambm na rectido da vontade. S a virtude ser boa e s o vcio ser mau. As restantes 
coisas so indiferentes, pelo que o
29

homem virtuoso se deve abster de todos os bens de fortuna e de todas as honras e prazeres. O 
saber e as cincias especulativas devem ser pouco considerados. d)  Plato entende que o fim 
do homem, a sua perfeita
felicidade, consiste em assemelhar-se a Deus, contemplando as ideias. As virtudes principais 
seriam quatro: prudncia, justia, fora, temperana ou moderao. A primeira consistiria no 
conhecimento do ltimo fim e dos meios conducentes ao mesmo. A segunda, a justia, no se 
lirnitariaa dar a cada um o seu direito, mas proporcionar-lhe a actividade que lhe 
correspondesse exercer para atingir o fim proposto. A fora seria o instrumento encarregado 
da consecuo prtica do objectivo proposto. A temperana seria o freio para conter o 
irracional e o conspcuo.

Na organizao da sua Repblica, o princpio fundamental, era a no sujeio da lei a nenhuma 
classe. Nessa Repblica, tudo seria comum, pois desaparecem at os interesses familiares e 
tudo deve sacrificar-se em benefcio da Repblica. A sociedade seria uma imagem do indivduo 
pelo que se lhe chama pessoa jurdica. e) Aristteles funda a sua doutrina no princpio de: 
que

a tica  a Filosofia dos, Actos Humanos. Divide -1 tica em Monstica, Econmica e Poltica.

A Monstica evidencia a necessidade do, fim, ltimo, que  a felicidade. A prtica da 
virtude, ou a contemplao da verdade, seria a mais sublime, e divina operao que existe no 
homem.

Explica que a felicidade, na qual as riquezas e o

prazer constituiriam factores secundrios, pode ser conseguida. nesta vida por meio da 
virtude. As virtudes seriam certas disposies que levariam o homem a conseguir a justa opo 
entre tendncias opostas. Estuda largamente as virtudes morais, debruando-se sobretudo na 
amizade o fundamento da famlia e da Sociedade.

Na Econmica, afirma que o homem  um ser socivel pois necessita dos outros. A sociedade 
conjugal ordenada, a procriao e a educao da prole, seria estvel e indissolvel, a 
comunidade de mulheres

absurda, e os adultrios e relaes sexuais fora do esquema proposto, castigados. Completaria 
a sociedade conjugal, a de senhores e escravos, tambm natural e justificada pela 
desigualdade de foras fsicas e intelectuais. A relao nesta sociedade deveria ser amistosa 
e til a escravos e senhores.  A Poltica rejeita a teoria de Plato, que alguns autores 
consideram comunista, entendendo que o fim do Estado.  a realizao completa da felicidade 
dos indivduos, sendo a sociedade civil to natural como o apetite da felicidade.

Entende Aristteles que todo o Estado supe um

governo, cujas formas seriam seis. Trs legtimas: Monarquia, Aristocracia e Repblica. Trs 
anti-naturais: Tirania, Oligarquia e Democracia.

Detm-se@ ainda sobre as formas de governo mais adequadas a cada povo. Admite a harmonia das 
leis com os costumes, a boa administrao por parte dos governantes. A preponderncia da 
classe mdia sobre os magnates e os proletrios, e, considera absurda a

teoria comunista de Plato. Epicuro propaga que o fim do homem ou a felicidade perfeita, 
consiste na ausncia de, dor e abundncia, de prazer. Os prazeres do esprito para Epicuro, 
so mais perfeitos que os do corpo. A virtude consistiria em

saber eleger os prazeres que devemos procurar. g)  Estoicismo no define uma teoria clara, 
podendo resumir-se que o seu objectivo  fazer o homem sbio e virtuoso.. A. sabedoria 
situada ao mesmo nvel da virtude, tornaria o homem feliz, proporcionando-lhe riquezas, 
autoridade, poesia e formosura.

A virtude consistiria em conformar os actos com a natureza racional. A virtude e o vcio 
seriam indivisveis, sendo todos os vcios e pecados iguais.

O Adiforo (indiferente) seria o que no est de acordo nem completamente em desacordo com a 
natureza racional (por exemplo: os prazeres).

Na Apatia as paixes so consideradas positivamente nocivas; pelo que o sbio deve ignor-
las, para atingir a apatia.

31

Se o **est~mo eleva o homem, limita-lhe contudo a liberdade, a vontade e a espiritualidade. 
h)  Os Republicanos - entre os romanos (Cicero), no foi fundado qualquer sistema moral. 
Seguiram os fil~os gregos, no que se admitiu ser mais racional.

A moralidade no dependeria das, opinies dos homens. Consistiria na conformidade das aces 
com a

natureza racional do homem. A lei dada pelos deuses  o fundamento da lei natural que no se 
aprende dos homens. Em poltica,  dada preferncia  combinao das formas **~les de 
governo.

i) Depois de Cristo surge a Filosofia Moral, guarnecida

dos conceitos da doutrina Crist, em que sobressai:

1 - A existncia da lei natural como norma objectiva, e a conscincia como norma subjectiva 
de, moral das nossas aces.
2 - Existncia da moral anterior a todas as leis

humanas.
3 - Santo Agostinho defende, a existncia da felicidade perfeita.

Condena a moral individual, a mentira, e defende o direito de propriedade.

Na moral social, defende a emancipao da mulher e dos escravos.
4 - So Toms de Aquino desenvolveu a Filosofia

Moral, comentando e considerando falsas e inexactas as solues e teorias de Aristteles.

No vamos, por j estar extenso este bosquejo, histrico, falar em S. Justino, S. Clemente, 
Orgenes, S. Cipriano e tantos outros. Tambm, no falamos na Reforma (sc. XVI a XVIII), na 
tica dos protestantes, na escola escocesa, em Rant. etc.. etc

Do que foi exposto nesta digresso pelo tempo, encontram os

interessados justificao, para defenderem todas as ideias e ideais, devendo, contudo, no 
ignorar a poca em que vivem.

Encontra-seno que registou justificaes para sistemas polticos de toda a ordem. Desde a 
Ditadura dos poderosos, passando pela Democracia, pelo Centrismo Direitista ou Social 
Democrata,

32

Socialismo em Liberdade, Socialismo, at Plato, que nos faz recuar mais de 2000 anos, e 
meditar com preocupao no Mundo actual.

Alis, desde o sculo XVIII, que os filsofos pretendem fundar a moral em princpios mais 
slidos que os, da pura razo. Procuram uma moral solidria com as leis que regem todo o, 
Organismo, Indivduo ou Sociedade. A multiplicidade dos sistemas, no diminuiu.

A moral seguida por certos socilogos contemporneos, no deveria ser um apndice de factos 
psquicos ou biolgicos, mas uma disciplina independente; a C~a positiva dos factos morais. 
Seria necessrio estudar os factos morais nas suas manifestaes exteriores, descrever, 
analisar, explicar por leis lesses fenmenos que se designam por costumes, ou sociologia 
moral como concebem DURKHEIM, M. levi, e outros.

A grande interrogao, para no nos alongarmos mais neste capitulo,  saber se haver um 
problema moral caracterstico do nosso tempo. Cada poca histrica tem os seus problemas 
especficos. O problema moral pode ser comum a todos os tempos, mas ser comum a todos os 
homens? E. FROMM entendo que sim. M. MEAD, com os seus estudos na Samoa, demonstra-nos o 
contrrio. O que se impe  compreender toda a problemtica enunciada, tendo em vista a 
globalidade humana.

O problema, sob os aspectos, humanos,  de, importncia psicolgica transcendente. Segundo 
FROMM, a fora e, a razo existem em planos diferentes, e a primeira no pode jamais revogar 
a verdade.

No se pode ignorar que as ideias e a verdade no existem fora e independentemente do homem, 
que no entanto no se pode libertar das influncias e condies da sua existncia, material e 
social.

Na verdade, costumes e instituies to velhas como, a histria humana, desaparecem to 
rapidamente como se fossem hbitos superficiais recentemente adquiridos e fceis de esquecer.

Se reformar  uma constante, a adaptao do homem aos novos

conceitos no  fcil e, por vezes, no  voluntria.  preciso, e

necessrio, imp-la. Tal situao afecta-o e as operaes de juzo crtico paralizam-se.

Tal efeito paralizante gera a submisso,, da qual resulta no se

ouvir, por estar submetido s vozes do, poder que o anestesiam e conduzem para a falsa 
liberdade; que o opem aos seus prprios interesses em desacordo com as leis que regem a sua 
existncia.

Acontece, com frequncia, aos indivduos que vivem sob o domnio de ditaduras autoritrias, 
mas acontece tambm aos que pensam ter alcanado (demasiado depressa) a liberdade da 
democracia contempornea, com todas as promessas de liberdade, igualdade * bem, que no passa 
de uma esperana que  frustrante, quando * conscincia revela que o ditador ou a, burocracia 
foram substitudos pelo, poder do mercado, da opinio pblica e de uma nova mquina que no 
modificou a nossa situao.

Terminamos este capitulo ainda com:

a)  E. FROmm  Nem o bem nem o mal so automticos

ou pr-estabelecidos. A deciso depende do homem e da sua capacidade de tomar sobre os ombros 
a responsabilidade de si mesmo, da sua vida e da sua felicidade; da sua determinao de 
enfrentar o seu problema moral e o problema moral da sociedade.,-; da coragem de ser ele 
mesmo e para si mesmo. 

b)  M. MEAD A vida no Samoa  caZma, casual e carente

de paixes intensas. Ningum luta por ideais nem sofre por convices. No se estimula os 
dotados e -se indulgente com os diminudos. A organizao familiar  c~ de convenincia e 
no envolve emoes nem **Icaldade profunda. ( ... ) A sociedade samoana  homognea e d 
poucos indcios de alteraes sociais. Nas relaes interpessoais as insinuaes so menos 
ambguas. O cdigo moral  s um. As restries so poucas ... .

No faamos excurses  Samoa, para no lhes despertarmos os apetites da nossa civilizao, 
mas procuremos adoptar alguns dos seus princpios primitivos na relao com os nossos 
jovens.

iv

MORAL - GENEEALIDADES

* La moral no se 4impone a Ias naciones

con las leyes. Se les infunde con el ejemplo.

LEOPOLDO CUETO

* (A moral no se impe s naes com leis. Transmite-se com o exemplo).

IV

MORAL - GENERALIDADES

1 - Na actualidade a moral geral, a moral social e os prprios conceitos tericos de moral, 
no diferem daqueles cujas doutrinas sumariamente registamos no captulo anterior.

Os interesses materiais, a vaidade, o poder, a incompetncia, o luxo, a falta de respeito 
pelos outros e por si prprios, tm encaminhado os homens e as sociedades para uma concepo 
estranha da moral.

 moral, para o poltico na oposio, criticar, acusar, humilhar, etc., o que est no poder. 
Todavia, ser imoral e condenvel quando a situao se inverte e so usados os mesmos 
processos.

 moral, para o industrial ou para o comerciante, sonegarem os produtos, elevarem os preos 
ou adulterarem os gneros, quando em benefcio pessoal ou de determinado grupo.

 imoral a vtima de tais situaes reagir pelos meios ao seu

alcance para se opor a tal estado de coisas.

 moral o patronato individual ou colectivo enriquecer  custa do sacrifcio dos grandes 
grupos.  imoral esses grupos reivindicarem parte dessa riqueza por eles construda.  
moral que s classes priveligiadas seja assegurado o ensino, habitao, sade, alimentao, 
higiene, etc.  imoral se o desprotegido descalo, roto e faminto procurar e reclamar o 
mnimo necessrio  sua subsistncia e sobrevivncia.

 moral a utilizao de transportes pagos pelo povo, pelos agentes do poder. n contudo imoral 
se um necessitado utiliza um transporte pblico sem bilhete nem dinheiro para o adquirir.

87

O que  afinal a moral? Na prtica, na voz do povo, moral  a faculdade que os que legislam, 
dirigem e detm a fora se arrogam de praticar certos actos, cujo conhecimento e punio no 
so possveis pela proteco dada pelas situaes que disfrutam.

Em contra-partida, as autoridades civis, militares e religiosas (quando instrumento ao 
servio do poder) probem e punem por imorais actos da mesma natureza, da mesma dimenso, 
quando praticados pelos no protegidos, pessoal ou politicamente.

A vida social  uma adaptao dos sentimentos do homem ao

meio que o rodeia. A variao desses sentimentos no  contudo to rpida como as 
transformaes resultantes do progresso continuo da cincia e da tcnica.

As modificaes muito rpidas do meio exterior, tornam difcil a adaptao. Da resulta 
invariavelmente uma mal estar geral, exageros e incompreenses que no passam de repetio de 
acontecimentos j registados na histria, mas que a memria dos homens teima em omitir.

Actualmente os fenmenos scio-poltico-econmicos no diferem dos precedentes. As 
rivalidades, as lutas e as paixes, mantm-se.

A diferena essencial, real, assenta na dissemelhana dos factores radicados na evoluo dos 
povos.

A moral, neste contexto, ter que ter um fundo varivel de acordo com os interesses 
dominantes.

Nestes termos, sendo o meio, como j se disse, o factor mais importante na formao da 
personalidade da criana e do adolescente, que conduta moral poder o adulto exigir ao 
adolescente?

2 - Como ficou expresso anteriormente, falar de moral obriga a situarmo-nos scio-politica e 
geograficamente, para que os respectivos conceitos tenham algum sentido.

Moral, numa definio simplista, ser o conjunto de regras que rege uma sociedade.

Ser aplicvel no que concerne ao julgamento do bem e do mal (sempre relativos consoante o 
ngulo em que nos situamos!) em relao com a conduta do indivduo. Paralelamente a um tipo 
de actividade psicolgica, envolve uma forma especial, limitada

a um julgamento de valor, a uma escolha, a uma orientao.

Ser no mbito deste sentido restrito que se traduz em geral a moral, a conscincia moral, a 
conduta moral, etc.

Mas se tal conjunto de regras constitui uma obrigao a cumprir, na realidade o seu 
cumprimento ou julgamento do seu cumprimento,  varivel, consoante os interesses e 
convenincias, de natureza vria, dos dirigentes, mentores, juzes, etc., da sociedade a que 
respeitam.

Da parcialidade dos que dirigem, julgam e punem, resultam, obviamente reaces activas ou 
passivas que se vo dilatando at ao limite da ignorncia dos mais elementares preceitos da 
moral e dignidade humanas.

So os adolescentes, em razo do fenmeno evolutivo da sua fase psicogentica, os mais 
afectados pela falta de equilbrio, pelas contradies e manhas dos adultos, as quais os 
adolescentes registam, no perdoam e os levam a actuar de forma oposta aos interesses dos 
adultos.

Na nossa experincia como professor, psiclogo e investigador tem sido uma constante a 
relao com adolescentes de todos os quadrantes econmicos, sociais, polticos e religiosos.

Em todos eles, sem excepo, encontramos sempre uma leal colaborao, desejo de serem 
esclarecidos, apurado sentido de justia e justeza na critica aos adultos.

Nunca tivemos problemas ou dificuldades com adolescentes. Compreendemo-los; eles compreendem-
nos. Ns pensamos ser justos, embora por vezes desagradveis; eles aceitam a situao e, aps 
esclarecidos, colaboram e voltam com frequncia  nossa presena, expondo as suas dvidas e 
preocupaes, por encontrarem apoio critico, equilbrio e justeza na apreciao das questes 
que pem.

O adolescente no admite ser ludibriado. Aceita dificilmente professores incompetentes ou 
injustos. Rejeita disciplina imposta sem preparao e esclarecimentos justos e prvios. 
Aceita a disciplina se confia no adulto, se lhe reconhece honestidade!

Eduque-se o adulto e o adolescente ser, na altura prpria, um adulto integro.

A moral, a educao, a economia, assentam fundamentalmente nos pressupostos da poltica 
dominante. Assim  varivel em funo das decises ou interesses de um, ou de um pequeno 
grupo de indivduos, que procuram satisfazer as suas ideias ou os seus ideais de 
ocasio, ou no, indiferentes s preocupaes, necessidades ou ideais da maioria. Isto  a 
moral para os outros! A moral na generalidade,  fenmeno de complexidade e prtica difceis.

39

3 -Os factores morais - so revelados pela observao objectiva ou subjectiva dos grupos 
sociais, a qual se situa, em sntese, na ideia mais ou menos definida do Bem e do Mal.

O Bem Moral, no significa aqui o mesmo que til. O til pode consistir no alcanar de certas 
situaes, livrar-se de outras, mas ser moralmente insignificativo.

O Bem surge como obrigatrio, sem condies, sem ter como meta quaisquer vantagens ou fugas 
s desvantagens que da sua prtica possam advir.  ideia de Bem esto ligados os julgamentos 
acerca do valor dos nossos actos. As tendncias surgiro ligadas  benevolncia para com os 
outros. Os hbitos a disciplina e a vontade so outros factores a considerar.  este conjunto 
de factos da conscincia que constitui a chamada conscincia moral.

No vamos, por a natureza do presente trabalho no ser o local apropriado, analisar certas 
regras obrigatrias existentes em diversos grupos sociais tais como os relativos ao 
casamento, aos problemas sexuais,  morte,  natureza dos contactos, ao respeito pela vida 
humana, aos deveres domsticos e profissionais, etc. Isto levar-nos-ia a estudar a moral 
chinesa, a moral religiosa, etc., etc., das quais j deixamos algumas notas.

Nas sociedades relativamente estveis, de fortes tradies, o

indivduo ser modelado pelas crena e hbitos reinantes. O dever surge-lhe claro e a 
reflexo intil.

As transformaes observadas e outras que se adivinham, alteraram tal equilbrio. s antigas 
tradies opem-se novas aspiraes. Os conflitos resultantes desta dinmica tm a sua 
ressonncia na conscincia de cada um.

Surgem situaes complexas e dilemticas: ser de defender a concepo tradicional da famlia 
e do casamento ou admitir a liberdade dos seus membros?

Ser abraar os princpios tradicionais de ptria e de patriotismo ou os de internacionalismo 
e universalismo?

Nestas dvidas que os polticos exploram, defendem, propagam e pretendem justificar a seu 
modo, gera-se um conceito moral flutuante ou eventual ou mesmo diversas morais, consoante os 
grupos e interesses.

Formar, educar e verticalizar nestas condies, por maior optimismo que pretendamos ter, 
afigura-se-nos impossvel.

Se o homem  imperfeito mas tem ao seu alcance seres que o possam aperfeioar est perante o 
Bem. Se pelo contrrio os exem

40

plos que recebe so falsos, contraditrios, demaggicos e interesseiros, o Mal estar 
presente.

As sociedades contemporneas com os seus conflitos so de extrema complexidade. No admira 
que hoje a criana e o adolescente sejam atingidos, em larga proporo, por perturbaes 
psquicas, anteriormente s vulgares no adulto.

A sociedade actual compreende concepes diversas que exigem disposies diferentes. As 
contradies entre os princpios da responsabilidade individual na vida civil; a disciplina e 
obedincia passiva na funo militar; a submisso do trabalhador  disciplina do trabalho, 
no so harmonisveis com o esprito crtico que certos regimes polticos pretendem 
demonstrar existir e cultivar.

A prtica, a vida, obriga-nos no s a pr problemas morais, mas tambm casos de conscincia. 
A resoluo de tais problemas tem, obrigatoriamente, que se movimentar entre a noo de 
direito e de dever, para determinar uma concepo geral da vida moral.

4 -Os mtodos religiosos para a resoluo dos problemas morais (j enunciados anteriormente), 
na prtica no correspondem aos pressupostos tericos.

Uma coisa  observar o que se faz, diz, pensa ou se fez. Outra,  demonstrar o que deveria 
ser feito, pensado ou dito.

O dever e o bem so ideais. O importante  a realidade,  a sua prtica.

S. Toms dizia que a felicidade se obtm com actos e foras intelectivas e no sensitivas e 
que a mesma reside em Deus.

Em oposio afirma-se: a felicidade perfeita  fim do homem e no da alma; logo todo o homem 
a h-de alcanar.

Kant exprime nitidamente o carcter ideal da moral. Para ele a moral s consiste na 
obedincia ao imperativo categrico. O objectivo do direito  harmonizar a prpria liberdade 
com a liberdade dos outros.

Alis, Fichte entende que o direito deve separar-se da moral, atendendo a que o direito tem 
por objecto as aces externas e a moral as internas. A norma da moral consistiria no 
progresso indefinido para a consecuo da liberdade perfeita. Desta forma se desenvolveria o 
Eu emprico, at chegar ao Eu absoluto, fonte de toda a perfeio.

A moral ser uma cincia normativa. No se exprime como as leis enumeradas nas cincias 
propriamente ditas - relaes exis-

41

tentes entre os factos - mas regras que devem ser aplicadas, realizadas em factos. No 
julgamento de facto ou de realidade, mas sim julgamento de valor.

O esforo dos filsofos no atingiu os objectivos para construo do edifcio da moral. As 
contradies e as contestaes mantm-se. A igualdade entre os homens continua a ser 
altamente contestada e parece que quanto mais se fala nela menos se pretende adapt-la  vida 
real.

5 -0 julgamento do sentimento do bem e do mal, do justo e do injusto ser segundo Baruk a 
conscincia moral.

O Bem pode distinguir-se em bem natural e bem moral. O bem natural ser o bem fsico ou o bem 
sensvel, o bem estar. Para Aristteles o bem de um ser  o seu fim ou o seu acto. O prazer 
no constitui o bem mas acompanha-o.

O bem moral  a boa aco, ou a virtude. Nas doutrinas de Kant, com outras que admitem um 
livre arbtrio verdadeiro e uma verdadeira responsabilidade moral, o bem e o mal moral 
identificam-se como o mrito e o demrito. Nas doutrinas que negam o livre arbtrio (Plato, 
Leibniz) o bem moral s pode ser a dignidade pessoal do agente, ou o valor do indivduo para 
a sociedade.

Ser, em sntese, a conscincia moral, o discernimento de um bem e de um mal, e no uma 
faculdade especial, como leva a crer a linguagem metafsica, e um conjunto muito complexo de 
tendncias, sentimentos, ideias, etc. em que  necessrio distinguir a parte inata da 
adquirida.

A psicologia contempornea admite a existncia no homem de tendncias sociais primitivas.

Rousseau, tambm entendia a conscincia como uma espcie de sentido moral, inato, que nos 
formaria a conscincia do bem e do mal.

Dizem os socilogos embora a realidade mostre com indesmentvel evidncia o contrrio que a 
vida em sociedade obrigou os

homens a seguirem as suas tendncias egostas e a desenvolver o germe do altrusmo, e que o 
desenvolvimento do altrusmo  condio de vida em sociedade.

Este altrusmo s visvel pelos socilogos, deve consubstanciar-se no bodo do Natal aos 
famintos, na consolao de que  dos pobres o reino dos Cus, etc., porquanto defender a 
igualdade entre os homens  blasfmia, ainda sujeita a condenaes, torturas, etc.,

utilizando-se para tal mtodos que no so os da inquisio, por a sociedade de consumo impor 
a utilizao dos seus instrumentos tcnicos modernos.

Voltando aos socilogos os quais fazem justia de acreditar na sociedade entendem eles que o 
progresso da conscincia moral  um fenmeno da adaptao da espcie humana ao meio social.

- Parece que o meio social - espcie humana so naturezas diferentes embora conciliveis na 
medida dos interesses e foras dominantes.

Fixam-se leis que regem a conscincia moral sugerem-se regras universais e submetem-se ao 
controlo da reflexo e da razo.

Para Durkheim, e muitos socilogos, a conscincia individual  simplesmente uma expresso 
particular, um reflexo de conscincia colectiva.

Neste tema est encerrado um longo contedo de conceitos, como Dever, Sano, 
Responsabilidade, Justia, Caridade, Organizao Politica, Econmica, etc..

Remetem-se os nossos possveis leitores para a bibliografia especializada, desde que queiram 
aprofundar os respectivos temas, certos j, de que quando chegarem ao ltimo tero que voltar 
ao

primeiro, porquanto os conceitos tericos no satisfazem as dvidas que nos so postas pelo 
quotidiano.

43

v

ALGUMAS TEORIAS DA ADOLESCNCIA

* Les ides gnrales et abstraites sont la source des plus grandes erreurs des hommes.

ROUSSEAU

* (As ideias gerais e abstractas so a fonte dos maiores erros do homem).

v .

ALGUMAS TEORIAS DA ADOLESCNCIA

H inmeras teorias da adolescncia, que, apresentam explicaes e predies diferente@s, 
relativas ao fenmeno do perodo em

causa. Se muitas delas, com pequenas divergncias terminolgicas ou de tempo, so semelhantes 
no, seu contedo, outras h que apresentam posies basicamente opostas, embora implicando, 
como,  bvio, tratando-se de teorias da adolescncia, uma maneira particular de estudar a 
natureza do desenvolvimento humano.

Sucintamente, faremos referncia a algumas das teorias mais frequentemente mencionadas nas 
publicaes recentes que abordam o complexo tema.

1) Stanley Hall, considerado por muitos o pai da psicologia da adolescncia, elaborou, a 
partir do conceito darwiniano da evoluo biolgica, uma teoria psicolgica da recapitulao. 
A lei da recapitulao supe que o organismo individual ;atravessa, no seu desenvolvimento, 
etapas correspondentes s que se verificaram durante a histria da humanidade.

Admitia, ainda, S. Hall, que tal desenvolvimento dependia de factores fisiolgicos que 
estariam determinados geneticamente, sendo o desenvolvimento, o crescimento e a conduta 
controlados e dirigidos por foras interiores. Daqui resultaria a existncia de normas fixas, 
universais e imutveis que determinariam o desenvolvimento humano, independentemente de 
factores scio-culturais. Cada perodo do desenvolvimento

47

do indivduo corresponderia, a uma das fases primitivas da evoluo do ser humano.

Hall considera quatro fases evolutivas:

a) os primeiros quatro anos de vida do indivduo representariam a etapa animal da raa 
humana, perodo predominante do desenvolvimento sensorial, necessrio  auto-conservao; b) 
entre os quatro e oito anos, perodo em que a

criana joga s escondidas, s guerras, etc, seria correspondente,  poca em que a caa e a 
pesca eram as actividades fundamentais do ser humano; c) entre os oito e os, doze anos, 
momento em que h

uma ntida facilidade para a aprendizagem e disciplina, para adquirir costumes e para se 
adaptar a novas situaes, a criana recapitularia a vida montona do SALVAISMO; d) no 
perodo que vai dos doze aos treze, anos, at 

idade adulta, que termina, segundo Hall, entre os
22 e os 25 anos, seria um perodo de tormenta e mpeto; e comparado  poca em que a raa 
humana atravessava uma fase de turbulncia e transio; e) na ltima fase da adolescncia, o 
indivduo recapitularia a fase inicial da civilizao moderna e corresponderia ao final do 
processo evolutivo.

2)  A teoria psicanaltica considera a adolescncia tambm como um perodo filogentico. Sem 
assentar na

teoria evolutiva da recapitulao, Freud afirma que o

indivduo repete experincias anteriores do gnero humano na sua evoluo psico-sexual.

Nesta perspectiva, as etapas do desenvolvimento psico-sexual seriam geneticamente 
determinadas e independentes de factores ambientais.

Todavia, Freud no ignora nem nega a importncia dos factores ambientais. Admite como 
secundrios os conceitos morais, as aspiraes e ambies de cada sociedade que tero parte 
na formao do indivduo atravs do desenvolvimento do super-ego, tambm

chamado conscincia. A sexualidade ser o plo oposto da conscincia, uma vez que aquela 
existe desde o nascimento, sendo esta adquirida pela integrao social.

A teoria psicanaltica sustenta que o complexo de dipo  um fenmeno universal.

Posteriormente vrios autores modificaram a ortodoxia psicanaltica que tanto relevo dava aos 
instintos e ao determinismo biolgico no processo evolutivo. Concluram que os factores 
sociais podem modificar o

desenvolvimento e OS iMPULSos no processo evolutivo.

Fromm, admite que em muitas sociedades pai e

filho no so rivais sexuais. Sears afirma no haver provas de uma preferncia universal pelo 
sexo oposto. Nestes termos, encontrando-se o complexo de, dipo s em certas culturas, a 
pretenso de Freud da sua universalidade carece de justificao.

Ana Freud interessou-se mais profundamente, que seu pai pela dinmica do desenvolvimento, 
adolescente, concedendo  puberdade maior importncia como factor de formao do carcter.

Sustenta a influncia directa que exerce, no domnio psicolgico., o processo fisiolgico da 
maturao sexual que, provocando um despertar instintivo das foras libidinosas, conduz a um 
desequilbrio psicolgico.

Considera que um dos aspectos a ter em conta no estudo da puberdade  a tentativa de 
encontrar o equilbrio interno.

Durante o perodo de latncia, a criana desenvolveria o seu Super-Eu atravs da assimilao 
dos valores e princpios morais das pessoas com quem se identifica.

O indivduo desenvolveria o, sentido do bem e do -mal, resultando o sentimento, de culpa 
sempre que a

sua conduta no correspondesse ao seu cdigo moral. A ansiedade do Super-Eu seria a 
identificao com o sistema do- valores morais da famlia, ou de outros elementos de 
autoridade.

3) Hotto Rank, depois de se ter afastado do pensamento

psicanaltico de Freud encarou o desenvolvimento hu-

49

mano sob um ponto, de vista mais positivo. Considerou a natureza humana no, como reprimida e 
neurtica, mas sim como criadora e produtiva.

A sua teoria funda-se na vontade, como um factor positivo que forma activamente e modifica 
o meio. Vontade compreenderia uma organizao positiva de guia e integrao de si mesma que 
utilizaria de forma criadora os impulsos instintivos ao mesmo tempo que. os inibe e controla.

No desenvolvimento do adolescente nesta teoria psicanaltica assente na conscincia e na 
vontade, a sexualidade deixaria de ser o factor determinante mais evidente no processo 
evolutivo,. Nestas perspectivas, a

vontade poderia, de certo modo, controlar a sexualidade.

O indivduo, atravessar vrias etapas evolutivas para desenvolver e fortalecer a sua vontade 
e conseguir tanto, a relao externa como a intra-psquica eu-outro.

4) Spranger, na sua psicologia. da compreenso, dedicou

mais ateno ao ritmo evolutivo dos processos pisicolgicos do crescimento que s mudanas 
fisiolgicas da conduta do adolescente, concentrando-se especialmente no processo de 
maturao da juventude masculina das classes mdias. Admite que as funes psicolgicas podem 
ser compreendidas atravs do conhecimento fisiolgico e que, ao invs, o conhecimento das 
funes mentais no permite compreender processos de crescimento. No nega, todavia, que 
existam relaes entre as funes psicolgicas e corporais. Sustenta, contudo, que as 
alteraes psicolgicas produzidas durante a fase da adolescncia no admitem como explicao 
a simples consequncia das alteraes endocrinolgicas da puberdade.

Na sua psicologia classificada de psicologia estrutural, afirma que o desenvolvimento do 
adolescente pode experimentar-se de formas e ritmos diferentes, dos quais evidencia trs:

a) No primeiro, correspondente  ideia de Hall do desenvolvimento do adolescente, observar-
se-ia uni renascimento, em face do qual, ao chegar  maturidade, o indivduo se observa como 
a outra pessoa; b) A segunda, seria um processo de crescimento lento

e contnuo na aquisio gradual de valores e de ideias culturais, prprias da sociedade e sem 
alteraes fundamentais da personalidade. c) A terceira ser o momento de o indivduo 
participar

activamente no prprio processo de desenvolvimento, superando perturbaes e crises atravs 
de esforos enrgicos e controlados.

Expe ainda uma teoria relativa ao desenvolvimento sexual e afectivo do adolescente, 
estabelecendo uma clara distino entre sexualidade, e amor puro. A sexualidade seria os 
prazeres fsico-sexuais conscientes, que culminam a excitao e desejo sexual.
O amor puro, por outro lado, seria a forma espiritual (amor platnico) do amor sem desejo de 
contactos nem estmulos fsicos. ]@ fundamentalmente esttico e no sensual, ser uma funo 
psicolgica dependente da compreenso, da empatia e da simpatia.

Spranger apresenta os seus pontos de vista relativamente  independncia e  indiferenciao 
do eu no adolescente com o objectivo de estabelecer a unidade do eu, e expe os, efeitos de 
tal concepo.

Como se observa desta reduzida imagem da teoria de Spranger, ele reconhece a importncia dos 
factores biolgicos no desenvolvimento fsico, mas limita o seu interesse no que se refere 
aos factores psicolgicos.

Aceita que o contedo e a, forma da, experincia do adolescente, incluindo a estrutura 
psquica, so influenciados por condies sociais e ambientais.

5)  M. Mead orientou os seus estudos observando particularmente os jovens da Samoa, em cuja 
vida calma no existem paixes intensas, lutas, por ideais, nem

sofrimentos por convices.

51

Trata-se, de uma sociedade cuja comparao com

as nossas, embora possvel de fazer, assenta em fundamentos diferentes que resultam da sua 
homogeneidade, na ausncia de mudanas sociais e na menor ambiguidade nas relaes 
interpessoais.

A personalidade ideal tem como padro o indivduo que no se queixa, que  condescendente e 
solidrio, que evita conflitos e dificuldades e que no se interessa pelo prestgio pessoal e 
pelo xito material.

Este comportamento e a falta de tenses  menos propicio s inadaptaes e s neuroses, que 
os princpios seguidos nas nossas sociedades.

Alis, o samoano s tem uma religio e rege-se por um s cdigo moral que contm pouqussimas 
restries. Entre; ns, as religies so tantas quantas as

pessoas e os cdigos morais no andam longe disso.

O interesse dos estudos de M. Mead na Samoa , sem dvida, importante. Aconselhamos, o seu 
conhecimento para que se tenha uma noo dos, prejuzos da civilizao, uma vez que no 
podemos aprofund-los neste trabalho.

No domnio da antropologia, admite-se que, o ambiente social em que a criana nasce 
desempenha papel fundamental no desenvolvimento da sua personalidade.

Quer isto dizer que a antropologia cultural cr, e aceita, o determinismo cultural, embora 
no negando em absoluto a influncia dos factores biolgicos.

Alis M. Mead, na comparao de adolescentes de sociedades primitivas com os de sociedades 
no consideradas como tal, diz:

Se pretendermos a definio meramente fisiolgica da maturao e considerarmos a 
adolescncia como, o perodo que. segue  infncia e durante o qual o indivduo se situa 
dentro da sua sociedade, surpreender-nos-emos perante as enormes diferenas que medeiam 
entre, um e outro perodo...

Posteriormente, M. Mead mostra alteraes de posio em. relao  sua identificao com, o 
relativismo cultural, admitindo alguns aspectos universais

do desenvolvimento. Assim, admite a existncia de normas bsicas que nenhuma cultura 
conhecida foi capaz de evitar. Afirma ainda que em todas as sociedades se encontram algumas 
manifestaes do que os ,psicanalistas chamam latncia e que o desenvolvimento, da 
personalidade sofre de influncias conjuntas de factores hereditrios, culturais e 
individuais pertencentes ao historial da vida do indivduo.

M. Mead vir a conceder  herana biogentica o papel de factor determinante do 
desenvolvimento humano. A herana biolgica tomada como factor evolutivo pode contribuir e 
explicar certas diferenas considerveis inter e intraculturais e formula hipteses de que 
os mesmos tipos constitucionais que se

encontram na nossa sociedade, se encontram, se no em todas, na maioria das sociedades.

Outras teorias, no menos importantes da adolescncia, sobre as quais no nos deteremos, 
mostram com indesmentvel clareza a

complexidade do. problema.

Veja-se por exemplo: A teoria da identidade do Eu, segundo ERIK ERIKSON. A continuidade do 
desenvolvimento de LETA HOLLINGWORTH. A teoria de LEWIN, sobre o desenvolvimento da 
adolescncia. A teoria somatopsicolgica de ROGER BARKER.

As no menos importantes teorias de ALLISON DAVIS (ansiedade socializada), ROBERT HAVIGHURST, 
ARNOLD GESELL, JAENSCH e KRET`SCHMER, OSWALD KROH, W. ZELLER, etc.

Destas teorias, como se acentuou, ressaltam desacordos profundos, mas tambm se encontram 
concordncias visveis entre teorias diferentes.

Existe concordncia no que refere as mudanas endcrinas e o desenvolvimento dos caracteres 
sexuais primrios e o aparecimento dos secundrios.

Trata-se de fenmenos evolutivos que se produzem entre os

10 e os 15 anos. Mesmo que atribuam menor importncia ao fenmeno no negam ia sua 
existncia.

A noo mais aceite  a de que a infncia, a adolescncia e a

idade adulta constituem perodos distintos que podem ser identificados quer psicolgica, 
sociolgica e at fisiologicamente.

53

Tambm  aceite que os factores sociais influem nas crises emocionais. Neste domnio, a 
teoria antropolgica admite que a

continuidade na aquisio cultural diminuir as dificuldades do adolescente enquanto que a 
descontinuidade as ir acentuar.

Admite-se ainda que a adolescncia  particularmente difcil, sempre que a sociedade 
atravesse pocas de rpidas mutaes sociais.

O adolescente ter que adaptar-se no, s aos seus prprios problemas, como tambm aos 
problemas da Sociedade.

As mutaes demasiado rpidas nem sempre proporcionam a

necessria adaptao a tempo.

E se o adulto  responsvel directo ou indirecto pelas alteraes, na verdade demite-se de 
tomar as responsabilidades das perturbaes que G fenmeno provoca na criana e no, 
adolescente, este permanentemente incompreendido.

54

vi

ADOLESCNCIA NORMAI,

* Les enfants ont plus besoin de modles

que de critiques.

J. JOUBERT

* (As crianas precisam mais de modelos que de crticos).

55

vi

ADOLESCNCIA NORMAL

A adolescncia  um fenmeno evolutivo especifico do homem.  a idade de transio entre a 
criana e o adulto. Tem caractersticas prprias no duplo aspecto biolgico e psquico.

No ser humano a maturao hormonal e do sistema nervoso central requer um largo perodo que 
s culmina na puberdade.

Existe entre os termos adolescncia e puberdade, uma certa confuso ou impreciso. Alguns 
autores chamam puberdade aos

primeiros anos de crise da adolescncia. Outros do-lhe um valor especificamente biolgico e 
aplicam-no na determinao do momento da transformao da criana em adulto, no que concerne 
s alteraes fisiolgicas. Limitam o termo adolescncia s modificaes fsicas que se 
operam nesse perodo de transio.

A puberdade caracterizar-se-, em sntese, pela intensificao da produo das hormonas 
elaboradas pelas glndulas supra-renais

e a produo de vulos e espermatozides.

O momento da puberdade e, bem assim, ou simultaneamente, da adolescncia, no  o mesmo em 
todos os pases, ou melhor, em

todas as regies do globo terrestre.

O inicio do desenvolvimento puberal e, possivelmente, a sua

natureza, so condicionados por factores gentico-familiares e podem ainda ser afectados pela 
cultura, a economia e o ambiente fsico. O crescimento fsico e a maturidade sexual podem ser 
retardados ou acelerados, em ambos os sexos, por perturbaes afectivas.

57

Exercem, consequentemente, influncia directa no momento da puberdade, os distintos factores 
tnicos, climticos, sociais e afectivos, o que impede a fixao, de forma exacta, dos 
limites deste perodo.

De experincias realizadas parece poder inferir-se que na

Europa Ocidental, incluindo Portugal, a fase oscila entre os doze e dezoito anos, com 
diferenas de um ou dois anos de avano ou atraso entre os dois sexos. O sexo feminino  mais 
precoce, com

um ou dois anos de avano.

As diferenas dos ritmos de maturao das raparigas e dos rapazes j so observveis no 
estdio fetal.

As diferenas de natureza das alteraes de crescimento nos

rapazes e nas raparigas provm de, trs factores:

1) Na puberdade as diferentes hormonas sexuais produzem um crescimento diferente nas vrias 
partes do corpo.

2) Nos anos imediatamente anteriores  puberdade, as

extremidades inferiores crescem mais rapidamente que as vrtebras. O crescimento mais 
demorado do rapaz permite o

desenvolvimento de pernas mais compridas em relao com

o corpo.

3) Em algumas zonas do corpo, o ritmo de crescimento  continuamente mais rpido num sexo que 
noutro, ainda antes do nascimento.

Nesta fase, que muitos autores consideram uma fase crtica em que se verificam profundas 
transformaes quer de, natureza biolgica quer psicolgica, a problemtica mais premente : 
o, aparecimento das vivncias sexuais e o, nascimento, da personalidade. Verifica-se um 
binmio biolgico-psicolgico na complexidade dos problemas focados.

No aspecto biolgico, a puberdade provoca mudanas notveis nos, rgos sexuais.

Para o rapaz adolescente estas mudanas so particularmente importantes, uma vez que os seus 
rgos sexuais primrios so

externos, e, fceis de ver. Geralmente convencem-se que quanto maiores forem os seus 
testculos e pnis, maiores sero as suas virilidade e potncia. Os rgos sexuais masculinos 
variam em

dimenso devido a diferenas genticas individuais, a diferenas

58

no nvel das hormonas andiogen (hormonas sexuais masculinas) e aos diferentes momentos do 
desenvolvimento puberal. Na realidade o tamanho, dos rgos genitais nada tem que ver com a 
virilidade e a potncia. No entanto  caracterstico, nos r&pazes, a preocupao com a 
dimenso dos seus rgos. A ignorncia da dimenso dos mesmos no estar relacionada com a 
virilidade ou potncia, leva-os, por vezes, a estados ansiosos de comparao dos seus rgos 
com os dos outros.

Nas raparigas, na generalidade, a preocupao com as suas caractersticas sexuais primrias  
menor, @em virtude dos seus rgos sexuais estarem, na maior parte, no interior do corpo, 
consequentemente@ de difcil comparao.

Manifestam no entanto, por vezes, preocupaes da mesma natureza das referidas relativamente 
aos rapazes, no que concerne  menstruao e ao desenvolvimento, dos seios.

Paralelamente aos fenmenos anteriormente focados (aumento de estatura e robustez, 
desenvolvimento tor xico, fortalecimento, dos msculos, mudana de voz e problemtica de 
natureza sexual), o adolescente quebra sucessivamente as relaes anteriores. Os seus amigos, 
os seus jogos , os divertimentos da infncia, so trocados, por nisso achar satisfao, pelas 
actividades, divertimentos e entretenimentos dos mais velhos.

,E o momento do auto-descobrimento. Passa a observar-se interiormente, e vai-se descobrindo, 
umas vezes com prazer, outras com desgosto, a sua prpria personalidade.

Sendo o homem um animal que aprende, necessariamente todo o adolescente ter que aprender 
ainda que de formas diferentes consoante as sociedade e cultura do meio em que est inserido. 
Parece contudo haver nas tarefas da adolescncia elementos universais que transcendem as 
diferenas scio-culturais, aplicando-se, consequentemente, a todos os indivduos,.

Biologicamente, em toda a espcie existem as mesmas necessidades e os mesmos impulsos. 
Culturalmente, os modelos para sua satisfao, so, contudo diferentes. Psicologicamente, com 
o intuito de conciliar os seus impulsos com as regras culturais e normas morais, seja qual 
for a cultura OU G meio em que vive, o adolescente usa mecanismos de defesa idnticos, tais 
como a represso, a negao e a projeco.

59

Como meios de conquista e defesa da sua personalidade, sobretudo nas sociedades chamadas de 
cultura ocidental, conta o adolescente com:

a)  o auto-isolamento, por encontrar na sua intimidade

algo mais valioso que aquilo que lhe  oferecido pelo mundo exterior que no o compreende; b)  
a amizade, entregando-se apaixonadamente s pessoas

que o compreendem, intelectual e afectivamente; c)  o esprito de independncia, que o leva a 
querer ser

livre, no depender de ningum, fazer o que lhe apetece; d)  sentimento de responsabilidade, 
conjugado com o esprito de independncia, o adolescente sente que nele existe a propriedade 
de si mesmo e acredita ter suficientes foras fsicas intelectuais e morais para actuar sem 
auxilio alheio.

As obrigaes scio-culturais que a sociedade aceita como boas, nem sequer o adolescente as 
considera como desejveis.

Todavia, a sociedade adopta ou adapta os velhos conceitos, processos que foram o indivduo, 
na generalidade, a reprimir, frenar ou recalcar os seus impulsos, anseios e desejos, 
adaptando-se artificialmente s imposies e limitaes que lhe so postas.

O desenvolvimento da personalidade e o sentido moral no adolescente so condicionados, ou 
dependem, dos processos de maturao consoante a intensidade e variedade das estimulaes 
afectivas verificadas nas v rias fases da, infncia.

O sentido moral, factor que nos interessa no caso concreto presente,  desenvolvido de acordo 
com mecanismos difceis e complicados e assenta numa estruturao progressiva a partir da 
infncia.

No seu incio visa exclusivamente a procura do prazer. Seguidamente essa procura de prazer 
passa a ser limitada por oposio do adulto que lhe impe proibies que a criana no aceita 
nem poder compreender.

Desta forma d-se uma interiorizao de regras exteriores e

vai-se estruturar uma moral incipiente.

Tal sentido moral , todavia, exterior ao mundo psquico da criana. A presso dos impulsos 
instintivos e o aparecimento de

60

conflitos opem-se s imposies morais, embora as mesmas tenham sido aceites.

A influncia de meio de excessiva severidade e desusado nmero de regras dificulta a 
adaptao e provoca hostilidade a uma autoridade traumatizante que atinge no s o sentido 
moral, mas, em especial, a formao da personalidade.

Podem verificar-se situaes regressivas, bloqueio dos mecanismos emocionais, afectivos e 
sociais.

Daqui poder resultar todo um complexo comportamento, visando a justificao dos erros, o 
endosso das responsabilidades ou a ostensividade em hostilizar o adulto, por agressividade.

As sanes, os castigos, a rigidez da autoridade, no eliminaro a oposio traduzida por 
insubordinao, rebelio e violncia. Alta percentagem dos delitos da infncia resulta de 
excessiva rigidez e dureza educativa e comportamental nas suas primeiras fases evolutivas.

Tambm a excessiva contemporizao e generosidade dos pais ou familiares no s limita a 
iniciativa como provoca choques quando tem que enfrentar a autntica realidade.

Da mesma forma a liberdade incondicional e o desinteresse na formao moral coloca a criana 
a reagir de acordo com os seus

instintos. A falta de um modelo, para construir o seu cdigo moral, leva-os a situaes 
paradoxais de construirem o seu prprio cdigo moral, anrquico, liberto de todas as 
convenes.

Tambm da situao dada poder resultar o oposto. A submisso ser total e a vida ser para 
eles uma regra constante e a

falta de objectividade uma consequncia flagrante.

As discordncias comportamentais dos pais ou dos educadores  fonte alimentadora de bloqueios 
que se manifestam em hostilidade a uma das figuras, quando a outra simboliza algo que o 
satisfaz. :2 o momento em que os factores especficos interferem no desenvolvimento moral do 
adolescente. Todas as situaes que se deparam ao indivduo contm em si probabilidades de 
desenvolver ou demorar o correspondente progresso moral.

No adolescente existe uma identificao entre a agressividade e o dinamismo psquico. Tal 
agressividade no , contudo, sinnimo de tendncia anti-social. Ela representar um 
idealismo que ope a simulao e  hipocrisia e a todas as condutas dbias, injustas e 
tendenciosas. A agressividade do adolescente revela a necessidade de contacto, de afirmao 
de si prprio.

61

O adolescente reage, por vezes, desordenada e anarquicamente s culpas que lhe so atribudas 
pelo adulto. Tais culpas so, invariavelmente, consequncia do deficiente ensino, de uma 
educao desadaptada, e de negligncia e egosmo dos adultos.

Sendo a moral o conjunto de factos psicolgicos, das faculdades das inclinaes e das 
tendncias,  difcil definir em frmula geral que satisfaa todas as doutrinas.

Relativamente ao adolescente na prtica e desde o nascimento, so factores fundamentais  
formao do verdadeiro sentido moral a estabilidade familiar, a segurana social, a educao, 
a sade, e, sobretudo, o aproveitamento e encaminhamento das tendncias, aspiraes e vocao 
que permitir a realizao do indivduo de forma a que simultaneamente se sinta feliz e tenha 
conscincia da sua situao e utilidade social.

62

VII

ALGUMAS PERTURBAES DA ADOLESCNCIA

* Ce n'est pas assez d'avoir Vesprit bon,

mais le principal est de l'appliquer bien.

DESCARTES

* (No basta ter um juizo so, o principal  aplic-lo bem).

VII

ALGUMAS PERTURBAES DA ADOLESCNCIA

Como j dissemos noutro lugar, o tardio desenvolvimento da inteligncia resultante de 
factores hereditrios, doenas crnicas, problemas endcrinos, conduz a tipos comportamentais 
considerados, muitas vezes, de anormais.

 evidente que tambm o desenvolvimento da personalidade est condicionado e depende dos 
processos de maturao, resultando limitado em face da carncia de estimulaes afectivas 
verificadas nas vrias fases da vida do indivduo.

Os aspectos descritos so a base de um quadro de perturbaes da personalidade do 
adolescente. A sua enunciao no  fcil e a

sua resoluo tem-se mostrado excessivamente difcil.

Segundo a doutrina freudiana do recalcamento, s os seres

excessivamente morais reprimem a sua natureza instintiva.

Todavia, a represso das tendncias instintivas  inevitvel. A teoria ideal de que os 
impulsos inatos da criana no devem ser frenados ou reprimidos, dificilmente ser 
praticvel se encararmos o problema numa perspectiva sociolgica.

De facto, desde cedo, h necessidade de controlar, (ao termo reprimir -lhe atribudo, hoje, 
em linguagem comum, significado diferente) a criana na sua curiosidade natural, a fim de 
evitar que, pela incapacidade de prever a consequncia dos seus actos, seja vitima de 
acidentes fsicos ou psquicos.

Existe ainda um tipo de represso que resulta de fenmenos incontrolveis pelo homem: 
obstculos naturais, problemas econmico-sociais que criam limitaes s tendncias e aos 
desejos inatos ou adquiridos.

65

No quadro das perturbaes dos adolescentes existem hoje algumas que anteriormente s eram 
consideradas existentes nos adultos. De facto, no domnio da psiquiatria, mostrava-se pouco 
interesse pelo estudo dos processos de crescimento e desenvolvimento na adolescncia. 
Limitavam-se os psiquiatras clnicos a descrever as enfermidades clnicas, sobretudo dos 
hospitalizados cujos casos seguiam, mas sem abordar os conflitos da adolescncia.

Hoje, embora tivesse sido difcil, aceita-se a existncia de depresses na criana e no 
adolescente.

No se ignora, contudo, a grande dificuldade existente na

diferenciao de doena psiquitrica e crise tpica da adolescncia. Enquanto a primeira 
requerer cuidados mdicos, a segunda pode ceder com o decorrer do tempo, com a chegada da 
maturidade.

Um acontecimento emocional que causa mal estar pode precipitar a desordem. O distrbio 
fisiolgico  frequentemente um comportamento normal e comum da resposta emocional.

Os transtornos da adolescncia cujas manifestaes tpicas so conhecidas resumem-se a: 
insegurana; instabilidade de humor e

da actividade; egocentrismo; impulsos sexuais; exibicionismo; instabilidade emocional; 
preocupaes com o corpo e com a sade; conflitos com a autoridade; evidncia: rebeldia; 
procura de independncia. A agressividade, o egosmo, a tendncia  dominncia ou  submisso 
so tambm factores a considerar.

Acompanhando estas manifestaes tpicas do adolescente esto os processos biolgicos 
fundamentais da puberdade.

1  - A adolescncia  uma fase crtica do crescimento. Durante ela, a personalidade sofre 
profundas transformaes. Surgem conflitos em todos os nveis da experincia emocional. 
Reactivam-se fases precoces de, angstia psquica e existe uma certa predisposio, em

alguns,- para- as perturbaes mentais mais graves.

A problemtica da crise da adolescncia foi encarada pelos psicanalistas como uma fase- de 
debilidade da estrutura do Eu, em

virtude do processo de crescimento. ,

Anna Freud, por exemplo, entende que a adolescncia , por sua natureza, uma interrupo de 
crescimento, pacfica, e que a manuteno de um equilbrio estvel durante tal processo , em 
si mesmo, anormal. O julgar erradamente as oscilaes comportamentais do adolescente, pode 
acarretar srias consequncias.

Em pocas de crise e de instabilidade social, nos perodos de transio, a entrega cega, 
patolgica, aos prazeres de momento 

66

uma constante. O lcool, a droga, a delinquncia e o fanatismo poltico so tantos outros 
indicativos da instabilidade do adolescente.

No momento em que o adolescente toma conscincia de que o cdigo moral a que foi submetido em 
criana no  a dominante na sociedade em que vive e consciencializa os princpios de 
crueldade e agressividade competitiva, perde a confiana na gerao anterior.

O desejo de independncia do adolescente leva-o a procurar a separao dos pais, transferindo 
a sua dependncia para indivduos ou grupos fora da constelao familiar.

De toda a srie de conflitos da adolescncia, uns radicam-se em perturbaes do 
desenvolvimento fisiolgico, em que a deficiente alimentao ser a causa.

A dissoluo familiar, onde a ausncia de exemplos de disciplina favorece uma liberdade 
incontrolada,  outro factor de perturbao, que provoca a instabilidade e impele o indivduo 
para a

satisfao incontrolada dos seus impulsos.

Estes factores, e o errado julgamento das oscilaes do comportamento do adolescente podem 
pr em perigo o desenvolvimento da personalidade do adolescente.

No abordaremos todos os transtornos da adolescncia, porquanto existem tratados 
especializados sobre o assunto. Situar-nos-emos somente em alguns, os mais relacionados com a 
problemtica da nossa amostra.

Nestas condies, no focaremos as doenas psicossomticas e as perturbaes familiares, 
cujas consequncias mais vulgares so a hipertenso, as lceras, as colites, a asma e as 
doenas de pele. Limitar-nos-emos s desordens mentais atribuveis a causas psicolgicas.

Entre estas podem distinguir-se:

1 - As desordens mentais pronunciadas, ou psicoses, que englobam a oscilao entre a 
exaltao e depresso (psicoses manaco-depressivas); A parania, outra forma de depresso e 
excitao (delrios e persecuo) e a demncia precoce.
2 - As neuroses (ou psiconeuroses) nas quais se incluem a

neurastenia, a psicastenia, a histeria, a ansiedade, a angstia, etc.

67

Antes de prosseguirmos, dever acentuar-se que a grande maioria dos desajustamentos do 
adolescente, tm a sua origem antes da puberdade. Quando a adolescncia  atingida, o 
indivduo j possui tendncias perturbadoras.

No manual da Associao Norte-Americana de Psiquiatria considera-se que os transtornos da 
adolescncia so caracterizados por defeitos de desenvolvimento ou tendncias patolgicas na 
estrutura da personalidade, que se manifesta por uma modalidade de aco ou de conduta que 
persiste toda a vida e no por sintomas mentais nem emocionais.

Em parte, sobre a base da dinmica do desenvolvimento da personalidade, os seus transtornos 
subdividem-se em trs subgrupos:

a) Transtornos da estrutura da personalidade. b) Transtornos de traos de personalidade. c) 
Personalidade socioptica.

No relativo ao primeiro grupo, os pacientes apresentam transtornos muito profundos, com toda 
a probabilidade de caminhar para uma psicose. Os do segundo e terceiro grupo podem perder

o seu equilbrio e independncia emocionais em situaes de muita tenso, regressando a um 
nvel de adaptao inferior.

Os elementos que seguem, foram publicados no Manual de diagnstico e estatsticas dos 
transtornos mentais, da A.N.P., em 1962.

Transtornos da estrutura da personalidade

1 - Personalidade

inadequada

2 - Personalidade

esquizide

Transtornos de traos de personalidade

1 - Personalidade

emocionalmente instvel

2 - Personalidade

passivo - agressiva A-Passivo-dependente B-Passiva C-Agressiva

Personalidade socioptica

1 - Anti-social

2 - Dissocial

68

3 - Personalidade       3 - Personalidade        3 -Desvio sexual ciclotmica             
compulsiva

4 - Personalidade       1 - Outros transparanica               tornos de traos de 
personalidade

No adulto  mais fcil diagnosticar um desajustamento de personalidade que no adolescente, 
uma vez que naquele surge com clareza a divergncia entre o comportamento de adulto e o 
comportamento de criana. Na adolescncia, a imaturidade e a dependncia podem no permitir a 
diferenciao clara dos desajustamentos comportamentais.

 evidente que as classificaes das perturbaes da personalidade no so rgidas e contm 
mesmo algumas arbitrariedades. Certos autores consideram, por exemplo, que uma neurose no , 
por si mesma, uma doena. Ser uma desordem de comportamento.

Indicaremos de forma sucinta as perturbaes mais comuns aos indivduos da amostra com que 
trabalhmos.

Estados Neurticos

1 - Angstia -  caracterizada por apreenso geral, indeciso, sensao de abandono e 
ressentimento.

Existe sempre insegurana, medo de cometer erros.

Interioriza profundamente os fracassos, especialmente quando so de carcter moral.

Baruk assinala que nos doentes mentais, contrariamente ao que se admite a conscincia ou 
juzo moral pode, no s subsistir, como ainda avivar-se no decurso da respectiva doena. 
Entre outros exemplos, refere os casos

de melancolia em que a conscincia moral ser exacerbada de forma dolorosa, caracterizando-se 
por ansiedade e tristeza, e por um sentimento doloroso de falta, de culpabilidade. Numa 
palavra a dor moral.

O indivduo angustiado  um dependente, embora isso lhe desagrade, pelo que resulta o 
ressentimento. Tal ressentimento pode traduzir-se numa agresso para consigo

69

mesmo e para com os outros, mas no tem coragem para agredir. As neuroses so sintomas 
baseados em insuficincia do sistema normal de controlo, independentemente das teorias que se 
prefilhem, desde Freud, Adler, Jung, Kunkel, Alexander, Sartre, FrankI, ete.

Em todas as formas de neurose, segundo alguns autores, existe angstia, pelo que utilizamos 
s o termo angstia, ou seja, a tenso interior na qual a descarga da energia pulsional no  
possvel.
2 - Fobia - (Reaco fbica) - Pode considerar-se como

uma reaco de medo intenso ou fixao de angstia, face a situaes ou objectos. Existe uma 
inverso. Na reaco de angstia existe um perigo interior, na reaco fbica esse perigo  
exterior.

Na fobia embora a pessoa tenha a conscincia de no existir qualquer perigo, o medo mantm-
se.

As fobias mais comuns so:

Acrofobia Agorafobia Algofobia Claustrofobia Hematofobia Hidrofobia Misofobia Nictofobia 
Fotofobia Pirofobia Toxofobia Zoofobia Astrapetofobia Brontemofobia Oclofobia

medo  das altitudes medo  dos espaos abertos medo  da dor medo  dos lugares fechados medo de 
ver sangue medo da gua medo  dos contgios medo  do escuro medo  da luz forte medo do fogo 
medo  de ser envenenado medo dos animais medo  dos relmpagos medo  dos troves medo  das 
multides

Para uma mais completa documentao sobre este assunto, consultar Schneeberger de Athayde - 
Elementos

de Psicopatologia -- Lisboa, 1971. As causas mais importantes da fobia sero: uma experincia 
traumtica passada; reaco condicionada a uma situao de medo, verificada durante a 
infncia; a projeco de medo geral ou

de um conflito. A neurose fbica pode resistir  terapia, mas uma grande maioria  de menos 
intensidade e pode ser eliminada quando as causas so claramente determinadas.

A estabilizao bengna da neurose fbica  frequente. Todavia nos casos mais persistentes o 
agravamento pode ir at ao ponto do doente se recusar a abandonar a casa e at mesmo a cama. 
Pode ainda degenerar em conduta obsessiva quando o indivduo manifesta considervel rigidez 
emocional.
3 - Obsesso (Reaco obsessiva-compulsiva) - Na obsesso, a mente  assaltada por um 
carcter forado, interactivo e compulsivo, em que os pensamentos esto sempre

a ser repetidos. A incapacidade do indivduo se libertar de pensamentos que compreende serem 
despropositados, ou anormais,  outro sintoma da obsesso.

Os obsessivos so, regra geral, perfeccionistas, inseguros e com falta de confiana em si. O 
adolescente inseguro que tem que adoptar padres inflexveis, que no tolera faltas, tanto em 
si como nos outros, e que , no

entanto, assaltado por ideias obsessivas contrrias aos seus princpios,  um exemplo da 
assero exposta. Existe, neste caso, uma luta ambgua e uma ambivalncia do Eu.

Os actos compulsivos so formas de comportamento que o indivduo se sente compelido a 
executar. Todavia, quando se d a passagem ao acto, este , regra geral, simblico.

H, porm, momentos? em que o acto  integralmente cumprido, embora despropositado, por 
exibicionismos, mas, por vezes, criminoso.

Nas compulses, algumas h de carcter criminoso, ou sejam, as manias.

De entre estas, evidenciam-se:

a)  Cleptomania, que se traduz por um desejo obsessivo de roubo, cometido sem precaues, e 
objectivado em artigos dos quais no carece. Todavia, estes roubos significam uma compensao 
para o

sentimento de desamparo do indivduo e provocam-lhe uma sensao de poder transitria.

71

b) Piromania,  a tendncia patolgica, ou uma necessidade imperiosa de lanar fogo. 
Verifica-se este comportamento, sobretudo em adolescentes portadores de atrasos mentais. Tal 
comportamento, segundo alguns autores, embora se apresente muitas vezes como um sintoma 
neurtico, tem mais significado de perverso sexual.

4 - Reaco de Converso ou Histeria - Caracteriza-se por

uma expresso orgnica e, simultaneamente, por uma extraordinria plasticidade da 
personalidade. As manifestaes funcionais de aparncia orgnica so: paralisias, 
perturbaes sensoriais, crises nervosas, sono, etc.

As perturbaes de tipo psquico, mltiplas e caractersticas, so: mitomania (tendncia  
fabulao); onirismo (alucinao visual que se apresenta como em sonho, com sucesso de cenas 
mal estruturadas. Este estado  comum nas intoxicaes e tambm em certos casos de 
epilepsia); amnsia e automatismo psicomotores.

Os vocbulos histeria ou reaco de converso so usados com o mesmo significado e as 
desordens consequentes de tal estado so classificadas, como j vimos, por vezes devido  sua 
expresso orgnica ou funcional, como psicofisiolgicas.

Hipcrates e Galeno, abordando o problema sob pontos de vista diferentes, admitiam vagamente 
uma relao entre o sexo e a histeria.

Posteriormente, Charcot admitia que a histeria era de facto uma enfermidade e recomendava o 
isolamento e o repouso como teraputica.

Por sua vez, Janet, discpulo daquele, no perfilhou as

teorias de Charcot entendendo que a histeria seria a incapacidade de manter a integrao da 
personalidade, e que as manifestaes fsicas de tal distrbio eram de origem mental.

Freud sustentava que s os sintomas tinham causas fsicas, mas que a sua origem era ignorada 
pela incapacidade de recordar as causas, por estarem associadas a

sentimentos de culpa.

A personalidade histrica  caracterizada em especial por: tonalidade extroversiva, 
egocentria, receptividade e

susceptibilidade, ambio e imaturidade emocional.
5 - Reaco Depressiva - As reaces depressivas neurticas nos adolescentes segundo alguns 
autores, so consideradas reaccionais de fundo endgeno. Todavia, na depresso normal, o 
tempo e os novos interesses vo superando a dor.  contudo um estado mrbido, caracterizado 
pela lassido, desnimo e fadiga, acompanhado por ansiedade mais ou menos marcada. H quem 
considere que se

trata de uma forma ligeira de melancolia.

- Estados Psicticos

Os conflitos e a instabilidade dos adolescentes podem ser factores desencadeadores de vrios 
tipos de perturbaes psiquitricas, algumas das quais merecem ser realadas.

A esquizofrenia que  o transtorno mais vulgar na adolescncia, engloba na sua designao um 
largo grupo de perturbaes mentais, que conduzem o indivduo a uma vida autista, resultante 
do processo desintegrador das suas capacidades associativas.

As reaces esquizofrnicas so geralmente classificadas em:

Tipo simples Tipo hebefrnico Tipo catatnico Tipo paranide

A criana e o adolescente afectados pela esquizofrenia apresentam como sintomas mais 
evidentes o corte das relaes afectivas com o meio circundante. O indivduo isola-se.  o 
fenmeno designado por autismo, que consiste em o doente se voltar para si mesmo - pensamento 
desinserido do real e predominncia da vida interior - .

Alguns autores registam um certo paralelismo psicolgico entre os fenmenos da transformao 
da personalidade durante o inicio da puberdade e o comeo de uma psicose esquizofrnica. 
Neles ser comum uma debilitao ou uma desintegrao parcial do Eu e fenmenos regressivos. 
O equilbrio afectivo  vacilante.

73

No adolescente so surge a independncia e uma afirmao, por vezes ridcula, da 
personalidade em desenvolvimento. No perturbado, revela-se o autismo e o negativismo.

A esquizofrenia do adolescente difere da da criana e da do

adulto pelo que o seu tratamento dever ter caractersticas especiais.

Quer o tratamento seja efectuado em internamento ou no lar, o educador ter que estar 
presente numa colaborao importante ao mdico. A continuao dos estudos e a orientao 
profissional durante a convalescena, so factores de alta importncia no processo de 
integrao do adolescente.

Na reaco esquizofrnica observa-se:
1 - Tipo simples - atitude de indiferena ou, em casos mais adiantados, apatia extrema. No 
adolescente, preferir a solido s actividades tpicas dos indivduos da sua idade - 
desportivas, culturais, recreativas, etc. -  uma fuga  realidade que pode conduzir  
apatia, de onde, por vezes,  difcil retir-lo.

Estes indivduos so normalmente introvertidos, tmidos, pouco sugestionveis e pouco 
emotivos. A falta de confiana em si

prprios leva-os normalmente a no se preocupar e no fazer esforo.

2 - Tipo hebefrnico, caracteriza-se por alucinaes e iluses incoerentes e por progressiva 
deteriorao. O desenvolvimento desta perturbao  gradual e inicia-se frequentemente no 
adolescente. As reaces neste tipo de perturbao, as exploses emocionais de tristeza ou 
alegria, so resultado de estmulos interiores do mundo imaginativo em que vive. As 
alucinaes traduzem-se em

ouvir vozes, na maioria dos casos.

Nestes estados existe uma desintegrao pessoal que provoca uma regresso psicogentica 
passando, por vezes a comportar-se como uma criana, num mundo que criou e onde continua a 
existir.

3 - Tipo catatnico - aqui, a predominncia das perturbaes  psicomotora que varia do 
imobilismo total,  depresso letrgica e  excitao desvairada. O indivduo no primeiro 
caso

pode ficar em estado de imobilizao total por perodos largos. Nos outros perodos em 
consequncia de conflitos interiores, o indivduo grita, tem convulses, agride o prximo e 
pode tentar o

BIlicidio. As alucinaes podem ser de ideias de grandeza ou de Perseguio.

74

4 - Tipo paranide - Como caractersticas mais evidentes neste tipo, apresentam-se as ideias 
de perseguio e de grandeza, consequncia das alteraes delirantes do pensamento.

As suspeitas, sobretudo de que os outros procuram impedi-lo de alcanar os seus fins, 
transformam-se em ideias fixas e estas, como que em progresso normal, em ideias 
persecutrias. As construes delirantes, as associaes de tipo mgico, a desconfiana, esta 
incidindo muito especialmente nos familiares por convencimento que querem a sua destruio.

No quadro das psicoses veremos ainda as reaces afectivas as quais, sumariamente, citaremos:

Reaces manaco-depressivas, caracterizam-se pelas crises de mania e melancolia. No primeiro 
caso, pode verificar-se uma alternncia de excitao manaca, com manifesta e excessiva 
susceptibilidade, com perodos de depresso ou perodos normais. Pode ainda a reaco tipo 
manaca, classificar-se em: hipomania, mania aguda e mania hiper-aguda.

A primeira ser uma forma ligeira de excitao em que existe uma alterao do psiquismo, 
traduzida numa multiplicidade da faculdade de associao de ideias de tipo superficial e 
pouco claras.
O indivduo neste estado revela excessiva mobilidade e intranquilidade.

Casos h, de indivduos superdotados intelectualmente, em que a hipomania, pode ser uma, 
fonte de energia, de uma actividade incessante, a qual, se existir resistncia fsica, pode 
vencer obstculos e propiciar a realizao de actividades superiores.

A diferena entre hipomania, mania aguda e hiperaguda, reside fundamentalmente no grau.

A hipomania no exige, geralmente, hospitalizao. Na mania aguda, a agitao  mais 
acentuada; pode haver, paralelamente a

perodos de excessiva confiana, perda de contrle e reaces violentas contra coisas e 
pessoas. Na mania hiper-aguda existe a

caracterstica delirante do, paciente, iluses, alucinaes, etc.

No tipo depressivo, existe incapacidade de concentrao, desnimo, fadiga,, perda de 
iniciativa, sentimentos de culpa, iluses, etc.

Na nossa amostra encontram-se ainda casos de droga e de alcoolismo.  evidente que estas 
perturbaes, de causa txica, se inserem num quadro scio-politico-econmico. O alcoolismo 
em certas regies do nosso pas,  um mal necessrio uma vez que constitui a

75

fonte de calorias do trabalhador, sobretudo rural. No vamos descrever as consequncias e a, 
gravidade do problema, to conhecido  o mesmo.

No que se refere s drogas e consequentes toxicomanias, registe-se que, se no quadro geral  
um fenmeno derivado de transformaes rpidas das sociedades, h casos particulares em que o

vicio resultada habituao provocada por longa e excessiva, terapia medicamentosa, que na sua 
base contm produtos txicos.

As perturbaes do lcool e droga tambm no so ignorados, e a sua iniciao, faz-se 
vulgarmente na pr ou na adolescncia. A sua caracterstica fundamental reside na necessidade 
do intoxicado ingerir cada vez maior quantidade de lcool ou droga, ou de procurar produtos 
cada vez mais txicos.

O alcoolismo provoca invariavelmente, alm de deteriorao mental, enfraquecimento fsico, 
decadncia moral e incapacidade de relacionao e da noo da responsabilidade.

Quanto  droga, os comportamentos anti-sociais, os estados psicticos, de tipo paranide, as 
alucinaes, as ideias delirantes, so algumas das muitas e graves perturbaes.

O diagnstico clnico da droga  difcil, impondo anlises ao sangue. O tratamento do 
adolescente drogado cria inmeros problemas, alis anlogos aos de qualquer perturbao 
psiquitrica do adolescente, uma vez que, no  possvel adoptar uma atitude comum perante os 
vrios casos.

A famlia, a maturidade do adolescente, a orgnica das instituies de internamento, 
independentemente das medidas legais, que pelas implicaes sociais da difuso e consumo da 
droga urge tomar, so variveis a considerar conjuntamente.

Como j acentumos e fazemos questo em repeti-lo, estas notas justificam-se por a amostra 
que apoia o presente trabalho incluir indivduos em tratamento, no foro neuro-psiquitrico. 
Para documentao sobre o assunto consultem-se obras especializadas, das quais algumas esto 
referidas na bibliografia contida no final deste estudo.

No abordaremos, por tal motivo, processos teraputicos, observando, que nos mesmos h, 
aspectos fundamentais a considerar. De entre eles ressaltam as relaes pessoais entre o 
terapeuta e o doente, cuja importncia nos dispensamos de encarecer. Nos internamentos, a 
excessiva vigilncia e o autoritarismo dos cuidados dispensados ao doente, no so dados 
positivos. A composio

76

do grupo em que o adolescente  integrado,  factor de sobre-modo importante, para que se 
omita.

No terminaremos este capitulo sem falar na anorexia nervosa por ser uma das poucas doenas 
mentais que provoca significativa percentagem de casos mortais - entre 7 e 15 % segundo 
alguns autores, at 20 @,Tc, para outros.

A anorexia nervosa, incide especialmente no sexo feminino, na

adolescncia, podendo, contudo prolongar-se at idade, adulta mais avanada. Traduz-se pela 
recusa patolgica de alimentao, e tem, invariavelmente, nas adolescentes, um fundo 
neurtico. Alm da rejeio da alimentao, e na procura da elegncia por emagrecimento, 
registam-se transtornos cognitivos e comportamentos depressivos.

A perturbao da imagem corporal e, do conceito de corpo, as

perturbaes de percepo ou interpretao dos estmulos provenientes do prprio corpo, a 
hiperactividade e negao de fadiga e

incapacidade para reconhecer as reaces emotivas, so outros tantos sintomas de anorexia 
nervosa.

Podem ainda verificar-se alteraes hormonais devido  desnutrio, e suspenso menstrual.

O sindroma de anorexia nervosa apresenta uma vasta gama de transtornos psquicos complexos.

77

VM

ADOLESCNCIA E VOCAO

* Unusquisque sua noverit ire via.

PROPERCIO

* (Aprenda cada qual a caminhar pelo caminho que mais lhe convenha).

VIIII

ADOLESCNCIA E VOCAO

Est fora de quaisquer dvidas, que tanto os princpios como

as as crenas religiosas da criana, nada tm de congnito. Pelo contrrio, dependem 
totalmente do adquirido.

Sendo a criana crdula por natureza, acredita no que se lhe diz. Precedem das pessoas com 
quem convive todos os conceitos religiosos de que faz uso. A influncia dos pais e outros 
familiares, dos professores, dos padres,  no domnio de todos os conceitos religiosos da 
criana uma marca a considerar.

Na criana o mundo das afirmaes e o mundo da verdade  uno. Da resulta que as noes que 
possui so uma reproduo grosseira das afirmaes sinceras ou demaggicas dos adultos. D-se 
ainda, acumulando com as intenes com que lhe! so transmitidas as ideias, uma modificao 
das mesmas?       de acordo com o estdio de desenvolvimento geral e sobretudo da linguagem.

Tudo o que lhe  transmitido  aceite! pela criana, sem crtica, pelo que as suas primeiras 
crenas religiosas, e no s, assentam numa autoridade no discutida.

A criana  obrigada a aceitar as primeiras noes de religio em funo do meio social e do, 
tipo de educao a que, est sujeita.

Essas noes de tipo, acentuadamente verbal, esteriotipadas e

catequisticas, ultrapassam, em termos incomensurveis o seu grau de entendimento, no 
conhecendo o significado das noes nem das palavras que as constituem.

Acompanha-se, geralmente, a, divulgao, dos conceitos religiosos com a ideia de castigos 
divinos presentes e futuros que atingiro os faltosos. Cria-se desta forma um processo 
simples e concreto para

81

que as crenas tenham certo valor funcional, que impor hbitos. Estes no tero, contudo, 
uma atraco suficientemente forte para regular a sua conduta.

No perodo que decorre, entre a infncia e a adolescncia, os problemas religiosos comeam ta 
ser observados e julgados numa

perspectiva crtica que deriva do; desenvolvimento dos potenciais intelectuais, da. 
capacidade de organizar e dar experincias. Assim acabam por se equacionar as contradies, 
entre as noes que foram transmitidas anteriormente e a verdade observvel. Criticam-se os 
anteriores, ensinos formal, dogmtico, e doutrinrio, e

adere-se a novos esquemas.

Da dvida que a partir desta etapa comea a germinar todo o verbalismo dogmtico das noes 
religiosas transmitidas, nada mais produz do que o acentuar das dvidas.

No adolescente, este tipo de educao religiosa, dogmtica e

doutrinria, mantm a dvida, e a rejeio  frequente.

Numa elevada percentagem de adolescentes, o facto. de continuarem a praticar a religio, 
embora sem f , deve-se  dependncia de poderes paternais ou a convenincias scio-
econmicas.

A rebelio do adolescente contra a imposio autoritria da religio,  a resultante da sua 
independncia, auto-afirmao e reconhecimento da fragilidade dos exemplos que lhe so dados 
pelo comportamento real do adulto e pelos, conceitos religiosos que pro. pagam.

Na conquista da independncia, moral e mental,  inevitvel que o adolescente normal duvide 
das suas crenas religiosas.  de admitir, contudo, embora rejeitemos a existncia, de uma 
vocao religiosa que, em certa medida, e em alguns adolescentes, sobretudo nos mais 
propensos  depresso e  angstia, a religio possa ajudar a resolver certos conflitos, 
impulsos e desejos. Tal situao leva a que se aceite e divulgue que  alcanada assim uma

sade mental duradoura.

Quanto a ns,  deste grupo que sai, na idade adulta, grande percentagem das neuroses de 
angstia, histeria, depresses, etc.

Relativamente  vocao religiosa do adolescente, parece irrefutvel que os que se dedicam  
Teologia no o fazem por vocao, nem por atraco de qualquer interesse preciso. : a 
tradio familiar ou a nica forma possvel de prosseguir estudos. Tambm a

vaidade, a megalomania ou uma exaltao, do eu, que esconde frequentemente a dvida 
interior relativamente aos objectivos da f, tm a sua justa parte no acontecimento.

Os estudantes de Teologia, na generalidade, so caracterizados por extrema emocionalidade, 
actividade reduzida e marcada tendncia  reflexo.

Admitindo a existncia de uma autntica f,  natural que exista neles momentos felizes, e 
segurana na felicidade que experimentam. Numa anlise objectiva, deduzir-se- que  a 
emotividade que impulsiona todo o conjunto de estados e emoes que sentem.

Por paradoxal que parea, no  arriscado afirmar que a Teologia, como disciplina,  hostil 
ao telogo. A primeira dificuldade experimentada pelo estudante de Teologia, surge da 
necessidade de reflexo. Comea desde logo a, dificuldade de sustentar pelo raciocnio os 
aspectos dogmticos.

A dvida, dvida permanente j referida, no o abandona; aumenta de, dimenso e termina em 
fracasso. Da que a grande maioria dos estudantes de Teologia negligencie a frequncia dos 
respectivos cursos ou abandone a carreira aps a sua formao.

Tal situao, motivo de pblicas preocupaes das mais altas esferas eclesisticas,  
claramente demonstrada pelo teor de muitos documentos conciliares como, entre outros, a 
encclica Ad catholici sacerdotii de 20/1Z/1935. As concluses do LXX Congresso da Unio 
das Obras dedicado ao tema: Pastorais das vocaes sacerdotais e religiosas - Toulouse, 
Abril de 1961, em que se afirmou:

0 Congresso quis pr em relevo o carcter eclesistico de toda a vocao. Por isso,  
necessrio apresentar aos jovens uma catequese da Igreja, que ilustre a variedade das 
vocaes e que faa ressaltar as funes essenciais da sua existncia e misso ... .

A pastoral das vocaes  dever de toda a Igreja, de todos os

candidatos: sacerdotes e laicos, famlias e educadores, laicado organizado. 

Quem no v que a comunidade crist, e toda a famlia em

particular, compartilha com o sacerdote, a responsabilidade das vocaes! 

A comunidade familiar  o ambiente privilegiado onde soar, no mbito da vocao baptismal, 
a chamada  vida sacerdotal e  vida religiosa.

83

Nota-se com nitidez uma forma pouco ortodoxa mas impositiva de conquistar vocaes.

Pio XII, em Menti Nostra e afirma: Os Ministros de Deus devem procurar no s nas prdicas 
e na instruo catequstica, mas tambm em conversaes privadas, dissipar os prejuzos to 
difundidos contra o estado sacerdotal, mostrando sua dignidade. excelsa, sua beleza, sua 
necessidade e seu alto mrito... Todos os cristos, em geral, devem sentir o dever de 
favorecer e ajudar todos quantos se sentem chamados ao sacerdcio ... .

Tambm Joo XXIII, prosseguindo o preconizado por Pio XII, diz em 1961 :... a experincia, de 
toda a vocao confirma a importncia do ministrio pastoral para a formao dos jovens 
chamados ao sacerdcio, e recorda a todo o sacerdote, suas responsabilidades e deveres num 
campo to, delicado e prometedor.

Em Abril de 1965, em carta aos prefeitos das Sagradas Congrees, volta Paulo VI a chamar a 
ateno para o problema, nos

seguintes termos: ... No h dvida de que ao nosso ministrio apostlico, s nossas 
fadigas, venerveis irmos no episcopado, se

une o dever de todas as, almas consagradas, de todos os laicos que colaboram com o apostolado 
da sagrado hierarquia e de todos os fiis, para preparar e promover mediante a orao e a 
penitncia, com o sacrifcio e com a actividade, um novo e esplendoroso florescimento das 
sagradas vocaes.

Conceitos desta natureza encontram-se em muitos outros documentos conciliares, sobretudo nos 
ltimos 40 anos. Citaremos ainda o decreto Optaram Totius em que se diz: 0 dever de fomentar 
as vocaes afecta toda a comunidade crist, a qual h-de procur-lo com uma vida plenamente 
crist. A maior ajuda neste sentido , por um lado, a das famlias ... por outro, a das 
parquias ...  Esta activa colaborao de todo o povo de Deus no fomento de vocaes 
responde  aco da divina providncia.

O Conclio determina que as obras das vocaes organizem metdica e coerentemente e promovam 
com igual discreo e zelo

toda a aco pastoral no fomento de vocaes, aproveitando para isso todos os sucessos teis 
que ofeream as modernas doutrinas psicolgicas e sociolgicas.

Ressalta dos textos transcritos, a ideia de se pretender construir vocaes, mobilizando para 
tal uma poderosa mquina que, fixando-se na famlia e na criana, ainda em fase psicogentica 
imatura, lhe inculque hbitos e deveres que a encaminham inconscientemente para o sacerdcio 
atravs do que chamaremos Vocao aliciada.

Vocao ser a, tendncia para exercer uma certa forma de actividade, tendncia que parece 
responder a uma espcie de apelo@ de acordo com as aptides, considerando-se estas uma 
virtualidade, ou melhor dizendo, o substracto de capacidades pr-existentes.

Para Ribot, tendncia, inclinao e instinto so sinnimos; todos significam necessidade,,-s 
fsicas e intelectuais do homem. Tais tendncias e instintos, condicionados ou fundados 
biologicamente, no actuam s na vida pessoal, mas tambm na profisso,.

Pode assim falar-se em inclinaes profissionais, entendendo-se por tal um empenho que se 
produz espontaneamente, para exercer-se numa direco determinada, um modo de ser que dirige 
o indivduo em certo sentido. Uma tendncia vocacional expressa-se por interesse durvel pela 
profisso em causa e pela concentrao de todas as foras no seu exerccio. Uma inclinao 
vocacional pode surgir sem estmulo exterior, apesar de situaes desfavorveis, 
inclusivamente contra certas resistncias. Admite-se que o

caracterstico da capacidade para uma profisso, reside nas aptites que se podem pr em 
evidncia, e que as inclinaes so fenmenos fortuitos e secundrios. Na prtica,  difcil 
distinguir vocao, interesses ou desejos ocasionais.

As inclinaes no se manifestam normalmente de maneira inconfundvel. Tal s se verifica em 
poucos casos especficos.

Os impulsos vocacionais no surgem definidos e so, por vezes, erradamente interpretados 
pelos homens. Na criana e no adolescente, a vocao no  mais que interesses ou desejos 
ocasionais.

A definio de vocao, tem que entrar em conta, alm dos componentes definidos por Ribot, 
com a maturidade social do indivduo, a informao profissional e com a estrutura da 
personalidade. Tambm o nvel intelectual, os seus interesse e habilidades especficas, as 
influncias scio-econmicas e prestgio profissional, s o factores implcitos.

No se pode, ainda que animados pela melhor f, exigir que a criana nas primeira, segunda 
ou terceira infncias, quando enviada  catequese, rena em si os potenciais referidos, que 
no

adulto ainda no esto definidos como a prtica o demonstra. Assim, ter que se concluir que 
a criana, o pr-adolescente ou adolescente quando entra no Seminrio para seguir a carreira 
reli

85

giosa, no o faz por vocao, mas to s pelas influncias exercidas e claramente expostas 
nos documentos que transcrevemos.

Alis, o sentimento religioso na adolescncia dever ser encarado com prudncia anloga  que 
se deve utilizar com o sentido moral. A adeso s prticas litrgicas, funda-se mais num 
fenmeno exterior, o gosto pelo cerimonial, que no conhecimento do significado ou regras da 
liturgia.

Assim, com a idade, so negligenciadas as prticas religiosas, surgindo um conflito entre os 
seus conceitos de Cincia e Religio que em especial os agentes da religio pelo seu 
dogmatismo e autoritarismo dilatam, provocando a dvida que no aproxima os que esto 
afastados e que afasta os que j esto no seu seio.

Segundo D. Super, a importncia do indivduo tomar decises, depende da sua liberdade para 
tom-las. Se esta liberdade existe, e o indivduo, tem acesso aos recursos ocupacionais e 
educacionais,, pode esperar-se que o, uso efectivo das oportunidades de explorao d lugar a 
conceitos do Eu, claros, realistas e harmoniosos que se

traduziro em apropriadas preferncias ocupacionais que culminaro com a eleio certa.

86

lx

ADOLESCNCIA E DELINQUNCIA

* Qui non vetat peccare, cum possit, jubet.

SI=CA

* <Quem podendo-o fazer, no impede que se cometa um crime, estimula-o).

IX

ADOLESCNCIA E DELINQUNCIA

Em trabalho anterior, tambm relativamente a adolescentes delinquentes afirmvamos: ... A 
sucesso rpida dos acontecimentos, as novas tcnicas e meios de comunicao - rdio, cinema 
e televiso -, dando, uma nova noo de espao e tempo, reduzindo distncias e condensando em 
poucos minutos sculos de histria, criam e desenvolvem novas concepes de vida, novos 
hbitos, novos vcios e novas necessidades que, encaradas sem maleabilidade, podem produzir 
grandes dificuldades e conduzir a conflitos sociais imprevisveis ... 

Nos captulos @antecedentes deixou-se descrita, ainda que! de forma sucinta, a problemtica 
da adolescncia, parecendo-nos que dai se poder inferior com relativa facilidade que uma 
grande, parte das perturbaes referidas constituem a ante-cmara da delinquncia.

Do que foi dito ressalta que a falta de uma aco preventiva eficaz, na conjugao dos 
esforos de Famlia-Escola-Estado,  fundamental para a normal formao de unia estrutura 
socializante.

A delinquncia, no,  atribuda s mesmas causas em estruturas scio-polticas diferentes. 
No vem w, -caso discutir se nos pases capitalistas ela resulta ou  consequncia, das 
estruturas poltico-econmicas e da imoralidade e contradies, de~ mesmo sistema poltico.

Tambm em relao aos pases no, capitalistas no vamos considerar se as causas no sero 
aquelas mas sim de natureza psicolgica e ideolgica, embora nestes o aumento seja 
inegavelmente inferior.

89

Sob um prisma politico-ideolgico no se chegar a qualquer concluso que faculte um 
diagnstico certo das causas de forma a elimin-las na origem. Na verdade, a delinquncia tem 
aumentado, embora em propores diferentes, em todas as latitudes, independentemente das 
estruturas polticas existentes.

J referimos que certas perturbaes mentais, afectivas ou emocionais, podem produzir 
condutas criminosas, tais como a cleptomania, e a piromania. As personalidades psicopticas 
ou sociopticas, podem levar a actos de violncia, agresses e at assasinatos, sem que o 
indivduo experimente a menor espcie de arrependimento.

No momento, em que trabalhmos a nossa amostra -delinquentes adolescentes detidos- a natureza 
dos delitos era fundamentalmente@ fraudulenta.

Os nmeros ento obtidos foram:

Furtos de natureza vria          .. ... ... ... ... ... ...       87,4% Estupro, atentados 
ao pudor,             vadiagem e outros da mesma natureza             ... ... ... ... ...         
7,8,% Homicdios    .... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...           2,9% Agresses      
... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...           1,9%

De entre os furtos evidenciam-se os relativos a automveis e motorizadas, 34,5 de; 8 % 
correspondiam a furtos por arrombamento e 6,7 01c a furtos com escalamento.

40,7,% dos delinquentes que forneceram estes resultados eram reincidentes.

67,8 1% dos mesmos indivduos eram rfos, filhos de pais separados ou filhos ilegtimos.

A distribuio dos delitos por zonas geogrficas da naturalidade dos delinquentes era:

Lisboa:

Furtos de automveis e motorizadas                ... ... ...      32,21% Furtos diversos         
... ... ... ... ... ... ... ... ...        18, 6 Estupro, atentados ao pudor, vadiagem                 
... ...      16,7

Arredores de Lisboa:

Furtos de automveis e motorizadas                ... ... ...        3,21% Furtos diversos         
... ... ... ... ... ... ... ... ...        10,2-/,

90

Provncia:

Furtos de automveis e motorizadas                  ... ... ...       48,4 Furtos diversos          
... ... ... ... ... ... ... ... ...          57,61% Estupro, atentados ao pudor, vadiagem e

agresses      ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...           66,6%

Ilhas Adjacentes:

Furtos de automveis e motorizadas                  ... ... ...         6,5% Furtos diversos          
... ... ... ... ... ... ... ... ...            6,81% Estupro, atentados ao pudor, vadiagem                     
... ...      16,71% Homicdios     ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...           100 
%

No localizados:

Furtos de automveis e motorizadas                  ... ... ...         9,7% Furtos diversos 
...          ... ... ... ... ... ... ... ...            6,8%

A naturalidade dos delinquentes distribui-se:

Lisboa    ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...             22,3% Arredores de 
Lisboa          ... ... ... ... ... ... ... ...            6,8% Provncia      ... ... ... 
... ... ... ... ... ... ... ...            54,3% Ilhas Adjacentes        ... ... ... ... ... 
... ... ... ...            9,7c/1o No localizados          ... ... ... ... ... ... ... ... 
...            7,8%

Saliente-se que, a mais elevada. percentagem de todos os delitos, exceptuando-se os 
homicdios, corresponda a naturais da provncia.

Cabe aqui citar Barahona Pernandes (1)  ... muitos destes indivduos, tantas vezes bem 
adaptados  vida rural e aceitveis num contexto social tradicional, se tornam cada vez menos 
ajustados, levantam difceis problemas nas complexas formas de vida actual cada vez mais 
urbanizada e tecnificada ... 

Nestes anos decorridos, quer desde o apuramento dos, nmeros atrs indicados quer em relao, 
 posio, de Barahona Fernandes, sofreu o mundo, em geral, e a sociedade portuguesa em 
particular,

(1) Preveno e recuperao dos diminudos mentais. In O Mdico, n., 869, 1968.

91

alteraes profundas as quais, ~ invalidar o exposto, apontam sem margem de dvida para 
fenmenos mais complexos.

Das transformaes havidas uma consequncia ressalta, com evidncia alarmante e em progresso 
imprevisvel. Referimo-nos  delinquncia violenta que ultrapassa em larga medida a, 
delinquncia fraudulenta.

Quer em 1968, data da posio de Barahona Fernandes, quer em 1973, ano em que trabalhmos os 
resultados j referidos, a delinquncia, a conhecida pelo menos, recaa em indivduos de 
extractos scio-culturais, menos favorecidos, os quais alm da estrutura familiar a que, j 
fizemos referncia, apresentavam ainda o

seguinte quadro:

50,7 1% filhos de pais alcolicos ou tuberculosos
11,9 @% filhos de doentes mentais ou sifilticos
10,2 % filhos de pais a cumprir penas de priso

8,4 1% filhos de prostitutas

o que, totaliza 81,2 -% do total.

Estes nmeros so impressionantes e, embora no representando o que se passava, na populao 
em geral, reflectem contudo uma problemtica social suficientemente grave, como ento 
dissemos, para ser possvel ignor-la.

Da nossa amostra mais de 70 1% de indivduos no, haviam concludo a instruo primria e os 
analfabetos, ou semi-analfabetos ascendiam pelo menos, a 32 9 1%.

Reportando-nos ainda aos nmeros por ns obtidos em 1973, verifica-se que a reincidncia 
atingia 40,7,%, o que no abonava o

trabalho de recuperao e adaptao idas instituies prisionais, cuja aco fundamentalmente 
repressiva, sem estruturas educativo-profissionais no poderia conduzir  futura integrao 
scio-profissional.

Diz Barahona Fernandes  ... a herana no  uma fatalidade absoluta. Mas quando essa 
herana no conta com uma organizao social que proporcione ao indivduo um ambiente bem 
estruturado nos sentidos psicolgico e scio-cultural, os factores hereditrios tomam d~ses 
invulgares na sua conjugao com os

factores do meio adverso.

92

J vimos que certas aces delituosas podem ser consequncia directa de perturbaes 
patolgicas - neurticas ou psicticas de desajustamentos familiares e de carncias scio-
econmicas.

Os traumatismos afectivos, a frustrao, a falta de controlo familiar, as excessivas 
liberdades concedidas, o dinheiro para satisfazer os caprichos da criana ou do adolescente, 
forma utilizada pelos pais, consciente ou inconscientemente, como compensao do pouco tempo 
que dedicam aos filhos, conduzem a unia desadaptao que nem sempre permite prever as 
consequncias dos seus actos.

A criana e o adolescente tm tendncia a identificar-se com certos personagens de romances, 
de filmes ou mesmo da vida real. Hoje, quando a violncia  a constante dos noticirios da 
imprensa, da rdio, dos programas de televiso e dos temas preferidos pelos produtores 
cinematogrficos com. o condimento da droga, da pornografia e afins, que! esperar da 
capacidade imitativa dos jovens?

A violncia colectiva expressada pelas lutas entre naes, povos, partidos, empresrios-
trabalhadores, desportistas e, tantos outros so os exemplos dirios que o adulto fornece ao 
jovem em

troca do que no lhe d: a segurana social ,a sade, a educao e a instruo e o apoio 
moral e afectivo.

Ter o adulto conscincia que o jovem reflecte a sociedade em que vive, a sociedade que o 
adulto lhe, d, em que os actos violentos so uma constante e a agressividade a forma de 
comunicao permanente dos, indivduos?

Poder-se- argumentar que o adolescente est em oposio sistemtica ao adulto. Nessas 
condies seria lgico exigir que perante, a violncia do adulto o seu comportamento fosse 
oposto. Tal posio enferma, como  evidente, do receio do adulto em aprofundar o assunto e 
aceitar as suas prprias culpas.

Existem vrias teorias explicativas da violncia, cada qual abordando o assunto consoante a 
perspectiva do autor ou autores.

Os factores intervenientes so mltiplos e uma, sntese das teorias; filosficas, biolgicas, 
psicolgicas e scio-culturais, no  tarefa simples, pela disparidade de pontos & viste, 
cuja harmonizao no,  fcil.

De uma anlise rpida, sem pormenorizar aspectos especficos das teorias indicadas, uma 
concluso parece possvel tirar: a delinquncia, quer fraudulenta quer violenta, resulta de 
uma socializa

93

o deficiente cuja responsabilidade social  inerente a qualquer colectividade organizada.

Antecedendo a reeducao do delinquente, -para a tornar desnecessria-, dever existir toda 
uma orgnica preventiva, no repressiva, que exera uma aco teraputica que se, estender 
desde o domnio estritamente, mdico ao foro scio-psicolgico,, individual ou de grupo. Tal 
terapia, assentando numa aco educativa dos familiares e no apoio escolar e profissional, no 
momento prprio, a todos, sm excepo, poder dispensar em grande medida a reeducao do 
delinquente cujos, resultados at hoje, entre os muitos, modelos experimentados, no tm sido 
muito animadores.

Mas se o que se expe se insere num vasto@ contexto scio-poltico-econmico, no  possvel 
atingir qualquer objectivo sem

se investir fundamentalmente, w apoio sem restries  infncia, proporcionando-lhe aquilo 
que todas as Constituies consagram como direitos do indivduo, sem artificialismos, 
promessas vs e socializao artificial.

Uma teoria que teve a sua poca, a de LOMBROSO, hoje ultrapassada, na qual se defendia que o 
delinquente possuia caractersticas fsicas que o distinguiam dos outros indivduos, tem 
aspectos a considerar.

Nos jovens delinquentes (situamo-nos na nossa amostra), no se evidenciam caractersticas 
fsicas diferenciadoras do indivduo normal. Todavia, pelos dados que expusemos, fcil se 
torna verificar que a sua provenincia era oriunda de extractos scio-econmico-culturais 
baixos. Assim, as cicatrizes de vria ordem, desde as resultantes de doenas contra as quais 
no tinha havido vacinao, s resultantes de desastres motivados por estarem abandonados a 
si prprios eram sinais comuns a muitos dos indivduos. Os defeitos fsicos, resultantes de 
falta de cuidados, de promiscuidade e da ignorncia dos pais, so uma realidade.

Tipos dbeis e enfermios eram comuns. Aqui os factores hereditrios e as perturbaes do 
desenvolvimento fisiolgico radicadas em deficiente alimentao seriam as causas.

Parece fora de dvida que enquanto s estudarmos delinquentes oriundos dos extractos 
referidos, e so s desses extractos os indivduos que se encontram nos nossos 
estabelecimentos prisionais e que constituem a chamada delinquncia desprotegida, as 
caractersticas apontadas sero um facto.

94

Se compararmos indivduos dos mesmos extractos sociais, delinquentes e no delinquentes 
encontraremos de comum as mesmas marcas assinaladas aos delinquentes.

A suposio aceite e muito generalizada de que os delinquentes so, em regra geral, dbeis 
mentais, no corresponde exactamente  realidade, embora o dbil, devido  incapacidade de 
prever as

consequncias dos seus actos, possa mais facilmente praticar aces delituosas.

Na nossa amostra encontrmos com Q.I. (quociente intelectual) correspondente a ;dbil mental, 
21,9 @9c; com Q.I. inferior,
20,6 @%; com Q.I. normal baixo, 19,5 %; com Q.I. normal, 30,5%

e com Q.I. superior ao normal, 7,5 @%.

Esclarea-se que muitos destes casos devem considerar-se pseudo-dbeis, devido ao tardio 
desenvolvimento da inteligncia resultante de factores hereditrios,, doenas, crnicas e 
problemas endcrinos.

Deste modo os 21,9,Te de dbeis, mais os 20,6,% de inferiores
- 42, 5 % do total -, devem ser encarados com certas reservas, porquanto uma parte deles 
exerciam actividades profissionais com comportamentos normais.

O delito motivador da deteno, como j vimos,  em grande percentagem o furto, de veculos 
motorizados ou seja a necessidade de afirmao do Eu, o amor  aventura ou a agressividade em

relao ao meio hostil que o rodeia.

Nas adolescentes delinquentes, sobretudo nos casos de prostituio, encontram-se raparigas 
com um desenvolvimento fsico acima do normal, uma maturidade precoce, o que constitui um 
conjunto de caractersticas que desperta a sua ateno para os problemas sexuais. Tais 
atractivos fsicos -na nossa, sociedade colocam as raparigas em perigosidade moral, 
exploradas e comercializadas, uma vez que a. sua maturidade afectivo-social no corresponde 
ao seu desenvolvimento fsico.

No nos vamos alongar neste tema dif leil, mas impe-se registar que as causas da 
delinquncia, hoje, ultrapassam as tradicionais que j referimos, tendo atingido camadas em 
que os condicionalismos scio -econmico- culturais no so justificao suficiente.

H que procurar nos conflitos sociais, na, frustrao resultante do comportamento e exemplos 
ambguos do adulto a razo de o desenvolvimento emocional da criana e do adolescente, ser

95

gravemente afectado, quando o meio ambiente que os rodeia e onde eles esto, ou deviam estar 
inseridos, no fornece ndices de segurana, de apoio, e de reconhecimento.

A desorganizao, na acepo, do termo, afecta no s a estrutura e a forma de sociedade, 
como tambm se projecta na estrutura e na funo dos indivduos, sobretudo nos que se 
encontram em fase de desenvolvimento, culminando, na deficiente ou na no integrao dos 
jovens na sociedade. Dai o, desinteresse e hostilidade aos adultos e. s actividades que o 
meio ambiente lhes oferece.

Os polticos (?), os socilogos, em concluso todos ns, temos algo a aprender e muito a 
fazer e a deixar fazer piara assegurar a sade mental dos nossos jovens. H que ser lestos, 
pois as rpidas mutaes do nosso tempo aumentam sucessiva e rapidamente as nossas dvidas e 
confuso relativas aos distrbios do comportamento que, nos jovens, j atingem dimenso 
alarmante.

96

x

CONCLUSO DOS RESULTADOS GERAIS

* Conscientia rectae voluntatis maxima

consolatio est rerum incommodarum.

CICERO

* (A conscincia de uma inteno recta  o maior consolo no infortnio).

X

CONCLUSO DOS RESULTADOS GERAIS

Neste captulo apresentam-se os resultados globais relativos a todos os grupos testados, os 
resultados de cada grupo, e as comparaes inter-grupais e inter-variveis.

Procurou analisar-se com base na problemtica enunciada nos

captulos correspondentes, o comportamento dos oito grupos em

estudo atravs da reaco global ao teste e parcialmente a cada uma das questes, na tripla 
perspectiva de julgamentos justos (desaprovao das situaes dadas), julgamentos injustos 
(aprovao das decises tomadas) e julgamentos duplos (ambiguidade ou ambivalncia das 
opinies expendidas).

Alm dos dados numricos em termos de percentagens, apresenta-se a representao grfica de 
todos os resultados obtidos, uma vez que tal representao permite um outro potencial 
atractivo e facilitador da comparao dos dados obtidos.

Como j se acentuou, a estrutura do instrumento utilizado no facilita a apresentao de um 
tratamento estatstico dos dados, como  usual nos nossos trabalhos. Tal no impediu, no 
entanto, embora sem utilizar todo o potencial cientfico que a psicometria pe ao nosso 
alcance, que se determinassem alguns valores estatsticos.

A experimentao no seu verdadeiro sentido supe, geralmente, que o experimentador tem 
possibilidade de intervir no fenmeno observado, modificando as condies adentro das quais 
os

mesmos se desenrolam (variveis independentes so as susceptveis de modificao; variveis 
dependentes so as no alterveis).

99

No caso concreto presente, atendendo ao instrumento suporte deste trabalho, foi uma 
preocupao dominante no intervir nem

influenciar, em qualquer circunstncia, a expontaneidade da tomada de posio dos indivduos 
testados.

Assim independentemente da fragilidade metrolgica do teste Tsedek, procurmos orientar 
este trabalho numa objectivao prpria da psicologia cientfica de forma a que os dados 
obtidos possam ser verificados e a experincia repetida por qualquer observador conhecedor 
dos princpios e das tcnicas utilizadas na experincia que realizmos.

Dos resultados estatsticos apurados verificmos que a correlao do teste Tsedek com a 
inteligncia, relativamente aos

julgamentos justos (desaprovaes) utilizando para o efeito o teste I.A., aferido para a 
populao portuguesa,  inferior a r =: .20, mais precisamente r = .189, o que corresponde a 
uma correlao ligeira e interdepend ncia insignificante. O mesmo se verifica no que 
concerne ao comportamento dos delinquentes ao teste e  sua conduta real, em que a correlao 
 praticamente nula. Tal facto poder demonstrar que o delinquente, com excepo dos casos de 
debilidade mental, conserva uma clara noo de bem e de mal, pelo que a causa da delinquncia 
dever ser procurada em anomalias de caractersticas diferentes, como alis, j referimos em 
captulos anteriores.

Do exposto no  lcito inferir que no continuemos a lutar pela necessidade da aferio e 
adaptao de tcnicas psicolgicas para a populao portuguesa, a qual deveria constituir 
tarefa prioritria. Tal facto, atendendo  actual conjuntura da sociedade portuguesa, no nos 
parece suficiente para desprezar o material que alicera este estudo e no o trabalhar dentro 
duma perspectiva psicolgica.

xxx

Passando  anlise dos resultados, detenhamo-nos no quadro 1. Dos valores nele inscritos 
ressalta que todos os grupos apresentam percentagens mais elevadas no Julgamento Justo 
(desaprovaes). Segue-se em ordem de grandeza O Julgamento Duplo (ambguo), fixando-se a 
percentagem mais baixa no Julgamento Injusto (aprovaes).

100

QUADRO 1

Percentagens gerais

N@700

Grupos

Julgamento

ObserJusto

Injusto

Duplo

vaes

Anterior a 1974

Liceu    asculino   ... ... ...

804clo

4,4%

152%

Liceu Feminino    .. ... ... ...

1
79,6%

6,2%

1
14,2%

Delinquentes     ... ... ... ...

70,3%

205%

73%

19

Seminrio     ... ... ... ... ...

1
60,7%

1
8,2%

Foro neuro-psiquitrico

Masculino    ... ... ... ... ...

73,3%

6,0%

181,0%

2,7%

Feminino      ... ... ... ... ...

773%

83%

112%

32%

Depois de 1974

Liceu Masculino    ... ... ...

1

633%

1

92-/,

1

27,5%

Liceu Feminino

1
6760fo

5 3 c7- 1
27 1 o

1

Mdias .

7160/8 5 0/1900/1  1

09

1

1     1



... i

.. . .......

... ....... .

que se apresenta o comportamento do filho em relao  me que se encontra, em dificuldades. 
A questo menos compreendida foi a

3, a de um homem que deseja o lugar de outro usando para o efeito o processo da intriga.

Estes valores apresentados no Grfico II, sero agora analisados de forma a determinar quais 
os grupos que mais contriburam para a, sua materializao.

No quadro 3, apresentam-se os items por ordem crescente percentual verificando-se que no 
Julgamento Justo a percentagem mais baixa recai na questo 5 e a mais elevada na questo 9. 
No Julgamento Injusto a posio  ocupada respectivamente pelas

QUADRO 3

Items por ordem crescente de percentagens -Geral

Julgamento

Items

Justo

Items

Injusto

Items

Duplo

Items

No comp.

5

59,5%

3

1,6%

i  9

10,9%

1

o

15

61,1%

10

2,9%

2

11,5%

7

o

11

61,6.%

9

30%

7

11,9%

9

o

6

65,2,%

4

3p3%

3

13,2%

12

o

10

66,6%

7

3,9,%

8

13,6%

o

13

67,8%

12

4,6%

1

14,6 -lo *

5

O,4%

14

68,4%

14

7,3%

13

No quadro 4, Grupo de Controle Masculino anterior a 1974, verifica-se que no Julgamento 
Justo, existe coincidncia, porquanto a questo 9 foi a mais reprovada, sendo a questo 15 a 
menos

reprovada. No Julgamento Injusto, neste grupo,  a questo 8, a

dos doentes curveis e incurveis a que obteve mais aprovaes e no Julgamento Duplo  
tambm a dos estrangeiros que aparece em evidncia.

QUADRO 4

LICEU - MASCULINO Percentagens por items (At 1974)

N=1.00

Items

Julgamento

ObserJusto

Injusto

Duplo

vaes

1 .. ... ... ... ... ... ... ...

73 %

10 %

17 elo

2    . . ... ... ... ... ... ...

93 %

31 %

4 %

3 .. ... ... ... ... ... ... ...

97 %

3 %

4      . ... ... ... ... ... ...
90 ;%

& 170

7 %

5 .. ... ... ... ... ... ... ...

77 %

3 %

20 %

6                .. ... ... ...

80 %

7 %

13 0/,

.. ... ... ...    .
7 .. ... ... ... ... ... ... ...

90 %

3

7 %

8

77

17

6 v-?

.. .1 . ... ... ... ... ... ...
9 .. ... ... ... ... ... ... ...

97

3 %

10..

83 %

17

11 .. ... ... ... ... ... ... ...

70 %

3

QUADRO 5

LICEU - MASCULINO

(At 1974)

Items por ordem crescente de percentagens

Julgamento

Items

Justo

Items

Injusto

Items

Duplo

Items

No comp.

15

43 %

3

o

3

3%

11  1

70%

9

o

9

3%

1  1

73%

10

o

2

4%

14

73?%

12

o

8

6%

i

5 i

7 7 -/<,       1

14

o

4

7%

i

8 @

77-/,  1

2

3%

7,c/,

i

QUADRO 6

LICEU - FEMININ0 (At 1974)

N=100

Percentagens por items

T@

Julgamento

Obserems

Justo

Injusto

Duplo

vaes

1 .. ... ... ... ... ... ... ...

75 %

6 % 1

19 %

2 .. ... ... ... ... ... ... ...

100 %

3 .. ... ... ... ... ... ... ...

100 %

4 .. ... ... ... ... ... ... ...

88 %

12 %

5 .. ... ... ... ... ... ... ...

75 %

6 c/,

19 %

6 .. ... ... ... ... ... ... ...

62 %

1,3 @%

25 %

7..

94 %

6

8 .. ... ... ... ... ... ... ...

69 T,

19 %

12 %

9

94 CZ,

6 Q,

.. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
10   .. ... ... ... ... ... ... ...

100 %

11

69  c76

QUADRO 7

FEMININO - L.ICEU

(At 1974)

Items por ordem crescente de percentagens

Julgamento

Items

Justo

items

Injusto

Items

Duplo

Items

No e Mp.

14

50%

2

o

2

o

13

56%

3

o      1

3

o

6

62%

4

o

@ 10

o

8

69%

7

o

1  7

6%

1

11

69%

9

o      1

9

6%

1

1

75%

10

o

4

12%

5

75%

12

o

i  8

12%

QUADRO 8

LICEU - MASCULINO

(Depois de 1974)

N, = 100

Percentagens por items

1 Items

Julgamento

ObserJusto

Injusto

Duplo

vaes

.. ... ... ... ... ... ... ...

so 50

3 %

17 %

2 .. ... ... ... ... ... ... ...

83 %

17 %

3..

67 %

10 %

23 %

4 .. ... ... ... ... ... ... ...

63 %

10 %

27 %

5

43  Q,

23 %

34

6 .. ... ... ... ... ... ... ...

47 %

13

40

7

7 O Q7 %

23 To

.. .. . ... ... ... ... ... ...
8 .. ... ... ... ... ... ... ...

67 %

20

13 %

9

63 c/7 cI,

30 C@1.. ... ... ... ... ... ... ...
10 .. ... ... ... ... ... ... ...

37

3 -%

60 c/c

11 .. ... ... ... ... ... ... ...

56 %

7 %

QUADRO 9

MASCULINO - LICEU

(Depois de 1974) Items por ordem crescente de percentagens

Julgamento

Items

Justo

Items

Injusto

Items

Duplo

No comp.

10

37%

2

o

13

10% 1

5

43%

12

o

8

13%

i

6

47%

14

o

1

17%

11

56%

10

3%

2

17%

4

63%

@ 1

3%

15

20%

i     1

15

63%

7%

3

23%

9

63%

9

7% @

7

23-/,

QUADRO 10

LICEU - FEMININO

(Depois de 1974)

N=100 Percentagens por items

Julgamento

Obscr@

Items

Justo

Injusto -J

Duplo

vao

.. ... ... ... ...    .. ... ...

80 %

10 % @

10 %

2.. --- ..   . ... . ... ...
3 .. ... ... ... ... ... ... ...

1
4 .. ... ... ... ... ... ... ...
5 .. ... ... ... ... ... ... ...

70
77
57 %
50 %

20  C/C

30 %
23 %  i
43
30 %

i
6          .. ... ... ... ... ... i

70 %

3 %

2 7 %

7 .. ... ... ... ... ... ... ...

77 %

3 %

20 %

8           . ... ... ... . 67 %

10 %

23 %

9 .. ... ... ... ... ... ... ...

83 %

3 %

14 %    1

lo .. ... ... ... ... ... ... ... li60 %
57 %

3 %

40 %
4-0 C/(

12
13       ... ... ...
14

70 %

77 do
6 3 9'10

30 %
23 %

2 7 <,@,

.. ... . 1. ... ... ... ... ..
15  .. . . ... ... ... ... ... ...

57 %

17 %

26 %    1

Mdias   ... ... ...

676%

1  5,3 %

QUADRO 11

FEMININO - LICEU

(Depois de 1974) Items por ordem crescente de percentagens

Julgamento

Iteras

Justo

Items

Injusto

Items

Duplo

Items

No com

5

50%

2

o

10%

4

57%

3

o

9

14-/,

11

57%

4

o

7

20%

15

57%

10

o

3

23%

10

60%

12

o

8

23%

14

63%

1 13

o

13

23%

8

67 @%

1  6

3%

15

26%

QUADRO 12

SEMINARIO

(Antes 1974)

Items por ordem crescente de percentagens

Julgamento

Items

Justo

Items

Injusto    @@ Items

Duplo       Items

No comp.

5

1
40%

3

o

9

13%

11

40%    1

4

o       15

13%

6

43%

9
o     1  8

20%

10

53%

12

o

7 @

23-/,

14

57%

7

7,%

@ 13  1

23%

1

60%

10

7%

1  1

275,

2

60%

11

7%

12

275,

4

60%

QUADRO 13

SEMINARIO

(At 1974)

N=100

Percentagens por items

Items

Julgamento

ObserJusto

Injusto

Duplo

vaes

1 .. ... ... ... ... ... ... ...

60 %

13 Tc

27 %

2

60 %

10

30 %

3 .. ... ... ... ... ... ... ...

67

33 %

4 .. ... ... ... ... ... ... ...

60 %

40 To

5.- ... . .. ... ... ... - ...

40 %

10  %

50 %

6 .. ... ... ... ... ... - ...

43 %

13 c,-r

44 %

7    ... ... ... ... ... ... ...

70 %

7  Te

23 %

.. ... ... ... ... ..

70 %

10 %

20  T,

9

87 %

13 %

10.. .  .. ... ... ... ... ... ...

53 To

7 o/e

40 %

11                    . .        . .

40 %

QUADRO 14

MASCULINO - CLINICA NEURO-FSIQUIATRICA (Antes 1974)

N=50 Percentagens por items,

Items

Julgamento

Obser- - --1

Justo

Injusto

Duplo

vaes

1      .. ... ... ... ... ... ...

90 :%

10 -141       1

2 .. ... ... ... ... ... ... ...

70 %

20,%

10 %

3         ... ... . . ... ... ...

so %

20 Q4  .. ... ... ... ... ... ... ...

70 %

20%

10 %

5

60 IZ10

30 11@1.. ... ... ... ...
6  .. ... ... ... ... ... ... ...

70 %

30

7 .. ... ... ... ... ... ... ...

90

10%

8  .. ... ... ... ... ... ... ...

so %

20%

9 .. ... ... ... ... ... ... ...

90

10 %

10  .. ... ... ... ... ... ... ...

70 %

30%

11  .. ... ... ... ... ... ... ...

70

10%

QUADRO 15

MASCULINO - CLINICA NEURO-PSIQUITRICA

(Antes 1974)

items, por ordem de percentagens

Julgamento

Items

Justo       Items

Injusto       Items

Duplo -1 @

Items

No comp.

15

50%

1

o

2

o

o

5

60%       3

o

3

o

5      o

13

60%

4

o

10%

6

o

2

70%

6

o

7

10%

7

o

4  1

70%

7

o

9

10%

8

o

6 1

70%

8

o

4

20%

9

o

10

70%       9

o     1

8

20-/,

10

o

11

70%      10

o     1

11

QUADRO, 16

FEMININO - CLINICA NEURO-PSIQUITRIcA (Antes 1974)

Percentagens por items

Items

Julgamento

ObserJusto

Injusto

Duplo

vaes

1  .. ... ... ... ... ... ... ...

76

12

1'2 %

2. ...        . .. ... ... ...

76 %

8 %

9 @%

8 %

.. ... ... ... ... ... ... ...

88 %

8

4 %

4@                 . ... ...

so c/12 0/,

8 %

.. ... ... ... ...   ..
5 .. ... ... ... ... ... ... ...

64 %

12 %

20

4 %

6

92 c54 01,

4  ,

.. ... ... ... ... ... ... ...
7 .. ... ... ... ... ... ... ...

96 %

4 %

8 .. ... ... ... ... ... ... ...

76 %

16 cI,

8 To

9 .. ... ... ... ... ... ... ...

88 %

4 %

8 %

10 .. ... ... ... ... ... ... ...

56 %

36 %

8 %

11 .. ... ... ... ... ... ... ...

60 %

16 %

QUADRO 17

FEMININO -CLINICA NEURO-PSIQUIATR.ICA

(Antes 1974)

Items por ordem crescente de percentagens

Julgamento

Items

Justo -1

Items

Injusto

Items

Duplo

@ Items

No comp.

10

56%

3

o

7

o

o

11

60-/,

4

o

6

4%

1  3

4%

5

64%

10

o

15

4%

5

4%

13

68%       6

4%

2

8%

13

4%

1

76%       7

4%

3

8%

14

4,%

2

76;%

9

4%

8

8%

2

8%

8

76%

14

4%

9

8%

4

8-1o

QUADRO 18

DELINQUENTES

PERCENTAGENS POR ITEMS

(At 1974)

Julgamento

ObserlteMs

Justo

Injusto

Duplo

vaes

.. ... ... ... ... ... ... ...

81 -/,

13 %

2 .. ... ... . . ... ... ... ...

55 %

3 9 -'/o

3 %

3 clc

3 .. ... ... ... ... ... ... ...

81 %

3 %

16 %

4 .. ... ... ... ... ... ... ...

74 %

13 %

10 %

3 -'/c

5 .. ... ... ... ... ... ... ...

67 To

26 %

7 %

6 .. ... ... ... ... ... ... ...

58 %

23

16 %

3 %

7 .. ... ... ... ... ... ... ...

87 %

7 %

6 -/,

8  . . .. ... ... ... ... ...

61 %

19 %

7

13 %

9  .. ... ... ... ... ... ... ...
10

87 %
74 %

10 %
13 %

3 %
13 %

.. ... ... ... ... ... ... ...

71 %

16 %

10 %

3 %

12

61  Q

29 %

QUADRO 19

DMLINQUENTES (Antes 1974)

Items por ordem crescente de percentagens

Julgamento

Items

Justo

Items

Injusto       Items

Duplo       Items

No comp.

1
1z

Ga </c      1    3

3%       1-3

o

o

15 @

55%       7

7%      15

o

3

o

6 @

58%       9

10%       2

3 <7c
5

o

8

61%    i

1

13%       9

3%

7

o

12

61 %

4

13%      14

3%    9

o

13

65%

10

13,7c       1 1

6%

@ 10

o

5

67%    1

11

16%       7 1

6 Ik

12

o

11

71%

8

19%       5

7 1;fe

14

o

4

74%    1

14

QUA

o 20

Comparao por item

em percentagens

N

700

Items

1                 Julgamento Justo (desaprovaes)                 1

Julgamento Injusto

(aprovaes)

Julgamento Duplo (intermdio)

Liceus

DelinClnica --1

Liceus

Clnica

Liceus

Clnica

Antes 1974

Depois 1974

Semi.nrio

quentes

M

F

Antes 1974 I-Depois 1974

Seminrio

Del nquenAntes 1974

Depois 1974

Seminrio

DelinObserv.

M

M

F

M

F

M

tes

i

M

F

M

F

as s exclusivamente nas intenes. No adolescente  a quebra dos bloqueios a que est 
submetido; nos adultos, o oportunismo, a ignorncia, a hipocrisia e o egosmo.

Se analisarmos e conjugarmos o traado do grfico IV com o

do anterior, verificamos que a diminuio das desaprovaes est substituda por um aumento 
de respostas duplas, com excepo na

questo 13. Como j referimos, as respostas duplas correspondem a posies intermdias, 
dbias ou ambguas.

No momento em que se fizeram as aplicaes do Teste, mesmo no presente, a situao 
poltica-econmica-social apresenta-se de tal complexidade que as respostas aos mltiplos 
problemas dificilmente podero ser correctas e perfeitas. Como o adolescente reflecte o meio 
em que vive, no  de estranhar que consciente ou

inconscientemente evite mostrar-se claramente optando por situaes intermdias.

O grfico V completa a anlise comparativa dos dois grupos de controle. Por ele se verifica 
fundamentalmente um aumentoaps 1974-de aprovao de situaes injustas -questes 4, 5, e 13, 
estas duas mais flagrantes.

A questo 5, refere-se  denncia do inferior em relao ao superior, sem o avisar. A questo 
13, refere-se  distribuio de quantidade suficiente de alimentos s pessoas vlidos em 
detrimento dos incapazes. A questo 4, admite a utilizao de calnia por indivduo que quer 
vencer outro numa eleio. Nestes casos o adolescente no respondeu ambiguamente, perfilhou 
as situaes. Aceitou a denncia, a calnia, e a imoralidade de dar aos velhos e incapazes de 
trabalhar uma rao alimentar insuficiente.

Verifica-se aqui uma falsa concepo de moralidade, uma violao de verdadeira justia e uma 
falta de humanidade a favor de um utilitarismo imediato e egosta.

No grupo anterior a 1974 a questo 8, dois tipos de instalaes paro doentes, uma melhor para 
os curveis, outro com menos cuidados para os incurveis, foi a que obteve maior aprovao 17 
t70, -mas inferior ao outro grupo-poder ser a consequncia da ideia egosta mas ento 
generalizada entre ns de que os que no produzem so um peso entre ns, no sendo em 
consequncia disso razovel tirar aos **@_Jteis para lhes dar.  o princpio universal da 
conservao, o qual antes de 1974, devido  falta de estruturas de apoio  velhice, e aos 
incapazes para o trabalho, se poderia nos jovens ter radicado e desenvolvido de forma 
egosta.

126

Mas, se o facto pode resultar de um instinto primrio de conservao comum a todos os animais 
no  possvel ignorar que poder tambm traduzir a hostilidade e agressividade aos 
representantes de um passado generalizado que lhes imps limitaes de que o adolescente se 
quer libertar numa afirmao de si prprio e da conquista de espao social que considera ser-
lhe devido.

No grfico VI (quadros 6, 7, 10 e 11) comparam-se,  semelhana do que se fez com os grupos 
masculinos, os grupos femininos testados antes e depois de 1974. Relativamente ao grupo 
testado depois de 1974 o perfil apresenta, com excepo dos items
1, 6, 13 e 14, valores inferiores no Julgamento Justo (desaprovaes). Alis, j no quadro 1, 
em termos globais, as diferenas se mostram significativas.

O grupo anterior a 1974, apresenta 79,6 % de desaprovaes baixando esse valor para 67,6 
olc,, no grupo testado depois daquela data. A diferena  de 12,3 %, enquanto nos grupos 
masculinos atinge a expresso de 17,1 01c.

Os items que no sofreram baixas referem-se, com excepo do item 6, a situaes que envolvem 
grupos. A questo 6, diz respeito  mulher que utiliza o aquecimento em perodo de 
restries. Os items 1, 13 e 14, correspondem respectivamente ao castigo de um soldado em 
cada dez por no se ter encontrado o culpado, na

reduo de alimentos s pessoas que no podem trabalhar e ao

comerciunte que reserva os gneros alimentcios pt-ra os clientes mais ricos. Em 
contrapartida os items 2, 3 e 10, que no primeiro grupo haviam obtido 100 @/o de 
desaprovaes, no grupo posterior a 1974, quedam-se, respectivamente em 70 c/,,, 77 Tc e 60 
Tc e correspondem a situaes em que as consequncias recaem exclusivamente sobre um s 
indivduo. Tambm a questo 7, 94 %, contra
77 %, contempla um caso de vingana individual. Os outros items que apresentam diferenas 
significativas s o: o 4, 88,% contra
57 % e o 5, 75 To contra 50 Te, tambm descrevem situaes pessoais ou individualizadas.

Os grficos VII e VIII, completam e permitem uma anlise mais pormenorizada dos elementos 
citados.

No grfico VII, o mais saliente  a diferena existente no item
5, 6 % contra 20 %, o qual demonstra a tendncia para aceitar a

denncia traioeira como acto normal. Alm deste s os items 1 e
15 (6 % para 10 do e 14 % para 17 %) com diferenas pouco significativas alteram no mesmo 
sentido o perfil do grfico.

128

Em sentido oposto situam-se os items 6, 8 e 13, com maior expresso, isto , as aprovaes 
diminuem relativamente  mulher doente que utiliza o aquecimento.... aos dois tipos de 
instalaes para doentes curveis e incurveis e  reduo de alimentos s pessoas idosas.

Passando  anlise do grfico VM relativo s respostas duplas, verifica-se fenmeno idntico 
do verificado com os grupos masculinos; a diferena global nestes foi de 12,3%, e no grupo 
feminino de 12,9 Te. Neste grupo, s os items 1, 13, 14 e 15, com alteraes pouco 
significativas, baixaram. Na generalidade, o

aumento da ambiguidade j expressa no grupo masculino  tambm uma constante no que se refere 
s raparigas, o que poder significar uma maior participao das adolescentes nas actividades 
de grupo, aproximando-se ou fundindo-se o respectivo comportamento com o do grupo masculino. 
A afectividade viva, espontnea (do corao), parece ter sido substituda por uma certa 
expectativa que no se pode traduzir por inibio psicolgica, mas por uma preocupao de no 
compromisso entre o que lhes  imposto como

legal e que nitidamente no admitem como justo, uma viso prpria, desindividualizada, numa 
sociedade que supem t-las reconhecido como gente.

O grfico IX, que alm de resumir os valores inscritos no quadro 20 -e se apoia nos quadros 
4, 5, 8, 9, 12 e 13 -, compara os traados por items dos grupos masculinos testados antes e 
aps
1974, com o grupo de estudantes seminaristas.

Ressalta com clareza que o maior nmero de desaprovaes pertence, ao grupo anterior a 1974, 
com o valor global de 80,4,%, seguindo-se o grupo posterior quele ano com 63,3,%, situando-
se em ltimo lugar os estudantes seminaristas com 60,7;% (vide quadro 1).

Na anlise por item (quadro 20) tambm  notria a supremacia de desaprovaes do primeiro 
grupo, com excepo dos items
1 e 15, em que  substitudo, no 1, pelo grupo testado, depois de
1974, e no 15 pelo grupo de seminaristas. No item 1, o grupo anterior a 1974, apresenta 73,% 
de desaprovaes, enquanto, o

valor do posterior quela data ascende a 80 %. Os seminaristas situam-se unicamente em 60%. 
No que concerne ao item 15, as posies so respectivamente: antes de, 1974, 43@0/c; aps 
1974,
63% e seminaristas 70 @Te.

131

-<. @:. - i-- - --   :.. .....   :--:: -: .                 --- -   -                                                                   
i

.  :                     .: ::  ...:      . . .         .    .                                                                   
i                      . . y
11                                       .    i                                                                                                                
1

os perfis do grupo posterior a 1974 e o dos seminaristas  muito aproximado. As diferenas 
mais acentuadas residem nos

items 1 e 9. No 1, o grupo posterior a 1974 apresenta mais 20 5c de desaprovaes. Em 
contrapartida. no item 9 os seminaristas apresentam mais 24 %.

O item 1  o do comandante que manda castigar um soldado em cada 10, por no ter descoberto, 
o autor de um rombo. O item 9 descreve a situao do indivduo que abandonou a me que, 
devido ao seu comportam@--wto,1 foi acusada e condenada.

Enquanto os seminaristas aceitam a prepotncia do castigo como necessidade de dar exemplo de 
disciplina forte, reflectindo de certo modo a disciplina pouco malevel a que eles prprios 
esto sujeitos e, de certa forma,, unia tendncia para se defenderem, no sendo de esquecer o 
tipo de emulao no passado (s?) e de denncia que se desenvolvia na vida conventual. Quanto 
 resposta 9, ela pode reflectir a necessidade de manifestar sentimentos de humanidade, e 
caridade, parte integrante da sua educao e comportamento, terico. No repugnar, no 
entanto, relativamente a

alguns casos, aceitar que as respostas so manifestaes de uma

afectividade viva e autenticidade de sentimentos.

Este tipo de resposta, embora o mais elevado do grupo de seminaristas - 87 % - foi contudo 
superado pelos grupos masculino e feminino anteriores a 1974, respectivamente com 97 1% e

94 0/c, o que no deixa de ser bastante significativo, atendendo s estruturas educativas dos 
diversos grupos.

Ainda nas questes 11, 12 e 14, os seminaristas apresentam maior nmero de aprovaes do que 
qualquer dos outros dois grupos.

A 11, refere-se ao caso da assistente social, a 12, ao professor sem escrpulos que, 
classifica todos os alunos da mesma, forma, a

14, ao comerciante que guarda os gneros para os mais ricos.

Nestes casos aceita-se novamente o castigo injusto, embora aparentemente legal e a 
desonestidade atravs da qual resultam benefcios de utilitarismo imediato, para. alguns, que 
noutras circunstncias os no teriam.

Vejamos os grficos X e XI, relativos aos Julgamentos Injustos e Duplos que completam o 
panorama dos grupos em comparao.

Nas aprovaes (Julgamento Injusto) sobressai, globalmente, o aumento de 4,4 ddlo para 9,3 1% 
verificado no grupo posterior a

134

1974, em relao ao anterior quele ano. Na anlise por items, o mais evidente so os 
aumentos no grupo posterior a 1974, nos items 3, 5, 6 e 13. Nos seminaristas os mais elevados 
so os 5, 6,
8, 13, 14 e 15, cujas situaes so:

5-   denncia do superior pelo soldado
6-   mulher doente que utiliza o aquecimento
8-   tipos de instalaes diferentes para doentes curveis e incurveis
13 - insuficiente rao de alimentos para as pessoas

idosas e incapazes de trabalhar
14-   comerciante que reserva os gneros para os mais

ricos
15-   durante o racionamento desfavorecer os estrangeiros residentes no pas

De notar que o perfil idos seminaristas est muito prximo do referente aos indivduos 
testados aps 1974, e que, o item 8, com

excepo do 15,  o que apresenta maior semelhana de perfil nos trs grupos.

Sobressai um ntido, aumento do egosmo no julgamento das situaes no grupo posterior a 
1974, comparativamente ao anterior. Relativamente, aos seminaristas a diferena j existia. O 
fenmeno que agora se verifica  o dos alunos liceais no sujeitos  mesma -disciplina se 
afastarem do grupo paralelo para se aproximarem de um de estrutura diferente.

Parece, ainda que possa pecar por absurdo, que nos adolescentes a disciplina rgida e a 
liberdade incontrolada provocam reaces idnticas em relao s situaes sociais com 
alternncias consoante as situaes so situadas em grupos ou individualizadas. No grfico XI 
apresentam-se, tambm com referncias aos mesmos grupos, os perfis dos Julgamentos Duplos 
(ambguos).

O grupo anterior a 1974,  excepo do item 15,  o que menos ambiguidade de posies assume. 
Globalmente os, resultados verificados foram 15,2% (antes de 1974), 31,1,% (seminaristas) e

27,5 0/c (aps 1974). Estes valores mostram que o grupo mais ambguo, que maiores dvidas 
teve na tomada de posies definidas foi o dos seminaristas, logo seguido pelos estudantes 
liceais depois de 1974.

Relativamente ao grupo anterior a 1974, considerado grupo normal de controlo, podemos aceitar 
que o facto de no estar con

135

dicionado por aspectos de disciplina colectiva, deu internatos, lhes faculta a expontaneidade 
de resposta, reagindo de, acordo com o

seu sentir e a perspectiva social que ele, prprio @elaborou, -no Premeditando 
utilitariamente a resposta e no se refugiando na ambiguidade e na duplicidade.

O mesmo no se pode dizer em relao ao grupo posterior a
1974, que usufruiu liberdades nunca queles concedidas, desde o

estatuto de eleitor ao de dirigente e gestor de rgos acadnicos, de trabalhadores e -de 
outros. A ambiguidade deve ser procurada na imaturidade e na rapidez de promoo na vida 
colectiva, as

quais envolveram o adolescente no contexto e problemtica do adulto, para o que no estava 
preparado. Para no comprometer as situaes adquiridas, defende-se, no se afirmando 
concretamente para no denunciaras suas dificuldades em acompanhar o ritmo, imposto por 
situaes e fenmenos que ele sentia no poder controlar.

Embora nas ambiguidades este grupo se assemelhe ao dos seminaristas, as causas diferem. 
Nestes, o imperativo de cumprirem uma moral religiosa, geradora de mltiplas dvidas, j 
acentuadas, condiciona, e limita a expontaneidade prpria do adolescente e provoca uma 
desindividualizao, na perspectiva de um

comportamento esteriotipado, para o exterior. Tal comportamento engloba a mimieg,, o gesto e 
a palavra, n o lhe permitindo assumir livremente responsabilidades ou tomar atitudes sem 
comprometer a lgica do seu futuro na manuteno de boas relaes em todos os quadrantes e 
latitudes.

Neste grupo as maiores ambiguidades situam-se nos items 4,
5, 6, 10 e 11, todas referentes a situaes individuais, onde a calnia, a denncia, ia 
desumanidade e a prepotncia so a estrutura das injustias embora de certo modo apoiadas, em 
alguns aspectos legais mas injustos. No grupo posterior a 1974, as questes 5, 6 e 10 so as 
mais evidentes e comuns ao grupo anterior. No grupo anterior a 1974, s a questo 15, 
apresenta maior ambiguidade do que nos outros grupos. Nessa data tomar posies de tipo 
internacionalista no era cmodo. Ser essa a razo que, ter levado os jovens nessa altura a 
se defenderem, respondendo  questo sem se comprometerem. Poder ainda admitir-se que os

muitos anos de propaganda de um nacionalismo faccioso os levasse inconscientemente a adoptar 
tal tipo de respostas.

1S9

Passemos  anlise dos mesmos grupos liceais com o dos delinquentes. Por ocioso poremos aqui 
em evidncia somente os problemas dos delinquentes, uma vez que, na apreciao do quadro 
anterior, j analismos os resultados dos grupos liceais,. O traado referente aos 
delinquentes merece que se lhe dedique alguns momentos de ateno. Em relao ao grupo 
anterior a 1974, s o item 14 apresenta uma ligeira superioridade (77 1% para 73,%); j no 
que se refere ao grupo posterior a 1974 verifica-se a superioridade nos items: 4, 5, 6, 7, 9, 
10, 12 13 e 14, ou seja dez items com maior nmero de desaprovaes. So desaprovadas em 
maior nmero as questes que implicam calnias, intrigas, delao, falta de humanidade, 
vingana, de abandono de, me, de cobardia, de injustia de classificao e distribuio de 
alimentos e de seleco dos clientes para distribuio das mercadorias.

Se analisarmos os grficos XIIII e XIV, verifica-se que estas desaprovaes no servem de 
padro de apreciao geral. Nota-se, no entanto, que o delinquente, teoricamente, tem a noo 
do seu grau de responsabilidade, mantendo estas, situaes comportamentos anlogos ao 
indivduo no, delinquente.

Devemos admitir que as respostas dos delinquentes podero em certos casos no ser sentidas, 
mas constituir um processo compensatrio, de valorizao, com a pretenso consciente ou 
inconsciente de dar uma imagem diferente de si, em oposio ao comportamento real, cujas 
causas tratmos noutro capitulo.

O grfico XIH confirma de certo modo a assero anteriormente exposta, porquanto mostra, quer 
globalmente quer por item, que as aprovaes das situaes injustas atingem a maior 
expresso, superior a qualquer dos outros grupos (Ver quadro 1).

Com excepo do, item 3, caso de intriga, todos os outros atingem percentagem superior aos 
dois grupos liceais.

Salientamos somente os items mais relevantes, que so: 2,
5, 6, 12, 13, 14 e 15.

O 15, com 45 1% de aprovaes,  o do racionamento a estrangeiros. O 2, com 39,%,  o da 
aplicao de uma pena a um indivduo de quem se suspeita mas de quem no h provas. Segue-se 
o 13, com 32%, no qual se prope dar mais alimentos s pessoas vlidas em prejuzo -das 
idosas e doentes. Logo a seguir o 12, com 29 do,  o do professor que classifica igualmente 
todos os alunos. O 5, com 26 1%,  o do soldado que denuncia o superior; o 6, com 23 Te,  o 
da mulher que utiliza o aquecimento durante um perodo de

140

proibio; e os 14 e 8, com 19 1%, correspondem relativamente ao comerciante que selecciona 
os clientes e ao hospital onde os doentes curveis so mais bem tratados que os considerados 
incurveis. Os outros items, ainda que com percentagem mais elevada que nos outros grupos, 
no apresentam diferenas to flagrantes.

Aqui os delinquentes no definem posies relacionadas com casos individuais ou colectivos, 
uma vez que as aprovaes recaem em todos os items. Pode observar-se que o valor mais alto  
do tipo egosta e utilitrio (15). O que se lhe segue, castigo arbitrrio, significar que 
aceita que o culpado deva ser sempre castigado, e pode constituir uma tentativa de mostrar o 
seu respeito pela justia (aqui incorrecta) de quem depende. O 13, representa o desprezo que 
sentem por aqueles que no os podem ajudar. O 5,  uma projeco,  a oportunidade de se 
vingarem dos que lhes impem obrigaes, e com o 6, procuram demonstrar o seu respeito pelo 
cumprimento das leis.

Com estes ou outros pressupostos justificativos o que, fica demonstrado  que o perfil dos 
delinquentes  de facto diferente dos no delinquentes.

O grfico XIV, que regista as respostas duplas dos grupos referidos, s merece notar que o 
perfil dos delinquentes,  o mais baixo do todos (ver quadro 1) na generalidade, e, por item, 
s o 3, com percentagem mais elevada do que o correspondente ao grupo posterior a 1974,  de 
registar: refere-se asse item ao caso da intriga.

So, neste, contexto, os) delinquentes, os indivduos que menor ambiguidade revelam. Ser 
isso indicador da menor capacidade de anlise e da menor necessidade de frenar os seus 
impulsos.

No grfico XV vo-se comparar os dois grupos liceais masculinos com o grupo de doentes 
assistidos no foro neuropsiquitrico. No nos debruaremos sobre os resultados dos grupos 
liceais j analisados anteriormente. Vamos situar, na medida do possvel, o perfil do grupo 
de doentes em relao aos outros dois grupos.

 curioso notar que o grupo de doentes apresenta um perfil de desaprovaes na generalidade 
inferior ao grupo anterior a

1974 (80,4 % contra 73,3 @%), mas superior ao posterior quele ano (73,3 Vo contra 63,3%). S 
os items 2 e 14 se situam em plano inferior aos do grupo ultimamente referido. O item 2,  o 
do indivduo suspeito, mas condenado sem provas, e o 14, o do comerciante que selecciona os 
clientes.

142

No grfico XVI, Julgamentos Injustos, tambm os doentes se situam entre os anteriores a 1974, 
e os posteriores. Os primeiros com a percentagem global de 6 19/c, os segundos com 4,4 % e os

terceiros com 9,2 %. Por items, existem 10, que no tiveram qualquer aprovao e os que a 
mereceram foram o 2, o 5, o 11, o 13 e o 15. As percentagens              pectivamente: 20 
e/c, 10,%, 10%, .gens so res
20 % e 30 Tc. O item 2,  o do homem castigado sem provas, o 13,  o dos alimentos s pessoas 
vlidas e o 15, o do racionamento a estrangeiros; o 5,  o da denncia e o 11, o da 
assistente social. Na generalidade casos individuais e de utilitarismo, imediato.

Com os Julgamentos Duplos a situao dos doentes  a mesma

intermdia entre os grupos masculinos iliceiais. So os items 5, 6,
10 e 12 os que atingiram mais percentagem (30,%) mas s o 10 e o 12 ultrapassaram os 
correspondentes do grupo posterior a 1974. Para no nos repetirmos com muita frequncia no 
identificamos aqui a natureza daqueles items.

Na generalidade parece confirmar-se a posio de BARUK, na qual defende que os doentes 
psiquitricos, sobretudo os depressivos, contrariamente ao que se pensa, mantm uma noo 
clara do bem e do mal, chegando mesmo ao extremo, de as preocupaes de rectido e justia se 
transformarem em estados fbicos que se

traduzem por complexos de culpa..

Aps as comparaes dos grupos masculinos entre si e antes da comparao dos inter-grupos 
especficos, isto , excluindo os

de controlo, ser oportuno comparar o grupo de controlo feminino com o grupo feminino de 
clnica psiquitrica.

Assim, no grfico XVIII observa-se que, no conjunto, o grupo feminino anterior a 1974  o que 
apresenta maior percentagem de desaprovaes (Julgamentos Justos), com 79,6 0/c, seguindo-se-
lhe o grupo de doentes com 77, 3%, quedando-se em ltimo lugar o

grupo de controlo posterior a 1974, com 67,6 %.

No que respeita aos grupos de controlo no vamos repetir o

que se disse, quando se apreciaram os resultados dos grficos VI, VII e VIII. Importa aqui 
ver a posio do grupo do foro mdico em que os resultados globais se aproximavam dos 
resultados do grupo de controlo anterior a 1974, afastando-se do grupo posterior quela data. 
O fenmeno j foi verificado com os grupos masculinos da mesma natureza, o que nos leva a 
repetir que a conscincia moral, em certas doenas mentais, pode no s persistir como

ainda avivar-se no desenrolar do processo evolutivo da doena.

145

10

Nos casos de melancolia, o facto traduzir-se- no s por ansiedade e tristeza, mas tambm 
por um sentimento de falta, de culpabilidade, que constituiro a dor moral.

Analisando o grfico por items (as percentagens globais constam do quadro 1), verifica-se, 
relativamente aos items 6, 7, 8 e 14, que os doentes obtm percentagens mais e-levadas de 
desaprovaes que o prprio grupo anterior a 1974. Neste, essas percentagens so 
respectivamente: 62     94,%, 69 1% e 50,%. No grupo de doentes as mesmas so: 92        
961%, 76,% e 76 %, respectivamente.

Os referidos items correspondem s seguintes situaes:

6 -   A mulher doente que utiliza o aquecimento, durante a proibio;
7 -   O homem que no acode ao seu inimigo que sofreu

um desastre;
8 -   O apoio aos doentes curveis e o desinteresse pelos

incurveis;
14 -   O comerciante que reserva as mercadorias para os

clientes ricos.

Verifica-se aqui a no existncia de uma diminuio, dos sentimentos de humanidade, sobretudo 
nas situaes individuais e

naquelas que mais de perto os afectam.

Relativamente aos grupos de controlo posteriores a 1974, e aos doentes, s o item 10, com 
601% e 56,%, respectivamente, se

situa em plano inferior, embora as diferenas sejam injustificativas. O item em causa  o que 
se refere  criana da escola que no  protegida pelos mais velhos.

Se o perfil do grupo dos estudantes testados aps 1974 pode significar os efeitos id@L poca 
de crise, dissociativa de transio e de baixa de valores, o mesmo no se pode aplicar ao 
grupo do foro mdico.

Como nos casos anteriormente observados, os grficos XIX e XX completaro a observao dos 
dados do grfico XVIII.

De facto relativamente s aprovaes (Julgamentos Injustos) embora de fraca expresso, 
apresentam aqui, no grupo de doentes, maior expresso (8,3,0/,,) no grupo posterior quela 
data 5,3 To. Nota-se aqui uma inverso relativamente a todos os resultados at aqui 
observados. O grupo posterior a 1974 com menor nmero de Julgamentos Injustos.

149

Todavia numa anlise atenta ao grfico, verifica-se que no

item 5, a diferena para mais no segundo grupo de controle  possivelmente a mais 
significativa. No primeiro grupo  a 13, e, no grupo de doentes as 11 e 14.

A questo 5,  a que admite a denncia. A 13,  a que fornece mais alimentos s pessoas 
vlidas e as 11 e 14, s o, respectivamente, a de assistente social e do comerciante que 
reserva os gneros para os clientes mais influentes. No grupo anterior a 1974, h
7 items sem qualquer aprovao; no posterior quela data 6, e no

grupo de doentes 3. Estes resultados assentando em percentagens to baixas e em items to 
variados no  de molde a permitir uma

explorao objectiva.

O grfico XIX vem esclarecer o que no nos foi possibilitado pelo anterior uma vez que  nas 
respostas duplas que se encontrar o significado das diferenas verificadas em grficos 
anteriores, sendo o valor percentual mais baixo nesta varivel e, na comparao em causa, o 
do foro mdico com 11,2 %. Seguem-se-lhes o perfil anterior a 1974, com 14,2 %, e o posterior 
a 1974, com 27,1 Tc. Cairamos em repetio desnecessria e enfadonha se fssemos justificar 
estes nmeros. Aplica-se-lhes, sem risco de erro inaceitvel, o que j se referiu em relao 
aos grupos masculinos da mesma origem.

H aqui que pr em relevo mais uma vez, que no nosso grupo de doentes no existiam casos de 
debilidade ou deteriorao que impedisse o normal entendimento do pretendido. As 
perturbaes, na maioria neuroses e algumas psicoses de tipo depressivo, mostraram uma 
suficiente tonalidade afectiva, embora em alguns protocolos a frieza e a indiferena prpria 
dos sindromas esquizofrnicos tenha surgido. De qualquer forma quer uns quer outros estavam 
sob efeitos de medicamentos, pelo que os respectivos comportamentos no so, na realidade, os 
comuns aos indivduos na mesma situao e no apoiados.

Postas as comparaes dos vrios grupos com os grupos de controle, vamos agora analisar os 
resultados de esses grupos entre si, sem a interferncia dos de controle.

Comearemos pelos grupos Seminaristas-Delinquentes, grficos XxI, XXII XXIII.

No grfico XXI verifica-se, que as desaprovaes so percentualmente mais elevadas nos 
delinquentes que nos Seminaristas. Tal facto, no deve precipitar uma concluso, sem se 
analisarem

152

os grficos XXII e XX1II e se rever o que, quando da comparao destes grupos com os do 
controle, se disse.

Ressalta, uma irregularidade nos perfis, que aconselha a anlise dos items que a produzem: os 
delinquentes desaprovam mais as questes 1, 3, 4, 5.. 6, 7, 10, 11, e 15. De comum nada h a 
referir. Nos delinquentes as aprovaes citadas contemplam situaes pessoais. Nos 
seminaristas questes colectivas so as mais evidentes.

A partir desta data pode inferir-se a existncia de perfis diferentes entre estes grupos, no 
entrando, evidentemente, em considerao com os valores que os consubstanciam. Alis, no 
esqueamos que o comportamento, os extractos sociais e a educao, se projectam na construo 
do Juzo moral.

O grfico XXII, vem esclarecer de forma insofismvel a existncia de perfis distintos. No 
Julgamento Injusto, os delinquentes atingem 20,5 gIc, enquanto os seminaristas se situam em 
8,2 %. Por item, com excepo do 7, em que os valores so coincidentes, todos os restantes 
dos delinquentes apresentam valores significativamente mais elevados. Por curioso, assinale-
se que o item 7,  o que admite a vingana, o do indivduo que no socorre o seu

inimigo que sofre um acidente.

Ser que, o princpio de chamar a ns os nossos inimigos, foi esquecido pelos seminaristas, 
ou  um factor comum do egosmo dos adolescentes qualquer que seja a sua origem?

O grfico XXIII confirma, uma vez mais, a diferena estrutural dos dois grupos. Nos 
delinquentes a ambiguidade  menor, no h uma procura de agradar, a expontaneidade dos seus 
impulsos  evidente. Nos seminaristas o calculismo, a no definio do que lhes vai na alma 
 tambm o reflexo do perfil em anlise.

Analisam-se agora nos grficos XXIV, XXV e XXVI, os resultados dos grupos seminaristas e 
masculino do foro mdico. Tambm aqui, a percentagem mais elevada de desaprovaes pertence 
aos doentes, 73,%, para 60,7 %. Por items, s os 12 e 15 do foro mdico apresentam valores 
mais baixos; 3 91c no 12, e 20 Te no

15. O 12, por insignificativo no merece que se aprofunde. No 15, a diferena  significativa 
e recai no caso dos racionamentos a estrangeiros. Mantm-se o caso colectivo j verificado 
anteriormente.

Nos julgamentos injustos, os seminaristas apresentam 8,2 e os doentes 6 %. Na anlise dos 
items, os doentes s apresentam

158

valores mais altos, merecedores de registo, nos items 2 e 15, respectivamente a aplicao de 
castigo sem haver a certeza de culpa e o racionamento a estrangeiros.

O grfico XXVI, vem confirmar as diferenas de perfis atravs do julgamento duplo. Os 
seminaristas (31,1 %) excedem largamente os resultados dos doentes, 13%,, alis o j 
verificado em

relao aos delinquentes, pelo que no h que tecer mais comentrios.

Passamos agora  anlise comportamental dos delinquentes com os doentes (Grficos XXVII, 
XXVIII e XXIX). No julgamento justo os delinquentes apresentam 70,3%, enquanto os doentes
73,3%.

A diferena  insignificante para se tirarem ilaes. Vejamos, todavia, por items o que se 
nos oferece. Os perfis so muito semelhantes, como  bvio. S os items 2 e 8 apresentam 
diferena de assinalar, 55 %, para os delinquentes e 70 %, para os doentes na questo 2. Na 
questo 8, 61 % e 80 %, respectivamente com a mesma orientao.

Os delinquentes aceitam com maior percentagem o castigo sem provas e os dois tipos de 
instalaes para doentes, o que no acontece com o grupo em comparao.

No grfico XXVIII, julgamento injusto, o perfil, embora com

alguns pontos semelhantes, apresenta globalmente 20,5 Tc de aprovaes para os delinquentes e 
6 c/7e para os doentes. Todos os items dos delinquentes apresentam maior expresso, 
exceptuando-se a

questo 3, cujo valor  da mesma ordem. Este item  o caso de intriga.

No que concerne ao julgamento duplo, tal como na comparao com os seminaristas surgem os 
delinquentes com menor expresso
7,3 %, para 18 c/c. S nos items 2 e 3, os doentes se situam abaixo dos delinquentes, 
porquanto no h neles qualquer resposta dupla.

Nos grficos XXX, XXXI e XXXII, comparam-se os grupos masculinos e femininos (controle) 
anteriores a 1974. A diferena nos julgamentos justos no  de registar,    80,4 (% para 79,6 
c/c. Por items, alguns h, no grupo feminino - os 2, 3 e 10 - que atingem
100 %, de desaprovaes. As diferenas       mais significativas nos

rapazes situam-se nos items 6, 13 e 14, nos quais atingem mais elevadas percentagens de 
desaprovaes. As questes so a da mulher doente que utiliza o aquecimento; a dos alimentos 
s pessoas vlidas e a do comerciante que selecciona os clientes.

160

Parece existir da parte das raparigas maior frieza perante os

problemas do seu prprio sexo e maior egosmo nas situaes discriminativas de classes.

No grfico XXXI, aprovaes de julgamento injustos os rapazes apresentam 4,4,0/o e as 
raparigas 6,2 c/c, valores tambm carecidos de expresso significativa.

Por items, ressaltam os 6, 13 e 14, j mencionados na apreciao do grfico XXX. O perfil 
masculino, embora as diferenas globais no sejam significativas, identifica claramente os 
dois grupos.

No grfico XXXII, julgamento duplo, no geral as percentagens so da mesma natureza, 15,2,% 
para os rapazes e 14,2 g para as raparigas.

A diferena para mais nos rapazes, nesta varivel, resulta da diferena para menos nos 
julgamentos injustos. @E curioso notar que o baixo ndice de desaprovaes do item 6, pelo 
grupo feminino, origina quer no julgamento injusto quer no duplo, que estes atinjam maiores 
propores do que nos rapazes.
O mesmo se verifica nos items 13 e 14.

De notar nos rapazes a maior percentagem no julgamento duplo no item 15, consequncia directa 
do menor nmero de desaprovaes verificado no referido item. Estes perfis, no apresentam 
traados que levem a concluir pela existncia de diferenas de respostas entre os dois grupos 
de adolescentes.

Para finalizar a anlise dos grficos, comparemos agora os grupos masculino e feminino 
testados aps 1974.

No grfico XXXIII verifica-se, contrariamente ao observado nos grupos anteriores a 1974, no 
que se refere a desaprovaes, ter o grupo feminino atingido maior percentagem, 67,6 %, que o 
masculino, 63,3 %. As diferenas por items so mais acentuadas nos 6, 9 e 10 que se referem 
respectivamente  mulher que utiliza o aquecimento,  me abandonada pelo filho e  criana 
que no se sabe defender.

Estamos aqui, segundo a terminologia de Baruk, perante um

julgamento do corao, que reflecte uma indignao espontnea, reaco a uma primeira 
impresso no premeditada, perante a

desumanidade traduzida em casos individuais que provocam por sensibilidade um julgamento 
afectivo - humano menos comum nos rapazes. De resto todo o perfil em relao aos restantes 
items, apresenta uma linha muito aproximada.

167

No grfico XXX1V, a anlise recai nos julgamentos injustos relativos aos mesmos grupos. A 
expresso do grupo masculino  de 9,2 Te e no feminino de 5,3 %. As diferenas por items mais 
salientes, adentro da sua pequena dimenso, recaem nas questes
3, 4, 8 e 13, nas quais os rapazes atingem maiores percentagens.

As raparigas,  em contrapartida, s nas questes 1 e 14 apresentam ligeira superioridade.

Surge aqui um perfil definido em que os rapazes aceitam mais as injustias que as raparigas. 
No entanto, as questes 1 e 14, tm algo de significativo ao serem as mais aprovadas pelas 
raparigas.

No julgamento duplo - grfico XXXV - os valores globais,
27,5,0/o para os rapazes e 27,1 % para as raparigas no permitem tirar ilaes. Contudo, 
evidenciam-se nos rapazes os items 6 e 10

e nas raparigas sobressaem os 2 e 4. Estes items correspondem respectivamente:

6 -  mulher que utiliza o aquecimento
10 - criana que no se sabe defender

2 - ao castigo aplicado sem haver a certeza do culpado
4 - s calnias do candidato s eleies

No so estes elementos suficientes para definir perfis. No entanto, os rapazes no tomam 
posio definida nos casos individuais em que o justo e o legal parecem em oposio. As 
raparigas por seu lado, no se pronunciam ou no tomam posio em casos mais flagrantes, no 
regeitando o castigo injusto e a calnia para atingir determinados objectivos.

Antes de uma breve sntese do que se documenta com expresses numricas e grficas, 
perspectivando hipteses diferenciais dos perfis dos vrios grupos estudados, poder-se- 
definir uma

viso globalista observando a panormica obtida com os coeficientes Tsedek, com base nas trs 
variveis com que trabalhmos.

Os coeficientes obtidos so os seguintes por ordem decrescente:

Liceu Masculino, antes de 1974

J. J. = 80,4 %          80,4% CT=_

J. D. = 15,2 To + J. I. (Ap.) 4.4 % 19,6%

171

Liceu Feminino, antes de 1974

J. J. = 79,6 %            79,6 CT=_                                     __=3,9

J. D. = 14,2 % + J. I. = 6,2 %       20,4%

Doentes Femininos

J. J. = 77,3 %                    73,3% CT=                                                  
--         = 3,4

J. D-11,2%+J. I-8,3%+NC=3,217,                     22,7%

Doentes Masculinos

J. J. = 73,3 c/c             73,3% CT=                            -=-                      = 
2,7

J.D.=18%+J.I.=6Vc+NC=2,7% 26,7%

Delinquentes

J. J. = 70,3 %                    70,3% CT=-                                                  
--           2,4

J. D-7,3%+J. 1.=20,5%+NC=1,9%                     29,7%

Liceu Feminino aps 1974

J. J. @ 67,6 %         67,6% CT=_                               __=2,1

J. D. = 27,1 % + 5,3 %       32,4%

Liceu Masculino, aps 1974

J. J.=63,3%                 63,3!% CT=-                      -=_=1,7

J. D-27,5%+J. 1-9,2%                 36,7%

Seminaristas

J. J.=60,7%                60,7 % CT=_                                     __=1,5

J. D. = 31,1 %@ + J. I. = 8,2 cI,    39,3%

CT ==Coeficiente Tsedek J. J. =Julgamento Justo (desaprovaes) J. D.==Julgamento Duplo 
(ambiguidade) J. I. ==Julgamento Injusto (aprovaes) NC =Questes no compreendidas
Como a nossa orientao no se subordinou ao, princpio dos coeficientes Tsedek, no iremos 
fazer comentrios aos mesmos,

172

embora no, possamos deixar de acentuar que eles traduzem diferenas sensveis entre os 
vrios grupos. Assim:

1)  No grupo masculino, testado antes de 1974, o perfil

 identificado por a maior percentagem de Julgamentos Justos (desaprovaes) e a mais baixa 
nos Julgamentos Injustos (aprovaes). O Julgamento Duplo situa-se tambm, com excepes dos 
delinquentes, em valor mais baixo. O somatrio do Julgamento Duplo e Julgamento Injusto 
cifra-se em 19,6,0/c.
2)  O perfil do grupo feminino anterior a 1974,  semelhante ao do grupo masculino com as 
mesmas posies relativamente aos trs Julgamentos considerados.
3)  O grupo de doentes feminino figura em terceiro lugar

nos Julgamentos justos. O @perfil deste grupo  semelhante, na generalidade, ao do grupo, 
feminino anterior a 1974, apresentando no entanto ligeiro aumento de, Julgamentos injustos e 
algumas questes no compreendidas.
4)  O perfil dos do-entes masculinos no destoa muito dos

anteriormente referidos. Mostra no entanto, tendncia para aumentar os Julgamentos Duplos e 
apresenta tambm questes no compreendidas.
5)  O perfil dos delinquentes desvia-se acentuadamente

dos anteriores, no por os Julgamentos Justos terem expresso, muito diferente, mas sim por o 
Julgamento Injusto@ ser o de maior expresso e o de Julgamento Duplo o de menor, entre todos 
os grupos. Tambm apresenta algumas questes no compreendidas.
6)  O grupo feminino aps 1974, apresenta um perfil divergente do grupo correspondente 
anterior quela data, em especial na diminuio dos Julgamentos, Justos e acentuado aumento 
dos Julgamentos Duplos.
7)  No grupo, masculino posterior a 1974, o perfil diverge

em todos os aspectos em relao ao, anterior quele ano. Diminuio dos Julgamentos Justos e 
significativo aumento dos Julgamentos Injustos e Duplos, em especial neste ltimo.
8) O perfil dos Seminaristas, tal como o dos delinquentes,

tem caractersticas prprias, no comuns aos grupos

173

anteriores a 1974, nem ao dos delinquentes. Aproxima-se, no entanto, dos posteriores a 1974. 
Aqui a nota dominante situa-se nos Julgamentos Duplos que atinge a maior expresso de todos 
os grupos.

Anteriormente a 1974, as actividades colectivas dos adolescentes assentavam em princpios 
impostos e condicionadas a certos domnios. As actividades de grupo no visavam a 
independncia do indivduo e a sua realizao era to s o, enquadramento e a

limitao da sua expansividade. Este tipo de actividades colectivas no proporcionava uma 
aco directa e actuante nas instituies. Dai que, o perfil obtido ao teste Tsedek seja 
consequncia imediata da rejeio das injustias pessoais, em que os problemas sociais, 
colectivos no suscitavam interesse, em virtude de os adolescentes no terem interferncia 
directa em tal problemtica.

Em relao aos problemas individuais, no havia necessidade de refgio na ambiguidade e 
duplicidade (resposta dupla) traduzindo, o facto um certo individualismo egosta, 
consequncia directa do meio.

Nos grupos posteriores a 1974 h uma tendncia para negligenciar o homem, ser individual, em 
benefcio duma utilidade social e imediata. H uma concepo, exclusiva de interpretar os 
fenmenos colectivos com desprezo pelo individual que se traduz num egosmo social que se, 
ope ao egoismo, pessoal anterior. A intriga, por vezes desordenada, dos grupos polticos, 
sociais, etc.,  uma

consequncia das liberdades obtidas.

Nestes casos, o tempo, a experincia adquirida a partir dos prprios excessos e erros, a 
maturidade social obtida e moldada nas dificuldades, produzir factores positivos na 
construo de uma sociedade equilibrada em que o colectivismo, sendo uma realidade, no 
anular contudo o homem como ser livre.

Quanto aos grupos femininos, a problemtica no apresenta diferenas significativas. Nos 
homens as respostas@ so mais sintticas, e pragmticas, enquanto nas mulheres projectam um 
juzo moral predominantemente afectivo, produto de uma maior sensibilidade.

As diferenas entre os grupos anteriores e posteriores a 1974 apresentam as mesmas 
caractersticas das registadas nos homens.

Nos casos dos doentes do foro neuro-psiquitrico no se verificam diferenas de registar, em 
relao aos grupos masculinos

174

anteriores a 1974. As situaes individuais so as que mais carga afectiva provocam, mas os 
perfis obtidos no permitem um diagnstico diferencial caracterstico das, perturbaes. Tal 
facto poder resultar, ou de os doentes testados estarem submetidos a intenso tratamento 
medimmentoso, ou por a doena no ter afectado os mecanismos de memria e das experincias 
passadas, mantendo a @capacidade de sntese mental e uma certa unidade de personalidade.

Os delinquentes, em muitos casos, do respostas de desaprovao, com o objectivo de@ ficarem 
bem vistos.

H, no entanto, caractersticas que s neste grupo aparecem. A ausncia de respostas duplas, 
em que a justaposio dos dois factores, constitudos pelo interesse, individual e pelo@ 
interesse colectivo, no impede que tirem uma concluso justa ou injusta, embora condicionada 
pela situao em que se encontram, traduzem a espontaneidade de se projectarem, sem 
preocupaes de disfarar certas situaes. De qualquer forma, o comportamento na

vida real no corresponder ao perfil que teoricamente se obtm.

No grupo dos seminaristas, cujos traados nos grficos comparativos apresentam semelhanas 
significativas com os grupos liceais testados aps 1974, j se podem tirar ilaces acerca 
das referidas semelhanas. Acrescenta-se que das posies assumidas pelos seminaristas em 
consequncia de uma moral normativa ditada pela religio, eu pelas regras -da educao 
religiosa em que tomadas de deciso que, se chocam por um lado, com os princpios de 
humanidade e de justia individual mas que, por outro, possam parecer ferir os valores 
sociais, geram incapacidade ou receio de se exporem. Assim preferem conciliar, no, 
comprometendo as exigncias morais e o sentimento de, humanidade com as necessidades 
prticas, resultando daqui a duplicidade que pode, aparentemente, parecer urna posio de 
imparcialidade, mas que, fundamentalmente, traduz a defesa dos interesses pessoais ou de 
classe, no assumindo compromissos definidores de posies.

Moore, que desde 1936 efectuou estudos em grupos de sacerdotes e religiosas concluiu que os 
mesmos mostravam certa tendncia para a psicose manaco-depressiva e que as personalidades 
psicticas eram as mais inclinadas, a seguir a vida religiosa.

Daqui podero ressaltar dvidas se ser a educao que provoca a ambivalncia, ou se a mesma 
controla a frieza afectiva, substituindo as aprovaes por dvidas, no se contrariando dessa

175

forma nem os seus prprios sentimentos, nem compro-metendo a sua posio entre o afectivo, e 
o legal.

Para concluir, diremos que trabalhmos, como  bvio, com situaes tericas. Assim os 
resultados sero necessariamente resultados tericos. No traduziro, nem garantiro na 
prtica, que o comportamento de um, indivduo na vida real corresponda ao comportamento tido 
no teste.

Neste contexto, o Juzo Moral no corresponde ou no, pode corresponder  actuao ou 
comportamento moral. O que, se consegue  pr em evidncia a maior ou menor carga afectiva do 
indivduo, a qual est dependente do comportamento, dos extractos sociais e, da educao do 
indivduo, que no seu conjunto se projectam na construo do Juzo Moral.

Apesar de todos estes circunstancialismos, uma ilao teremos que tirar: tericos ou no, h 
perfis obtidos nos vrios julgamentos que pela sua caracterstica identificam claramente as 
diferentes estruturas dos, indivduos testados. Destes sobressaem os delinquentes, os 
seminaristas e os grupos testados aps 1974.

Um estudo psico-sociolgico mais vasto, quer no que concerne ao material humano, quer no que, 
se refere aos instrumentos de trabalho, ser um objectivo, a encarar seriamente para obteno 
de material de diagnstico ido, comportamento dos adolescentes, atendendo a que nesta fase de 
evoluo psicogientica h factores comuns a todos os indivduos, qualquer que seja o seu 
grupo social, tnico ou econmico.

176

RESUMO

Neste trabalho apresenta-se um estudo analtico dos resultados obtidos com o teste Tsedek, 
de H. Baruk, em grupos de adolescentes: do ensino secundrio normal; do ensino religioso; 
doentes do foro psiquitrico e delinquentes detidos em estabelecimento prisional

O trabalho, compreende dez captulos: Introduo, O teste e a amostra, Filosofia-Moral, 
Moral-Generalidades, Algumas teorias da adolescncia, Adolescncia Normal, Algumas 
perturbaes da Adolescncia, Adolescncia e vocao,, Adolescncia ,- delinquncia, e 
Resultados.

-No Lo captulo, apresenta-se o conceito de personalidade dE@fendido por Baruk, que 
fundamenta toda a sua teoria no Juzo moral que ser a sntese da personalidade.

- O 2.O capitulo apresenta o teste, aponta as suas carncias metrolgicas e, 
consequentemente, as dificuldades de uma valida-! o em termos psicomtricos. Apesar dessas 
dificuldades considera-se que o, instrumento tem interesse, por no se limitar a respostas de 
Sim e No, uma: vez que as situaes que nele- se apresentam provocam, no paciente, 
crticas e juzos interpretativos que permitiro avaliar a maior ou menor intensidade de 
carga afectiva, a sociabilidade e a adaptao social.

-  Ocupa-se o 3.O capitulo de algumas teorias da Filosofia Moral do passado, concluindo-se 
que tudo o que actualmente, se diz, j foi dito no passado, no tendo at ao presente havido 
capacidade para concretizar, prtica e objectivamente, as teorias largamente defendidas.

No 4.O captulo - Moral-Generalidades - so postas em relevo as concepes tericas de moral 
de certas sociedades e elas

179

ses sociais, evidenciando-se as contradies entre a teoria e a prtica sempre que os 
interesses dos dominantes ou influentes so limitados pelos conceitos aplicveis aos outros.

- No 5.1 capitulo so apresentadas algumas teorias da adolescncia, verificando-se que entre 
elas existem, simultaneamente, desacordos profundos e concordncias visveis,

- O 6.o captulo aborda a adolescncia-normal, focando os mltiplos aspectos das influncias 
incidentes nesta fase, desde os

factores gentico-familiares  estabilidade afectiva, segurana social, educao, sade e a 
todos os factores que no seu conjunto permitam a realizao do, indivduo como, ser til e 
socialmente adaptado.

- No 7.o captulo, que contempla as perturbaes, de. adolescncia, analisam-sie os factores 
hereditrios, a doena, a carncia de estimulaes afectivas como causas do aparecimento de 
perturbaes. Descrevem-se as que mais se relacionam com o grupo estudado, situado no quadro 
das neuroses e psicoses.

- O S., captulo, relativo  vocao dos adolescentes, situa-se, muito em especial, na 
vocao religiosa. Admite-se que os adolescentes que seguem ia carreira religiosa no o fazem 
pior vocao mas sim por influncias e interesses externos programados para o efeito.

- Trata o 9.o captulo de adolescentes delinquentes Nele se

apresentam nmeros relativos aos tipos de delitos cometidos. Salienta-se a grande percentagem 
de reincidentes e a natureza dos extractos scio-culturais de origem dos delinquentes. 
Refere-se a necessidade da sociedade se ocupar da criana e do adolescente, proporcionando-
lhes condies de vida normais e uma aco educativa e preventiva que tornar desnecessrio o 
processo repressivo cujos resultados constituem fracasso.

- Por ltimo, no 10.11 captulo, apresentam-se quadros, e grficos por cada grupo em estudo e 
a comparao inter-grupos. Salienta-se que dos grupos que se podem considerar de. controlo -
masculino e feminino - um foi testado antes de Abril de 1974 e outro depois de 1974.

Quer das comparaes dos perfis quer dos coeficientes Tsedek, ressaltam perfis diferenciais, 
em especial nos grupos liceais testados antes e aps 1974, nos delinquentes e nos 
seminaristas.

Nos, grupos anteriores a 1974, a percentagem de julgamentos justos  a mais elevada de todas. 
Nos grupos posteriores quela

180

(lata nota-se um aumento substancial de respostas duplas em prejuzo das justas.

Nos grupos dos doentes os perfis so semelhantes aos dos grupos li",ais anteriores a 1974.

O grupo dos seminaristas evidencia-se por ser o que mais percentagem de respostas duplas 
apresenta. O dos delinquentes, por sua vez,  o que apressenta maior nmero de julgamentos 
injustos. Verificou-se no existir correlao entre a inteligncia. e os

julgamentos justos. Tambm a correlao entre o comportamento dos delinquentes e a resposta 
ao teste,  nula.

Concluiu-se que nos grupos anteriores a 1974, e nos doentes, existe uma maior espontaneidade 
de resposta. O mesmo se verifica nos delinquentes, embora aqui seja o juzo injusto que se 
evidencia, e as respostas duplas sejam as de menor expresso.

Nos grupos posteriores a 1974, existe uma orientao para os julgamentos justos nas questes 
colectivas com prejuzo dos casos individuais, o que seno verificou nos grupos da mesma 
natureza anteriores a 1974.

Nos seminaristas as respostas duplas, ambguas, so a caracterstica mais evidente. O mesmo 
se verifica nos adolescentes do ensino secundrio, testados aps 1974, em perodo de 
liberdades incontroladas. Daqui se infere que tanto tais liberdades como disciplina austera, 
ainda que teoricamente situadas em extremos opostos, provocam nos adolescentes 
comportamentos, sensaes e respostas anlogas.

181

RSUMP,

Ce travail nous prsente un. tude analytique des rsultats obtenusavec le teste Tsedek, de 
H. Baruk, parmi des. groupes d'adolesce,nts de Venseignement rligieux, des malades du 
domaine de Ia psyehiatrie et dlinquants emprisonns.

11 se compose de dix chapitres: Introduction; Le Teste et
1'Echanti11on; Philosophie-Morale; Morale-Gnralits; Quelques Thories sur l'Adolescence; 
Adolescence Normale; Quelques Troubles de- VAdolescewe; Adolescence et Vocation; Adolesc~e et 
Dlinquence et Rsultats.

-Dans. le premierchapitre on, trouve le concept de presonalit selon Baruk, qui fonde toute 
sa thorie sur le Jugement morale, lequel serait Ia synthse de Ia, personnlit.

-Le deuxime chapitre nous prsente le teste et met en

vidence ses carences mtrologiques et les consquents difficults d'une, validation 
p@@ychomtrique. Malgr,cesdifficults on trouve  Finstrument l'intrt de ne pas se limiter 
aux rponses oui et non, une fois que les situations qu'y se prsentent suscitent au 
patient des critiques et des jugements interpretatifs qui permettr,ont d'valuer de la, plus 
ou moins grande intensit de charge affective, Ia sociabilit et Fadaptatim sociale.

- Le troisime chapitre s'occupe de quelques thories de Fancienne Philisophie morale. On 
arrive a sa confirmation, ne reconnaissant pas, jusqu,aujourd'hui, Ia capacit de 
concrtization, practique et objective des thories largementsoutennues.

- Au quatrime chapitre - Morale-Gnralits - on relve les conceptions thoriques de morale 
de certaines socits et classes sociales, tout. en dtachant les contradictions entre Ia 
thorie et

183

ia practique ds que les intrts des dominants ou influents sont borns par les concepts 
applicable-s aux autres.

- Le cinquime chapitre expose quelques thories de Vado- :ieiscence, Iei cn dmontre 
qu'entre elles existent,  Ia fois, des dissensions profondes et des convergences visibles.

-Le sixime chapitre s'occup@e de l'adolescence normale et expese les aspeets multiples, des 
influences incidents  cette phase, ds les facteurs gntico-familiers  Ia stabilit 
affective, scurt seciale, ducation, santct  tous les facteurs que, dans son ensemble 
permettent Ia r,alisation de l'individu. en tant qu'tre utile et socialement adapt.

-Au ssiptime chapitre, qui considre les troubles de l'adolescence, sont analyses les 
causes hrditaires, Ia maladie, Fabsense de stimulations affectives en tant que causes du 
surgissement de trouble. On y fait aussi matire des causes qui se rapportemt de plus au 
group tudi, plac dans le domaine des neuroses et psychoses.

- Le huitime chapitre, concernant Ia vocation des adolesce,nts, se penche en particulier sur 
Ia vocation. rligieuse. On admet que les adolescents suivent Ia carrire rligiemse mens 
par des influences et intrts extrieurs programms, dans ce but, pas par vocation.

- Les adolescents dlinquents sont le sujet du, neuvime chapitre. On y prsente des nombres 
concernants, les types de dlits commis, en y relve le grand pouromtage de rcidivistes, et 
la nature desstrates socio-culturelles d'origine des dlinquants. Iei se montre que Ia 
socit a besoin de s'occuper d--@ Fenfant et de l'adolescent, de leur assurer des conditions 
de vie normale et une action ducative et prventive qui rendra inutile le processus 
rpressive dont les rsultats constituent un chec.

-Finalenient le dixime chapitre, qui nous montre des tableaux et des, grafiques pour chaque 
groupe tudi et Ia comparaison inter-groupes. On dtache des grmpes dits de contrle -
Masculin et Fminin- qu'on a test Fun avant Avril 1974 et Fautre aprs 1974, soit des 
comparaisons des profils, soit des coeficientes Tsedelz, relvent des proffis diffrentiels, 
en particulier parmi les groupes de lycens tests avant et aprs 1974, et parmi les 
dlinquants etles: sminaristes.

Le pourcentage de jugements. justes se trouve le plus lev dans les groupes d'avant 1974. 
Aux groupes d'aprs 1974 on re184

marque un augmentation substantiel de rponses doubles au dtriment des justes.

Parmi les groupes des malades, les proffis sont semblables  ceux des groupes de lycens 
d'avant 1974.

Le groupe des sminaristes se met en vidence  cause de sa plus grand pourcentage de 
rponses doubles. Clui des dlinquants,  sa fois, c'est ce qui prsente le plus grand 
nombre de jugements injustes. On a constat Fabsense de corrlation entre Fintelligence et 
les jugements justes. On ne trouve aussi aucune corrlaton entre le comportement des 
dlinquants et Ia rponse au teste.

On pet conclure qu'aux groupes d'avant 1974, et panni les malades, existe Ia plus grande 
spontaneit de rponse.

Autant vaut. pour les dlinquants, bien qu'il se relve ici le jugement injuste et que les 
rponses. doubleg aient Ia plus petite exprssion.

Dans les groupes d'aprs 1974, il existe une orientation vers

les jugements justes aux questions colectives au dtriment de cas

individuels, ce qu'on a pas vrifi parmi lesgroupes de ila mme nature d'avant 1974.

Parmi les sminaristes les rponses doubles, ambiges, sont Ia caractristique Ia plus 
vidente. Cest ce qu'<)n voit chez les adolescents de 1'enseignement scondalre tests aprs 
1974, dans un climat de liberts incontrol es.

On en peut dduire que, soit de telles liberts soit une disciplne austre, bien. que 
thoriquenient placels  Popposit, elles provoquen,t,chez,les adolescents. des 
comportements, des sensations et des rponses semblables.

185

SUMMARY

This workpresents an analytie-al study of the results attained with the Tsedek test of H. 
Baruk, performed with groups of adolescents attending secoindary schools, church secondary 
sehools as well as of psychiatric patients and delinquent adolescents unprisoned. We have, 
divided it into 10 chapters:

The Introduction, The Test and the Sample, Philosophy and Ethics, Ethics-Generalities, Some 
Theo-r@es about Adole&cents, Normal Ado@-,scence, Some Troubles from A~esc.,-nce, Adolescence 
and Religious Summoning, Adolescence and Delinqueney and Re- &ults.

-The 1st chapter deaIs with the em~ of personality as

it is defended by Baruk, who bases all his theory on the moral judg,eiment, which is the 
syntheisis of personality.

- On the 2nd chapter we are introducing the test, pointing out its methrological lacks and 
the issuing difficulties for a validation in p,sychometrica,1 terins.

In spite, of these difficulties we, consider it Of great interest because it is not confined 
to yes or no questions. We must consider that the situation involved during this test 
forces the patient into interpretative judgements, and ehriticism, which will permit us to 
measure thedegree of intensity of his affective tone, his sociability as well as social 
adaptation.

- The 3rd chapter deaIs with the analysis of some theories of Moral Philosophy of the past, 
stressing the fact that everything that is said has already been said, but so far has not had 
the capa,city to put into practice the theories which are widely defended.

187

--- In the next chapter, Ethics-Generalities, we enphasyse the moral theoretical conceptions 
of certain. societies and social classes, stressing the contradictions between theory and 
practice whenever the interest of the dominating or influential pE@Ople are limited by the 
rules aplicable to theothers.

- In the 5th chapter we present some thecries about adolescence with its deep disagreements 
as well as its agre2ments.

- Chapter 6 approaches normal adolesw-nce, showing the multipile aspects of the genetical 
factors in. the affective stability, social security, education, health, as well as 
fulfilment of the individual as a useful and socially adapted human b,-eing.

- Chapter 7 analyses the hereditary factors, diseases jack of affective stimulus which may 
cause adolescence disturbs. We mention those more deeply connected with this group, with its 
neurosis and psychosis.

- Chapter 8 is idealing with the vocation of the adolescents in general, specially with the 
religious summoning. It is admitted that the youth following a religious summonng are not 
doing it by true vocation but due to outside interests and influences.

- The 9th chapter - Adolescence and Delinquency - presents numbers concerning the different 
types of delicts, and points out the large percentage of reiterators and nature of their 
social and cultural background. It also refers to the obligation of society towards chiildren 
and adoles,cents, giving them norma.1 life conditions as well as a kind of education in. 
which the repressive procedure and its negative results are no longer necessary.

- On the last chapter, we present charters and graphic representation for each group and an. 
inter-group comparison. We must enphasyse, that we have testeld one control group for each 
sex before April 1974 and another after 1974.

Both from the comparison of the profiles and the Tsedek coeficients differential profiles 
stand out, specially in. secondary school groups tested before and after 1974, in the grou@ps 
of delinquents. and seminarists.

In. the groups deailt with hefore 1974, the percentage of fair judgements is the highest. In. 
the groups tested after this date a raise in the dubious answers can. be observed.

In the groups of psyehatrie patients the profiles are similar to the second scho-ol groups 
tested before 1974.

188

The largest percentage of dubious answers comes from the Seminarists. In their turn the 
delinquents gave a wider number of unfair jud-ements. It was found out that there doesn't 
exist any relationship between inteligence and fair judgements. The correlation between the 
behaviour of the delinquents and the response to the test is alsowne whatscever.

WC come to the conclusion that lu the gro-ups hefore 1974 and among the patients there exists 
a greater spontainity in the response and the same is valid for the delinquents in spite of 
the evidene,e of an. unfair judgement. Here the dubious responses do not take an outstanding 
position.

In the groups past 1974 one can find an orientation towards fair judgements concerning 
general subjects demaging individual cases contrary to what has been che,cke;d in groups. of 
the same nature from before 1974.

The ambiguous answers are the most evident characteristic among the Seminarists. The same is 
true for the adolescents of the second schooIs tested. after 1974, during, a period of 
incontrolled freedom.

This brings us to the conclusion that both such freedom and a strict discipline although 
theoretically situated in oposite, sdes, cause a similar behaviour similar sensations and 
responses among the adolescents.

189

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

ACKERM    AN, N. W. -Diagnstico y tratamiento de Ias relaciones familiares.

Buenos Aires, Paids, 1,971. AI)LER, A. - Guiando el iiio. Buenos Aires, Paids, 1965. -
Individual psychology. Worcester, Mass., Clark University Press, 1930. --- The practice and 
theory of individual psychology. New York, Hareourt,

1927.

AGOSTINHO, Santo - Confessions. Paris, Les Belles Lettres, 1947, 2 vols. AJURIAGUERRA, J. - 
Manuel le psychiatrie de Venfant. Paris, Masson, 1970. ALEXANDER, F. - TIw Pshychoanalysis of 
the total'personality. Washington,

Nervous and Mental Disease. Publ. Co., 1930. ALEXANDER, F.; STAUB, H. - The criminal, the 
judge and the public. London, Knopf, 1931. ALEXANDER, W. P. - Intelligence concrete and 
abstract. Brit. J. psychol.

Monogr. Suppl., 19, 1935. ALLPORT,G.W.P. - Becommg: Basic considerations for a psychology of 
personality. N. Haven, Yale Univ. Press, 1955. Personality: a psychological interpretation. 
New York, Henri Holt, 1937. Psicologia da personalidade. Buenos Aires, Paids, 1%5. 
Scientifio modeIs and human morals. -Psychol. Rev., Lancaster, Pa.,
54, 1947. ALMSO-FERNANDEZ,, F. -Modalidades de . inteligencia en el campo de

Ia psicologia clinica. Rev. Psicol. Gen. y Ap1., Madrid, 22 (88/89), 1967, p. 659-694. Las 
pruebas psicolgicas en el diagnstico del    alcoholismo. Rev. Psicol. Gen. y Ap1., 
Madrid, 2;3 (92), 1968, p. 269-287. AMARAL, J. R. do - Estudo dos resultados da aplicao de 
uma Escala de

Inteligncia (W. A. I. S.) num grupo de adolescentes delinquentes. Lisboa, C. I. P., 1975. . 
A. - Um teste de factor G aferido para a populao portuguesa. Lisboa, C. I. P., 1966.
O Teste de Barragem de Toulou8e e Pirou. Lisboa, C. I. P., 1967.
O Teste de Construo Espacial. Bol. Bibliogr. e Inform., Lisboa, C. I. P., (10), 1969.

191

AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION - Diagnostic and statistical manual of mental disorders. 
Washington, 1962. ANASTASI, A. - Psicologia diferencial. So Paulo, Herder, 1970.

- Testes psicolgicos. So Paulo, Herder, 1965. ANDERSON, H. - Techniques projectives. Paris, 
ditions Univ., 1965. ADREY, B. - Age mental ou chelle de dispresion statistique. Enfance, 
Paris, (1), Jan.-Mar., 1966, p. 71-77. ANTISTENES - in: Marco Aurlio, Meditaes, liv. 7, 
rec. 36. ARAGUREN, J. L. - Etica de Ia vocacin. Rev. Psicol. Gen. y Ap1., Madrid,

16 (57), Jan.-Mar. 1961, p. 101-108. ARISTOTELES - De Anima. Cambridge, Univ. Press, 1907. 
ARTO, A. - Caratteristiche di personalit negli universitari e seminarist.

Orientamenti Pedagogici, Torino, 19 (4), Jul-Ago. 1972, p. 986-933.
- Identificazione parentale tra seminaristi e non seminaristi. Orientamenti Pedagogici, 
Torino, 18 (6), Nov.-Dez. 1971, p. 1214-1254. ATAIDE, J. S. de - Elementos de psicopatologia. 
Lisboa, Fundao Calouste

Gulbenkian, 1971. -- Situaes infantis de aparncia psictica. Jornal do Mdico, Lisboa,

67 (1351), Dez. 1968, p. 745-758. AUSUBEL, D. P.-Theory and problems of adolescent 
developinent. New

York, Gruwe & Straton, 1954. BABCOCK, H.-An experiment n the measurement of mental 
deterioration.

Arch. Psychol., Genve, 18, 1923, p. 117. BACHRACH, A. J. - Clinical p"chology. New York, 
Basie Books, 1962.

- Introduo  pesquisa psicolgica. So Paulo, Herder, 1969L BAGOT, H. - Juvenile 
delinqueney. London, Methuen, 1941. BARBADO, M. - La Teoria factorial de Spearman. Rev. de 
Filosofia, Madrid, 1947. BARNES, D. - La educacin de Ia adolescencia. Barcelona, Labor, 
1930. BARTIT@LEMY, J. J. -Educao ateniense. Lisboa, Inqurito, 1940. BARUCCI, M. - 11 
patrimonio etic dei dementi seuile @ paralitici, Rass.

Stud. Psichiat., Siena, 41, 1952. BARUK, 14, - La morale e# psychologie et en 
ps_uchpatholgie. Rev. Philosophique, (1), Jan.-Mar. 1963, p. 13-40. -- Psychiatrie. 
Morale exprimentale, individuelle et sociale.                  Paris,

P. U. F., 1950. BARUK, H.: BACHET, L. - Le Test Tsedek. Le jugement moral et Ia

dlinquence. Paris, P. U. F., 1950. BARUK, H.; MIle RIBI2RE-Prsentation, d'un teste de 
Tsedek,@.                  <,Ann.

Md. Psychol.. Paris, (105), 1947. BAUDIN, C.; DAGLE, P.; DIEHL, F. - tude des rsultats au 
W. I.                 S. C.

de cent garons dficients intellectuels. Rev. de Psychol. App1.,       Paris,
18 (4), 1968, p. 189-229. BAUMGARTEN, F. T. - Le Quotient de rendement. L'Ann. Psychol.,                
Paris,

39, 1938, p. 259-262. BENDER, L-The Concept of pseudo-p8ychopathie schizofrenia in 
adolescents. Amer. J. Orthopsychiat., (29), 1959.

192

BEN HAMOU, R. - Le Test Tsedek. Instrument d'exploration de dficits intellectueIs chez les 
malades mentaux. Thse. Paris, 1953. BENSBERG, G.; SLOAN, W. - A study of Wechsler concept of 
normal deterioration in older mental defectives. J. of Clinical Psychol., 6, 1960, p. 339-
362. BENTON, A. L.-Aspects psychomtriques de Ia dbilit mentale. Rev.

Psychol. App1., Paris, 5 (1), Jan. 1955, p. 79-95. BERGER, G.-Encyclopdie Franaise, vol. 
19. Paris, P. U. F., 1957. BERGLER, E-Suposiciones sobre el mecanismo de criminosis. Rev. 
de

Psicoanalisis, Buenos Aires, 3, 1945-1946. BIZE, R. - Trait de psychologie appliquc, vol. 
3. Paris, P. U. F., 1954. BLAIR, G. M.; JONES, R. S. -Como es el adolescente y como educarlo.

Buenos Aires, Paids, 1965; 1972. BLEULER, M. - Lehrbuch des Psychiatrie. Berlin, Springer, 
1949. BLISS, E. L.; BRANCHE, C. - Anorexia nervosa. New York, Hoeber, lHO. BOISSOW, G. - 
Contribution  1'tude du test Tsedek. Ann. Med. Psychol., Paris, 1952, 110. BONNARDEL, 
R. - L'adaptation de l'homme  son mtier. Paris, P. U. F. BOROWSKI, L. E. - DarstelIung des 
Lebens und Charakters Immanuel

Kants. Knigsberg, 1804. BROOKS, F. D- Psicologia de Ia adolescencia. Buenos Aires, Kapelusz,

1948; 1959. BROWN, J. M. e outros - Psicologia aplicada. Buenos Aires, Paids, 1972. BRYT, A. 
e outros-El tratamiento psiquiatrico del adole,-,cente. Buenos

Aires, Paids, 1969. BCHLER, C-El desarollo psicologico del nifio. Buenos Aires, Losada, 
1940.
- From birth to maturity. London, Routledge & Kegan Paul, 1935.
- La Vida psquica del adolescente. Buenos Aires, Espasa Calpe, 1947. BUGER, R.; SEABORNE, D. 
E. M-A psicologia de aprendizagem. Lisboa,

Gris, 1974. BURT, C. - The young delinquent. London, Univ. of London Press, 1944. CABALLERO 
GOAS, M- Familia y enfermedad psiquica. Rev. Psicol. Gen.

y Ap1., Madrid, 18 (70), 1963. CALONGHI, L.; GALLI, N. - Premessa storica. Orientamenti 
Pedagogici,

Torino, 9 (5), Set.-Out. 1962, p. 791-809. CARROLL, H. A. - Higiene Mental. Lisboa, 
Portuglia, 1972. CARUSO, I. A. - Psicoterapia y Religin. Rev. Psicol. Gen. y Ap1., 
Madrid,

4 (12), 1949, p. 623-637. CATELL, R. B. - A culture free intelligence test. Brit. J. Edue. 
Psychol.,

London, 31, 1940, p. 161-179. CELLA, R.; MAI@TAS, R. - Una encuesta sobre juventud  
religin. Educadores, Buenos Aires, 14 (86), Mar.-Abr. 1971, p. 115-140. CERDA RETUERTO, E. 
- Nuestra experiencia con el test Tsedek de
Baruk. Rev. de Psicol. Gen. y Apl, Madrid, 11 (39), Jul.-Set. 1956, p. 477-495. CHARCOT, J. 
P. - Oeuvres compltes, 9 vols. Paris, 1888-1894. CHAZAL, J. - La infancia delincuente. 
Buenos Aires, Paids, 1972. CICERO, M. T. - Oeuvres compltes. Paris, Belles Lettres

193

13

COHEN, Y. - The transition from childhood to adolescence. Chicago, Aldine Publishing, 1964. 
COLIN, M-Examen de personnalit et criminologie. Lyon, Masson, 1961.

Tomes 1 et 2. COMTE, A. -Importncia da filosofia positiva. Lisboa, Inqurito, 1939. D'AGATA, 
M. P.; NOBILE, S. - Ricerche sul Test Tsedek de H. Baruk.

Arch. Psicol. Neurol. e Psichiatr., Milano, 1951, p. 394-404. DAVIS, A. - Socialization and 
adolescent personalty. Adolescence, Yearbook

of the Nat. Society for the Study of Education, 43, 1944, Parte I. DEBESSE, M. - 
Ladole8cene, 9- ed., Paris, P. U. F., 1962.
- Psychologie de 1'enfant. 5o ed., Paris, Bourrelier, 1961. DEBUYST, C.; JOOS, J. - El nifio 
y el adolescente ladrones. Barcelona,

Herder, 1974. DELAY, J.-Abrg de Psychologie. Paris, Masson, 1962. DELOOZ,M. - -Ptude 
critique sur le test Tsedek. Rev. de Psychol. Ap1.,

Paris, 5 (1), Jan. 1955, p. 39-56. DEWEY, J. -Pedagogia y filosofia. Madrid, Francisco 
Beltrn, 1930. Dictionary of Education. New York, MacGraw-Hill, 1959. DO-DINH, P. - Confueio 
y el humanismo chino. Madrid, 1960. DOLEWT, J. Faons d'exprimer. Paris. DORON, R. -Remarques 
cliniques en psychopathologie juvnile. Rev. Psychol. Fran., Paris, 17 (1/2), Jun. 1972, 
p. 3-9. DREIKURS, R.; GREY, L. -A parent's guide to child discipline. New York,

1970. DUI)LEY, R. -A history of cynicism. London, 1937. DURANT, W. -Filosofia, Cultura e 
Vida. Buenos Aires, Sudamericana, 1960. DURKHEIM, E. - Les rgles de Ia mthode sociologique. 
Paris, 1899. DWELSHAUVERS, G. - Trait de ps:ychologie. Paris, 1928. EBBINGHAUS, H. - Prcis 
de psychologie. Paris, 1912. EHRILICH, S. - Prcis de statistique. Paris, P. U. F., 1961. 
ELKIN, F. - El nifio y Ia sociedad. Buenos Aires, Paids, 1964. EncicZopdia, Luso-Brasileira 
de Cultura, vols. 1, 2, 5-11, 14-17, Lisboa, Verbo,

1963.

Encyclopdie Franaise. Paris, vol. 19, 1957. ENGLISH, O. S. - Observation of trend in manic 
depressive. Psychiatry,

12, 1949. ERIKSON, E. H. - Identidad, juventud y crisis. Buenos Aires, Paids, 1971. -- 
Infancia y sociedad. Buenos Aires, Horm, 1959. EYSENCK, H. J. - Dimensions of personality. 
London, Routledge and Kegan

Paul, 1947. The structure of human personality. London, Methuen, 1953. FAU, R_Grupo de nos 
y de adolescentes. Barcelona, Miracle, 1954. FERNANDES, B.-Preveno e recuperao dos 
doentes mentais. 0 Mdico, Lisboa, (869), 1968. FERRATER MORA, J.-Dicionrio de filosofia. 
Buenos Aires, 1931. FOULKES, S. H.; ANTHONY, E. J-Psicoterapia psicoanaltica de grupo.

Buenos Aires, Paids, 1964.
194

FOULQUIi, P. - Dictionnaire de Ia Zangue philosophique. Paris, P. U. F.,
1962. FOULQUIn, P. e outros -A psicologia contempornea. So Paulo, Comp.,

Editora Nacional, 1960. FRAISSE, P. -Manuel pratique de psychologie exprimentale. Paris, P. 
U. F.,

1963. --- Psychologie du temps. Paris, P. U. F., 1957. FRAISSE, P.; PIAGET, J. - Trait de 
psychologie exprimentale, vols. 4 e 7.

Paris, P. U. F., 1964, 1969. FREEDMAN, P. - The principaIs of scientific research. New York, 
Pergamon

Press, 1960. FREIRE, A-O pensamento de Plato. Braga, 1967. FREUD, A. - AdoZescence    vol. 
13. New York, Internat. Univ. Press, 1958. -- The Ego and mechanism of defense. New York, 
Internat. Univ. Press,

1948.

FREUD, S. - New introductory lectures on p&ycho-analysis. New York,

Norton, 1933. An outtline of psychoanalysis. New York, Norton, 1949. FRIEDLANDER, K.-
Psicoanalisis de Ia delincuencia juvenil. Buenos Aires,

Paids, 1972. FROMM, E. -Escape from freedom. New York, Rinehart, 1941.

tica e psicanlise. Lisboa, Minotauro. The same society. New York, Rinebart, 1955. GABINO 
MARQUEZ, P-Filosofia moral, vols. 1 e 2. Madrid. Escelicer,

1942, 1943. GALENO. Leipzig, Khn, 1833. GARRETT, H. E-Las grandes realizaciones en Ia 
psicologia experimental.

Mxico, Fondo de Cultura Econmica, 1958. GARRISON, M. J.-The genetics of schizophrenia. J. 
of Abnorm. and Soe.

Psychol., 42, 1947. GERMAIN, J.-El psicofisico frente al problema del estudio de Ia 
personalidad. Rev. Psicol. Gen. y Apl., Madrid, 1954. GISCARD, P. - Les rsultats du, test 
de Tsedek en p&ychiatrie mdico-legale.

Ann. Med.-Ps@ychol., Paris, 1018,, 1950. GOBLOT, E-Vovabulrio filosfico. Buenos Aires, 
Joaquim Gil, 1945. GODECHOUX, Mme.-Rapport sur le test Tsedek. Goteborg, Orstadius

Boktyckeri, 1952. GOLI3STEIN, K. - Human nature in the light of psychopathology. Cambridge, 
Harvard Univ. Press, 1940. -- The organism. New York, American Book, 1939. GOMEZ BOSQUE, P. - 
Condicionamientos socio-culturales, psiquicos y biolgicos de Ia violencia. Rev. de Pscol. 
Gen. y Apl., Madrid, 31 (138), Jul.-Out. 1976, p. 749-795. GOMEZ MIER, P. V.-La angustia de 
los adolescentes y el confesionario

catlico. Rev. de Psicol. Gen. y ApL, Madrid, 27 (118), Set.-Out. 1972, p. 657-674. 
GONOBOLIN -Psicologia. Mxico, Grijalbo, 1962.

195

GOUREV, G. - Darwnisme et religion. Moscou, @ditions en langues trangres, 1960. GRUPO PARA 
EL PROGRESO DE LA PSIQUIATRIA. Adolescencia Normal. Buenos Aires, Paids, 1972. GUILFORD, J. 
P.-Psychometric methods. New York, MacGraw-Hill, 1964. GUILLAUME, P. - Eneyclop die 
Franaise, vol. 8, Paris, P. U. F., 1949.
- Manuel de psychologie. Paris, P. U. F., 1964. GUTHRIE, E. R. - The psychology of learning. 
New York Harper, 1952. GUTHRIE, W. C. - A History of greek philosophy. Cambridge, 1962. HALL, 
C. S.; LINDZEY, G. - Teorias da personalidade. So Paulo, Herder,

1966; 1971. HALL, G. S_Adolescence. New York, Appleton-Century-Crofts, 1904. HART, J_The 
Survey, Jun. 1924. HAYS, W. L_Quantificao em psicologia. So Paulo, Herder, 1970. HEGEL, W. 
-Introduo  Histria da Filosofia. Coimbra, Armnio Amado,

1961. HENYER, G.-Dbilit intellectuelle et dbilit mentale. L'Ann. Psychol.,

Paris, 50, 1951, p. 655-669. HEUYER, G. - Introduccin a Ia psiquiatra infantil. Barcelona, 
Miracle, 1954. HILL, W. F. - Teorias contemporaneas del aprendizaje. Buenos Aires, Paids, 
1971. HOAGLAND, H. - Schizophrenia and stress. Sei Amer., 181, 1949. HORNEY, K. - Our 
inner conflicts. New York, Norton, 1945.
- SeIf-analysis. New York, Norton, 1945. HUBERT, R. - El desarroZlo mental. Buenos Aires, 
Kapelusz, 1959. HUISMAN, D. - Psychologie (Court trait de philosophie). 1961. HURLOCK, E. B. 
- Psicologia de Ia adolescencia. Buenos Aires, Paids, 1961. JAMES, W. - The principles of 
psychology. 1890. JANET, P. - Dictonnaire de physiologie, de Ch. Richet. -- EneycZopdie 
Franaise, vol. 8, Paris, P. U. F., 1949. JOLY, R. - Le niveau de Ia science hipocratique. 
Paris, 1966. JUNG, C. G. - The integration of personality New York, Farrar and Rinehart,

1939.
- Psychological types. New York, Harcourtt, 1933.
- Psychology and religion. New Haven, Yale Univ. Press, 1938. KARMAN, E. von - Delincuencia 
infantil. Buenos Aires, Iman, 1937. KATZ, D. - Psicologia de Ias edades. Madrid, Morata, 
1960. KATZ, D.; PESTINGER, L. -Los mtodos de investigacin eu Ias Ciencias

SociaZes. Buenos Aires, Paids, 1972. KILPATRICK, W. H. - Filosofia de Ia educacin. Buenos 
Aires, Editorial

Nova, 1957. KIRK, G. S., ed. - Heraclitus: Cosmic fragments. Cambridge, 1954. KORN, A-De San 
Agustin a Bergson. Buenos Aires, Editorial Nova, 1959. KRA`ITER, F. E. - The pseudo-mental-
deficieney syndrome. J. Ment. Sei.,

London, 105, 1959, p. 406. LAFON, R.-Vocabulaire de psychopedagogie et de psychiatrie de 
Venfant.

Paris, P. U. F., 1963.
196

LAFORA, G. R. - Psicopatologia del crimen. Rev. Psicol. Gen. y Apl., Madrid, 4 (10), 1949, 
p. 307-316. LANDSVREUGD, C.; BEECKM-ANS-BALLE, M. - tude des quotients verbaux et de 
performance obtenus aux W. 1. S. C. dans une population d'enfants ayant des difficults 
scolaires. Rev. de Neuropsychiatrie infantile et d'hyg. mentale de Fenfance, Paris, 16 (3), 
Mar. 1968, p 219-226. LE BON, G. - La psychoZogie politique. Paris, Ernest Flammarion, 1912. 
LON, X.-La philosophie de Fichte 1902. LEVI, S.; MERAN, A. L-El niRo abandonado. Buenos 
Aires, Alfa, 3.958. LEVY, J.; OPPENHEIM, S.; WECHSLER, D-Clinical use of the mental

deterioration index of the BeZIevue-IVechsler Seale. J. Abn. and Soe. Psychol., 40, 1945, 
p. 405-412. LEWIN, K.-A dynamie theory of personality. New York, MaeGraw-11111,

1935. -- Principles of topologicaZ psychoZogy. New York, MaeGraw-11i11, 1936. LINARES MAZA, 
A-Problemas de vocacin y orientacin profesional.

Rev. Psicol. Gen y Ap1., Madrid, (58), 1961, p. 287-305. LITWAK, A. - Le test de Baruk en 
psychiatrie. Ann. Med.-Psychol., Paris,

108, 1950. LOMBROSO, C.-L'Uomo delinquente. Torino, 1894. LOOSLI-USTERI, M_La ansiedad en Ia 
infancia. Madrid, Morata, 1955. LORA TAMAYO, M. - La vocacin cientfica. Rev. Psicol. Gen. 
y Ap1., Madrid, 15 (55), Jul.-Set. 1960, p. 623-64,2. LOVELL, K. - A study of the problem of 
intellectual deterioration in adolescents and young adults. Brit. J. Psychol., London, 46, 
1955, p. 19,9-210. MeDOUGAL, W. - An outZine of psychology. London. Methuen, 1923. MeTAGGART, 
J.-E. - Introduo ao estudo da filosofia. Lisboa, Inqurito,

1939.

MAILLOUX, N.; LAVALLPE, C. - Gnesis y significacin da Ia conducta

anti-social. Rev. Psicol. Gen. y Ap1., Madrid, 16 (60), 1961, p. 725-736. MARINHO, J. - 
Verdade, condio e destino. Porto, Lello, 1976. MASSERMAN, J. H. -Experimental neuroses. 
Sei. Amer., 182 (3), 1950. MASTERSON, J. F. - El dilema psiquitrico del adolescente. 
Buenos Aires,

Paids-Assappia, 1972. MEAD, M. - AdoZescencia y cultura en Samoa. Buenos Aires, Paids, 
1961. MENDOUSSE, P-1,'me de l'adolescent. Paris, P. U. F., 1948, MIGLIORINO, G. - Herencia y 
ambiente en el desarrollo de Ia inteligencia.

Rev. Psicol. Gen. y Ap1., Madrid, 29 (126), 1974, p. 3-1,3. MIRA Y LOPEZ, E-Manual de 
orientacin profesional. Buenos Aires, Kapelusz, 1959. Manual de psicologia juridica. 
Barcelona, Salvat, 1932. MONTENEGRO, A. -0 teste Tsedek utilizado como estmulo num estudo

de psicologia diferencial. Aplicao a estudantes dos dois sexos. Rev. las Ciencias, 
Madrid, 25 (4). MORAGAS, J. - Nifios psicopatas. Barcelona, Jans, 1948. MOWRER, O. H. - 
Learning theory and behaviour. New York, Willey, 1960.
197

-- Learning theory and personality dinamics. New York, The Ronald Press,
1950.

MUCCHIELLI, R. - Comment ils deviennent dlinquants. Paris, E. S. F., 1965. MURREY, H- Rasir 
concepts for a psychology of personalities. J. of Soe.

Psychol., Provincetown, Mass., (4), 1933. MURREY, H.; KLUCKHOHN, C. - Personality in nature, 
society and culture. New York, Knopf, 1953. MUUSS, R. E. - Teorias de Ia adolescencia. Buenos 
Aires, Paids, 1972. NEMIAH, J. C. - Fundamentos de psicopatologia. Rio de Janeiro, Zahar, 
1976. NERON, G. - El nio vagabundo. Barcelona, Miracle, 1953. Nouvelle encyclopdie 
autodidactique Quiellet. Paris, Tome 1, 1967, p. 48-58. ORIGLIA, D.; OUILLON, H. - 
L'adolescent. Paris, E. S. F., 1965. OSGOOD, C. - Method and theory in experimental 
psychology. New York,

Oxford Univ. Press, 1963. PAVLOV, I. - Oeuvres choisies. Moscou, 1954. PEARSON, G. H. J. - 
Adolescence and the conflict of generations. New York,

Norton, 1958. Manual de psicoanalisis de nifios y adolescentes. Buenos Aires, Horm,
1958.

PIAGET, J. -Apprentissage et connaissance (tudes d'pistniologie gntique, vol. 7/10). 
Paris, P. U. F., 1959. Le jugement moral chez Venfant. Paris, Alcan, 19,52. PICHOT, P. - 
Abrg de psychologie, Paris, Masson, 1962.

La mesure de Ia dterioration et de Ia debilitt mentale. Applications des mthodes des test 
mentaux a Ia psychiatrie clinique. Paris, Herman,
1950.

Les tests mentaux. Paris, P. U. F., 1959. Les tests mentaux en psychiatrie, vol. 1, Paris, P. 
U. F., 1950. PICHOT, P.; DELAY, J.; PERSE, J. - Mthodes psychomtriques en clinique.

Paris, Masson, 1955. PI]=N, H. - Nouveau trait de psychologie, vol. 4. Paris, G. Dumas, 
1934.

Psicologia de comportamento. S. Paulo, Comp. Editora Nacional, 1957. Trait de psychologie 
applique, vol.     2. Paris, P. U. F., 1954. Vocabulaire de Ia psychologie. Paris,     P. U. 
F., 1963. PLATO - Mnone e Parmnides. Lisboa, Textos Clssicos, 1945.
- Tecteto. Lisboa, Seara Nova, 1947. POLIW, R. - Encielopdie franaise, vol.        19. 
Paris, P. U. F., 1957. POLLITZ, P. - Psicologia del delincuente.       Barcelona, Labor, 
1933. PONCE, A. - Ambicin y angustia de los adolescentes. Buenos Aires, Matera, 1955. 
RAPAPORT, D. - Tests de diagnostico psicolgico. Buenos Aires, Paids,

1965.

REICH, W. - Analisis del, caracter. Buenos Aires, Paids, 1972. REICHMENN-FROMM, F. - 
Transference problems in schizophrenies. Cambridge, Harvard Univ. Press, 1946. REVIER, E. - 
Bibliographie des oeuvres de Leibniz. Paris, 1937.

198

RIBOT, T. - Psychologie des sentiments. Paris, Alcan, 1906. ROBERT, P. - Les bandes 
d'adolescents. Paris, ]ditions Ouvrires, 1966. ROBIN, G. - Prcis de neuropsychiatrie 
infantile. Paris, Doin, 1950. ROF CARBALLO, J. - Vocacin y subsconsciente. Rev. Psicol. 
Gen. y Ap1.,

Madrid, 15 (54), Abr.-Jun. 1960, p. 371-393. ROMANO, C. G. - Diccionario de citas. Bilbao, 
Labor, 1952. ROSSEAU, J. J. - Emilio. Lisboa, Inqurito. RUBINSTEIN, S. L. -Princpios de 
psicologia general. Mxico, Grijalbo,

1967.

SACERDOTI, G. - Il teste Tsedek de Baruk, nello studio della personalit

dei minori delinquenti. Riv. Sperim. Freniatr., Reggio Emilia, 75, 19,51. SANDS, D. E. - 
The psychoses of adolescenes. J. Men. Sei., London, 102, 1956. SANTOS, T. M. - Noes de 
psicologia experimental. S. Paulo, Comp. Editora

Nacional, 1961.

SARASON, S. B.-Psychological problems in mental deficiency. New York,

Harper and Brothers, 1949. SCHOPENHAUER-Metafsica do amor. Lisboa, Inqurito. SEARS, R. R.-
Survey of objective studies of psychoanalytic concepts.

New York, Social Science Research Council, 1943. SERRATE, A-El test Tsedek de Baruk. Rev. 
Psicol. Gen. y Ap1., Madrid, 9 (29), 1954, p. 63-69. SHELDON, W. H.; STEVENS, S. S-Las 
variedades del temperamento.

Buenos Aires, Paids, 1972.

SIMON, M-Encyclopdie franaise, vol. 19. Paris, P. U. F., 1957. SKINNER, B. F.-The 
experimental analisys of behavior. New York,

MaeMillan, 1953.

SMIRNOV, A. A-Psicologia. Mxico, Grijalbo, 1962.

SOURS, J. A. e outros -Perturbaciones psquicas del adolescente. Buenos

Aires, Paids, 1972.

SPEARMAN, C.-Las habilidades del hombre. Su naturaleza y medicin.

Buenos Aires, Paids, 1955.

SPENCE, K. W.-Behavior theopy and conditioning. New Haven, Yale

Univ. Press, 1956.

SPRANGER, E. - Psicologia de Ia edad juvenil. Madrid, Rev. Occidente, 1960.

STERN, E.-Neucre experimentelle Methoden zur Untersuchchung der

Affekivitat und der Charakters. Fortschr. Neur. Psychiat., 1952. -- Te&ts para Ia clnica 
psicologica. Buenos Aires, Paids, 1959.

STEVENS, S. S.-Handbook of experimental psychology. New York, Wiley,

1951.

SULLIVAN, H. S-The interpersonal theory of psychiatry. New York,

Norton, 1953. -- The psychiatrie interview. New York, Norton, 1954.

199

SUPER, D. E. - Determinantes psquicos de Ia eleccin profesional. Rev. Psicol. Gen. y 
Ap1., Madrid, 29 (128), Maio-Jun. 1974, p. 563-582. Eleccin profesional o exploracin 
vocacional. Rev. Psicol. Gen. y Ap1., Madrid, 17 (62), 1962. SUPER, D. E.; ZELKWITZ, R. - 
La madurez vocacional en Ia tercera dcada

de Ia vida. Rev. Psicol. Gen. y Ap1., Madrid, 29 (129/130), Jul.-Out.
1974, p. 691-709. SZ2KELLI, B. -Los tests. Buenos Aires, Kapelusz, 1960. THOMA, H. - Anorexia 
nervose. Bern-Stuttgart, Huber-Klett, 1961. THORNDIKE, E. L. - The psychology of learning. 
New York, Teachers College, 1913. THURSTONE, L. L. - A factorial study of perception. 
Chicago, Univ. of Chicago Press, 19@t4. Implicaciones psicolgicas del analisis factorial. 
Rev. Psicol. Gen. y Ap1., Madrid, 5 (13), 1950, p. 19-35. Multiple factor analisys. 
Chicago, Univ. Chicago Press, 1947. THURSTON, L. L. e outros - La medicin de Ia 
inteligencia, Ia aptitud y el

interes. Buenos Aires, Palds, 1967. TIETZE, T. - A study of mothers of schizophrenie 
patients. Psychiatry,

12, 1949. TOMAZ DE AQUINO, S. In Metaphysicam Aristotelis coy)b;nentt(tria. Augustae 
Taurinorum et Roma, Marietti, 1915. TURNER, M. - Bases de electroencelografia clnica. Buenos 
Aires, Paids,

1971.

VANDENBERG, S. G. - La mesure de Ia dtrioration de Ia comprhension

social dans Ia schizophrnie. Rev. Psychol. App1., Paris, 12 (3), 1962, p. 189-199. 
VASQUEZ, A-Prospeccin y medida en psicologia de Ia religin. Rev.

Psicol. Gen. y Ap1., Madrid, 27 (116/117), 1972. VERGEZ, A-Psychologie (Court trait de 
philosophie). 1961. VERNON, P.-La structure des aptitudes humaines. Paris, P. U. F., 1952. 
VERONNELLI, C. A.-Tests mentales, 3.1 ed., Buenos Aires, Kapelusz, 1959. WALLON, H.-
Encyclopdie fran aise, vol. 8, Paris, P. U. F., 1948. WALTHER, L-A orientao profissional 
e as carreiras liberais. S. Paulo,

Melhoramentos.

WARREN, W.; CAMERON, K. - Reactive psychosis in adolescence. J. Ment.

Sei., London, 96, 1950. WEIL, P. -Manual elementar de psicologia experimental. S. Paulo, 
1,961. WHITE, . W. - The abnormal personality. New York, The Ronald Press, 1948. WITTELS, P. 
- Cleptomania y otros delitos psicopticos. Rev. de Psicoanlisis, Buenos Aires, 6, 1948-
1949. WOODWORTH, R. S. - La psychologie exprimentale. Paris, P. U. F., 1949. WOODWORTI-1, R. 
S.; MARQUIS, P. G. - Psychology. New York, Henry

Holt, 1953. YELA, M.-Psicologia de Ias aptitudes. Madrid, Gredos, 1956.

200

ZARAGUETA, J. - La vocacin como problema. Rev. Psicol. Gen. y Apl., Madrid, 15 (56), Out.-
Dez. 1960, p. 799-814. La vocatin profesional.  Rev. Psicol. Gen. y Ap1., Madrid, 21 
(82/83),
1966, p. 317-343. ZAVALLONI, P. - Psicopedagogia de Ias vocaciones Barcelona, Herder, 1969. 
ZAVALLONI, R.; GIORDANI, N.; CALONGUI, L-Adattamento italiano

del M. M. P. I. per Vesame psicologico degli ecelesiastici. Orientamenti pedagogici, 
Torino, 8 (5), Set.-Out. 1961, p. 874-909. ZAZZO, R. - Une recherche d'quipe sur Ia dbilit 
mentale. Enfance. Paris, (4/5), 1960, p. 335-364. ZULLIGER, H. - Un cas de pseudo-debilit. 
Rev. Psychol. App1., Paris,

6 (3), 1956, p. 161-177

201

iNDICE DE AUTORES CITADOS

ADLER, 11, 70 ALEXANDER, 70 ALLPORT, 12 ANTISTENES, 29 AQUINO (S. TOMAZ DE), 32 AGOSTINHO 
(SANTO), 32 ARISTTE,LES, 30, 31, 32, 42 ATHAYDE (S.), 70 BARKER (R), 53 BARUK (H.), 9, 10, 
12, 17, 42, 69,

145,167 CHARCOT, 72 CICERO, 32, 97 CIPRIANO (S.), 32 CLEMENTE (S.), 32 COLTON, 27 CONFU,CIO, 
29 CRATES, 29 CUETO, 35 DAVIS (A.), 53 DESCARTES, 63 DIOGENES, 29 DOLENT (J.), 26 DURKHEIM, 
33, 43, 46 EPICURO, 31 ERIKSON (E.), 53 FERNANDES (B.), 91, 92 FICHTE, 41 FRANKL, 70 FREUD 
(A.), 49, 66 FREUD (S.), 11, 48, 49, 70, 72 FROMM (E.), 11, 33, 34, 49 GOLI)STEIN, 12 GESELL 
(A), 53 GALENO, 72 HALL (S.), 47, 48, 51 HARTSHORE, 17 HAVIGHURST (R), 53 I-IERACLITO,29 
HIPOCRATES, 72 HOLLINGWORTH (L.), 53

HORNEY (K.), 11 JAENSCH, 53 JANET, 72 JOO XXIII, 84 JOUBERT, 55 JUNG (C. G.), 11, 70 
JUSTINO, (S.), 32 KANT, 32, 41, 42 KHOS, 17 KRETSCHMER, 53 KROH (0.), 53 KUNKEL, 70 LEMNIZ, 
36, 42 LEWIN (K.), 53 LEVY (M.), 33 LOMBROSO, 94 MAY, 17 l@LEAD (M.), 33, 34, 51, 52 MOOR, 
175 MURREY, 11, 12 ORIGENES, 32 PAULO VI, 84 PIAGET, 17 PIERON, 11 PIO XII, 84@ PITAGORAS, 29 
PLATA0, 30, 31, 33, 42 PROPERCIO, 79 RANK (0.), 49 RIBOT, 85 ROUSSEAU, 42, 45 SARTRE, 70 
SEARS (R.), 49 SENECA, 87 SOCRATES, 29 SPRANGER, 50, 51 SULLIVAN (H.), 11 SUPER (D.), 86 
SYMONDS, 22 TOMS (S.), 41 TOMLIN, 17 ZELLER, 53

ndice

INTRODUO             ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...             
7

O TESTE TSEDEK E A AMOSTRA                        . ... ... ... ... ... ... ... . . ... ...          
17

FILOSOFIA MORAL - irTICA (apontamentos histricos)                            ... ... ... ...        
27

MORAL - GENERALIDADES                       ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...          
35

ALGUMAS TEORIAS DA ADOLESCNCIA                              ... ... ... ... ... ... ... ...         
45

ADOLESCNCIA NORMAL                     ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...          
55

ALGUMAS PERTURBAES DA ADOLESCNCIA                                      ... ... ... ... ...        
63

ADOLESCNCIA E VOCAO                      . . ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...          
79

ADOLESCNCIA E DELINQUNCIA                           .. ... ... ... ... ... ... ... ... ...         
87

CONCLUSO DOS RESULTADOS GERAIS                              ... ... ... ... ... ... ... ...         
97

RESUMOS         .. ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...         
177

BIBLIOGRAFIA            .. ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...         
191

iNDICE DE AUTORES CITADOS                       ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...        
203

ERRATA.       ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...          
206

PUBLICAES DO CIP                 ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...         
207

205

ERRATA

Pg.  20 - linha 15 - ignoradas e no i,-norados

Pg.  26 - linha  9 - conveniente e no conviniente

Pg.  33 - linha 33 - adaptao e no adptao

Pg.  48 - linha 16 - SALVAIISMO e no SALVAISMO

Pg.  51 - linha 23/24 -relativamente e no relatimento

Pg.  81 - linha  5 -Procedem e no precedem

Pg. 111 - linha  7 - a e no 

PUBLICAES DO C. I. P.

Boletim Bibliogrfico e Informativo - n.- 1 - 1964 (esg.); n.- 2 - 1965 (esg.); n., 3 - 1966 
(esg.); n., 4 - 1966 (esg.); n., 5 - 1967 (esg.); n., 6 1967 (esg.); n.o 7-1968 (esg.); n.o 
8-1968 (esg.); n.o 9-1969 (esg.); n., 10-1969 (esg.); n., 11-1970 (esg.); n., 12-1970 (esg.); 
n., 13-
1971 (esg.); n.o 14-1971 (esg.).

Cadernos-n., 1-Manuel Breda Simes, Pedagogia Concreta, Educao Permanente e Formao 
Psicossocial, 1965 (esg.); n., 2-Joo Bnard da Costa, Da Pedagogia No-Directiva como 
Pedagogia Personalista, 1966 (esg.); n., 3-J. Rodrigues do Amaral, I. A.-Um Teste de Factor 
g Aferido para a Populao Escolar Portuguesa, 1966 (esg.); n.o 4 -Jos Marinho, Elementos 
para Uma Antropologia Situada, 1966 (esg.); n., 5-Manuel Breda Simes, Psicologia Dialctica 
e Sntese Pessoal, 1966 (esg.); n., 6 - J. Rodrigues do Amaral, O Teste de Barragem de 
Toulouse e Piron Elementos de Aferio para a Populao Escolar Portuguesa, 1967 (esg.); n., 
7-Oscar Lopes, Para a Coordenao Necessria entre o Portugu s e a

Matemtica, 1970 (esg).

Vria -V. Garcia Hoz, A Educao de Hoje, 1967 (esg.); Maria Borges Medeiros, O Papel e a 
Formao do Professor, 1970 (esg.). Caractres, conduites et cultures (in Actas do VI 
Seminrio Internacional de Caracterologia, realizado em Lisboa em 1966), 1970; Antologia de 
Textos Pedaggicos do Sculo XIX Portugus, vol. I -Da Necessidade de Ensinar (prefcio, 
seleco e notas de Alberto Ferreira), 1971 (esg.); scar Lopes, Gramtica Simblica do 
Portugus (Um Esboo), 1971 (esg.).

Informao Bibliogrfica Mensal-Texto mimeografado.

SRIES ACTUAIS

Bibliografla e Informao

BOLETIM DO C. 1. P.

N., 15-1972 (esg.); N., 16-1972 (esg.); N., 17-1973 (esg.); N., 18 -1973

Estudos - N., 1 - Jos Marinho, Filosofia - ensino ou iniciao?, 1972 (esg.). - N., 2 - J. 
Rodrigues do Amaral, Estudo dos Resultados da Aplcado de uma Escala de Inteligncia, 19715 
(esg.) - N.o 3 - Gilles Ferry, Inovao Pedaggica e Formao de Professores (Conferncia e 
Seminrio),
1975 (esg.) - N., 4 - Virgnia Ramos e M. Lusa Figueira, Anlise Crtica e Metodolgica do 
Questinrio de Bernreuter, 1977. - N., 5 -Arquimede3 Santos, Dificuldades Escolares e 
Epileptoidia (ensaio de convergncia clinico-electroencefalogrfica e confronto de 
conceitos), 1977 - N.o 6- J. Rodrigues do Amaral, Adolescncia e Juizo Moral, 1978.

Vria - scar Lopes, Gramtica SimbZica do Portugus (2.1 edio),
1972 (esg.). - J. Salvado Sampao, Evoluo do Ensino em Portugal. MetrPole 1940-41, 1966-
67, 1973 (esg.). - Antologia de Textos Pedaggico& do Sculo XIX Portugu8, vol. 11 - Dos 
Modos de Ensinar (prefcio, seleco e notas de Alberto Ferreira), 1973. -Rogrio Fernandes, 
As Ideias Pedaggicas de A. Coelho, 1973 (esg). - F. Adolfo Coelho, Para a Histria da 
Instruo Popular, 1973. - A. F. Castilho, Correspondncia Pedaggica (prefcio seleco e 
notas de F. Castelo Branco), 1975. - Antologia de Textos Pedaggicos do Sculo XIX Portugus, 
vol. III -Dos Graus de Ensino (prefcio, seleco e notas de Alberto Ferreira), 1975. - J. 
Salvado Sampaio, O Ensino Primrio, 1911-1969. Contribuio Monogrfica, vol. 1 - 1.1 Perodo 
- 1911-1926, 1975. -Maria Borges Medeiros, O Papel e a Formao dos Professores,
2.1 ed., 1976 (esg.). - J. Salvado Sampaio, O Ensino Primrio, 1911-1969. Contribuio 
Monogrfica, vol. II - 2.1 Perodo - 1926-1955, 1976. J. Salvado Sampaio, O Ensino Primrio, 
1911-1969. Contribuio Monogrfica, vol. III 3., Perodo - 1955-1969, 1977.

Informao Bibliogrfica Mensal - Texto mimeografado de circulao restrita e gratuita. 
Cltimo fascculo publicado: n,o 53 - Janeiro de 1974.

Composto e impresso em SILVAS - Coop. de Trabalhadores Grficos - SCARL, para a Fundao 
Calouste Gulbenkian. A tiragem  de 800 exemplares broch4dos. - Maro de 1978
